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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #12: Black Sabbath no Estacionamento da FIERGS (Parte 2)

Depois  do showzaço do Rival Sons, aquele break, pros roadies prepararem o palco pra última atração da noite, nossos queridos maloqueiros de Birmingham, que subiriam naquele palco pela última vez como Black Sabbath, na nossa cidade. 

Esse era um daqueles casos em que o break só tinha lados bons. Normalmente estamos ansiosos para ver uma banda desse calibre, mas, considerando que seria a derradeira, era daqueles casos em que queríamos passar aquele momento o mais devagar possível. Não tinha problema a banda se enrolar um pouquinho, e, se quisessem fazer um show de três horas e nós só sairmos de lá 01:00, não tinha problema algum. 

Mas eis que, 21:30, iniciou-se a despedida do Sabbath em Porto Alegre. Dessa vez, diferentemente da turnê do 13, em 2013, que a banda entrou até um pouco antes do horário no palco e simplesmente saiu mandando uma pedrada atrás da outra, fomos saudados por um pequeno vídeo no telão, duma situação meio apocalíptica, uma cidade em chamas, e, numa parte subterrânea dum prédio, uma espécie de ovo, praticamente saído dum dos jogos da série de Resident Evil. Desse ovo nasce um filhotinho de demonho, que termina de tocar fogo na cidade e, após isso, o logo da banda (aquele mesmo da capa do Master of Reality) aparece no telão, em chamas. Entrada grandiosa, digna do tamanho dessa gigantesca banda.


Em meio aos gritos de "Sabbath! Sabbath!" e o sino, nosso conhecido do início da música que carrega o nome do disco de estreia - e da banda -, Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler, acompanhados de Tommy Cluefetos novamente, entraram no palco. E foi justamente essa pedrada, a primeira música do primeiro disco, onde tudo começou, que deu início ao show. 

Cabe ressaltar que, normalmente, quando uma banda desce a afinação de alguma música do show em meio tom, um tom, etc, nosso primeiro impulso é julgar, falar que "eles fazem isso porque o vocalista não dá conta mais" (ou de repente nunca deu conta, fora a versão de estúdio, né pessoal do Offspring?). Mesma coisa quando a banda decide executar algumas músicas de forma um pouco mais lenta do que a versão de estúdio, dizemos que é a idade, que eles não conseguem mais.

Com o Sabbath, curiosamente, em um show onde eles tocam TODAS as músicas em tons mais baixos que o original, muito por causa do Ozzy, e também tocam de forma ainda mais arrastada as músicas, o efeito é de deixar a música ainda mais pesada e sinistra, mesmo que não intencionalmente. No fim das contas, ponto pros caras.

Falando em ponto pros caras, logo após Black Sabbath, os caras resolvem mandar Fairies Wear Boots, uma das minhas preferidas, por abusar de trocas de tempo, seções diferentes e ser, resumidamente, uma sequência de riffs fodas do Iommi (coisa que várias músicas do Sabbath são, aliás, um desfile de riffs durante uns 5 minutos). Destaque para, além da execução da banda, perfeita como de costume, fora o Ozzy que sempre parece um pouquinho fora do tom (e a gritaria da mina do vídeo), os efeitos psicodélicos no telão.

Depois desse começo sensacional, a banda deu uma passada pelo Master of Reality: a clássica Into the Void foi a terceira música da noite, seguida por After Forever, a novidade do setlist. Apesar de eu não ser tão ligado assim no Master of Reality, sei que ele é uma fábrica de clássicos e qualquer coisa que eles resolvessem tocar no show, inclusive Solitude, seria foda.

Falando em foda, esse é o adjetivo que descreve Snowblind. Uma das melhores músicas da banda, é daquelas em que Ozzy rege a plateia, e nós, como bons súditos do Príncipe das Trevas, atendemos, cantando junto e movendo os braços como se fôssemos um só. Simplesmente sensacional.

E, depois de Snowblind, veio AQUELE desfile de clássicos. Começando com War Pigs, onde tudo é simplesmente perfeito, bateria, baixo e guitarra se combinam e mostram tudo que sabem em quase oito minutos de uma das melhores músicas da história. Logo após essa pedrada, tivemos a dobradinha Behind the Wall of Sleep/N.I.B., onde, mais uma vez, tudo aquilo que faz o Sabbath ser o que é se mostra presente: Iommi esmirilhando a guitarra pra tirar todos aqueles riffs (os quais a plateia CANTA junto, tamanha a facilidade que o homem tem pra tirar esses riffs absolutamente grudentos), uma bateria poderosa (a qual eu gostaria muito de ter visto representada pelo monstro Bill Ward, mas infelizmente não rolou), o Ozzy - seja isso bom ou ruim, mas é característico -, e muito, mas MUITO espancamento de baixo. E se há um momento verdadeiramente esperado no show é justamente a transição, a "barra" de Behind The Wall of Sleep/N.I.B., pois é ali que Geezer mostra o que sabe.

