Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando, Marcelo, Arnaldo.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando, Marcelo.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo.
Sérgio, Branco, Tony.
Parece até um poema concreto, algo do tipo, mas essas seis linhas representam, de forma bem simples e básica, a história dos Titãs até hoje. E, por mim, poderia ter terminado nessa quinta linha hoje, pois, de poema concreto, a história tá passando mais a um dadaísmo. Desconstrução. Destruição.
Eu, bem como todo apreciador do trabalho dos titânicos (acredito), fui pego de surpresa com a notícia da saída de Paulo Miklos da banda. Justo o Miklos? O cara mais enérgico dos Titãs? Aquele cara que entregava performances sensacionais, dedicadas, de clássicos de 30 anos, como Bichos Escrotos e Diversão? Bem, ele mesmo. Acredito que pegou a todos de surpresa. Eu era um que achava que, a partir dessa última formação, a mais enxuta de todas (a da penúltima linha, mais o baterista, Mário Fabre), a banda não diminuiria mais, iria até o fim. Pensava que, dos oito iniciais, o que havia restado era a alma da banda.
Arnaldo, para mim, sempre se achou um pouco maior que a banda, mesmo que seja um grande compositor. Nando, talvez um pouco também, e talvez os anos, a maior maturidade tenham tornado ele mais "romântico" mesmo. Charles sempre foi o deslocado dos Titãs, apesar de fechar muito com o som da banda. Charles era o caretão, o "chato", o "foda-se". Saiu da banda porque disse que "era difícil envelhecer em uma banda de rock, e estava entrando em depressão". Logo após, formou o Panamericana, com relegados de outras gigantes do rock nacional, como Dé Palmeira, baixista do Barão Vermelho e Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana. Em outras palavras, Charles encheu o saco dos Titãs e quis sair. Não precisava dar o migué de envelhecer e tals, mas enfim.
Marcelo Fromer é a exceção. Marcelo era um cara muito fechado com a banda, muito brother mesmo. Se não tivesse morrido, eu tenho quase certeza que ele ainda estaria nos Titãs. E convenhamos, Marcelo na banda só teria o que acrescentar. Era um ótimo guitarrista, não tão exuberante e técnico, mas criativo. E a não-saída de Marcelo poderia ter impacto na permanência de Nando mais uns anos, enfim. Isso é papo para outra postagem. Vamos ao que interessa.
Desde 1982, quando os Titãs ainda eram Titãs do Iê-Iê e contavam não com Charles atrás do kit, mas sim André Jung, além de Ciro Pessoa nos vocais, já são 34 anos. É muito tempo. Desde 1985, ano da entrada de Charles, mais de 30 anos também. De lá pra cá, como vocês viram nas primeiras linhas da postagem, a banda não sofreu alterações na formação, apenas diminuiu de tamanho. Ok, numa banda com 8 integrantes, perder um dos TRÊS vocalistas (sem contar Nando e Sérgio, que também cantam), como foi com a saída de Arnaldo em 1992, não foi o fim do mundo.
Já a morte de Marcelo em 2001 mexeu bastante com a estrutura da banda. Como disse, além dele ser o segundo membro a menos dos Titãs, praticamente levou junto Nando Reis, que, abalado com a morte do amigo e de Cássia Eller, amiga muito próxima, preferiu seguir seu caminho na carreira solo, saindo da banda no ano seguinte. Esses anos, de 2003 a 2009, foram bem nebulosos, digamos assim. A banda recorreu a músicos contratados, Emerson Villani e Lee Marcucci, continuou gravando discos fracos, o ritmo continuava dissonante. Se a saída de dois membros mexeu com a banda, essa mudança foi para pior.
Até que, em 2009, os Titãs resolveram se livrar dos músicos contratados. Branco e Sérgio começaram a revezar as linhas de baixo, dependendo de quem canta a música, e Miklos assumiu a base nas seis cordas. Sacos Plásticos, do mesmo ano, foi um disco ridículo, ok, mas os shows começaram a ficar interessantes. A formação, mais enxuta, mais coesa, funcionou melhor ao vivo. Nem a saída de Charles, no início de 2010, abalou a banda. Logo após a entrada de Fabre, começou a turnê comemorativa de 25 anos do Cabeça Dinossauro, e muitas resenhas foram positivas a respeito. Pessoal realmente esperançoso que, após mais de 10 anos nebulosos, a banda poderia ter voltado nos trilhos.
E Nheengatu só confirmou essa previsão. Pesado, visceral, com músicas curtas e diretas, foi um grande resgate de uma banda que, no final dos anos 80, foi certamente o maior expoente do rock nacional. Acho que isso, mais do que tudo, fere um pouco o fã da banda. Esperar que o pessoal abandone o barco na pior fase possível até faz sentido. Mas a banda lançar um grande material inédito, trazer uma grande turnê e, aí sim, uma das maiores referências dentro da banda sair, é triste. Com o agravante que foi o divisor de águas, em termos numéricos.
Miklos foi a quinta saída dos Titãs. Nada contra Beto Lee, o músico contratado da vez, nem contra Mário Fabre, grande baterista (a Bruna até tem o par de baquetas do show de 2014), mas... agora eu acho que deu. Falo isso com dor no coração, Titãs é a minha banda nacional preferida. Só que dada a resistência da banda de admitir novas caras, não podemos dizer que menos da metade dos integrantes ainda é Titãs. Uma formação enxuta, com metade dos integrantes, cada um tocando um instrumento, tava show de bola. Foi uma das melhores fases. Já três integrantes é pouco.
Esse tratamento que a banda dá a quem a acompanha na estrada é outro fator importante. Desde 1985, Titãs são aqueles oito e fim de papo. O que vier e dividir o palco com eles é agregado. E esse tipo de atitude não me agrada tanto. Esse é um dos motivos pelos quais apoio sempre o Deep Purple, contra as viúvas, mas acharia melhor o fim dos Titãs. No caso do Purple, a banda não teve NENHUM problema de dizer que Steve Morse, americano, 10 anos mais novo que os outros integrantes, É SIM um membro da banda, apesar de todo o peso de exercer a função que, outrora, foi de Ritchie Blackmore, uma das grandes lendas da guitarra, fundador do Purple. E o cara tá há 20 anos na banda, compõe, é amigo dos caras, é, de fato, parte da banda.
Seria tão ridículo dizer que o Deep Purple, atualmente, é apenas Gillan, Paice e Glover quanto é os Stones "não terem baixista", pois Darryl Jones é apenas um músico contratado também, mesmo tendo 23 anos de casa. Além disso, o único integrante realmente FUNDADOR do Purple, atualmente, é Paice. Ou seja, os critérios seriam uns pra quem é mais antigo e outros pra quem é mais novo? Não, a banda está sendo coerente.
![]() |
Titãs de 2014: Bellotto, Branco, Sérgio e Miklos. Ao que parece, bateristas não são necessários... |
Coerência que falta pros Titãs. Charles entrou lá no longínquo ano de 1985, consta como membro original. Fabre entrou em 2010. Diferente de Villani e Marcucci, ele É essencial para a banda, pois não sobrava gente para assumir as baquetas. Pois bem, Fabre já tem 6 anos de Titãs. Gravou disco de estúdio, gravou DVD de show. É tão membro quanto os outros para entrar na estética das máscaras do Nheengatu durante o show. Então por que ele não é um membro na hora de assinar um autógrafo? De constar, na formação, como um Titã? Se a banda acha que membro oficial é apenas quem tava lá desde 1985 (e é direito deles), eu, como fã, acredito que, tendo menos da metade dos membros, esse era o momento da banda optar pelo fim. Parar por cima. Não dar oportunidade de cair no ostracismo e nas críticas novamente.
Certamente, se a banda tiver que se reunir de novo um dia, acontecerá. Seja pelos 35 anos do Cabeça Dinossauro, em 2021, pelos 40 anos de carreira, em 2022, qualquer coisa. Mas é preferível implodir agora, que está por cima, e se deixar ter a falta sentida, para poder voltar com tudo, com todos, com vontade de fazer música e de tocar junto, do que ir minguando desse jeito, morrendo aos poucos. Todos são competentíssimos. Branco gosta da área do cinema, Tony é um bom escritor, Sérgio tem uma carreira solo interessante, não sumiriam da mídia. Seria benéfico para eles experimentar a individualidade e deixar o coletivo, o titânico, para o momento adequado.

VIDA LONGA AOS TITÃS!
Nenhum comentário:
Postar um comentário