Pena que, pelo fato do setlist ser bem mais curto do que em 2013, já estávamos mais perto do fim do que do começo do show. Mesmo assim, ainda tivemos a oportunidade de ver Rat Salad, com direito ao solo de bateria de Cluefetos, que faz a diminuta versão de estúdio, que tem 2:30, se transformar em NOVE minutos de muito espancamento de peles e pratos.

Logo após, a minha, a sua, a nossa Iron Man. A Smoke On the Water do Sabbath, aquela música que todo mundo conhece o riff, aquela que, junto com Smoke e Stairway to Heaven, o pessoal das lojas de instrumento tá de saco cheio de ouvir os piá aspirantes a guitarristas tentarem reproduzir o riff (e falharem miseravalmente na maioria das vezes). Mas... E DAÍ? Mesmo tendo ouvido ela 2308578943659783497 vezes na minha vida, eu (e provavelmente todo mundo no estacionamento da FIERGS) ouviria ela mais uma, duas, até três vezes se eles tivessem dispostos a tocar.

Seguindo, tivemos Dirty Women. E, não me levem a mal, mas de novo ficou a mesma sensação de 2013... pra que botar Snowblind e War Pigs no começo do show e espremer essa música (que, apesar de ser a melhor do Technical Ecstasy, de longe, não tá no mesmo patamar das clássicas dos outros discos) entre tanta música foda no final? Apesar de bem executada e tudo mais, dá aquela esfriada no pessoal. E sem falar que não teve o vídeo com muitos nudes no telão que nem em 2013. xD

Pra finalizar o show, Children of the Grave. E o que seria dum show do Black Sabbath sem ela, não é mesmo? Além disso, o que seria dum show do Sabbath sem o Ozzy fazer uma cagadinha também? Legal que ele foi dar aquela derrapada na penúltima música do show. A banda tava na intro ainda, fazendo a segunda volta do riff principal, e o Ozzy já saiu mandando aquele "REVOLUTION IN THEIR... OOPS, SORRY!!". Obviamente nós rimos, assim como o Iommi. E né, estávamos todos ali pra nos divertir, um errinho, além de mostrar que os caras são humanos, aumenta a diversão.

Depois de Children of the Grave, a banda saiu do palco e realizou aquele protocolo padrão do bis... esperaram uns minutos, enquanto o pessoal gritava por eles, voltaram, receberam o aplauso esmagador da plateia, e o Ozzy falou que "como nós estávamos ultrafuckingSHAROOONcrazy, eles tocariam mais uma música pra nós.

E foi AQUELA uma. Pra encerrar a passagem, colocar um ponto final muito digno em tudo. Paranoid. Não poderia ser outra, senão uma daquelas músicas que embala os ensaios de tantas bandas de garagem (inclusive a minha e do Leão). E, depois de assistir a tudo isso de novo, só posso dizer obrigado. Obrigado, Sabbath, por existirem, por terem sido uma das maiores influências no rock e no metal que já pisaram nesse planeta. Obrigado por terem vindo DUAS vezes pra cá e me dado a oportunidade de vê-los ao vivo. Vocês vão fazer muita falta.







terça-feira, 29 de novembro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #11: Black Sabbath no Estacionamento da FIERGS (Parte 1)



Sim, de novo. Aconteceu de novo. A mesma banda. O mesmo local. Três anos depois. E lá estávamos eu e o Leão de novo. As única coisas diferentes dessa vez? Pra onde compramos ingresso, as bandas de abertura e quanto durou o show. Mas vamos por partes, como diria o velho Jack. 
Logo que a banda anunciou as datas, Porto Alegre não estava incluída na turnê. No momento que descobri que novamente teríamos chance de ver o Sabbath, já combinei com quem quisesse ir que tinha que rolar. Ali, já deixei combinado com o Leão que dessa vez iríamos de pista Premium. Não por estar esbanjando grana nem nada, mas simplesmente pelo fato de ter sido ruim de ver o show quando fomos de pista normal em 2013 e porque a Premium aqui, diferente do show do David Gilmour, tava aceitando meia entrada estudantil. 
Sinceramente, 280 reais pra ver uma banda do calibre do Sabbath, muito mais perto do que da outra vez, ou seja, com uma experiência muito melhor, na minha cabeça, valia a pena. Ainda mais que acabei não indo nos Stones, por ter comprado pouco antes o ingresso pro Gilmour (burrice minha, tinha grana pros dois e consegui entrar na fila de espera na Internet, não fui de besta), e não fui num Guns (que valia a pena ir) com mais de meia formação original, simplesmente por achar que testemunhar a despedida do Sabbath seria mais significativo, considerando que eu já ouvi muito mais Sabbath que Guns na minha vida. E que o pessoal do Guns ainda tá nos 50, tem lenha pra queimar.

Feita a odisséia do ingresso, era esperar. Confesso que, não que quarta feira seja um super dia pra um show, mas com certeza é mais alto astral que ver um show numa segunda feira. Ainda mais que, em 2013, o show foi numa quarta pós aula de 3º ano de ensino médio. Ontem, foi numa segunda feira pós aula na faculdade (e faculdade os horários nunca são iguais, mesmo que as pessoas sejam do mesmo curso), sem falar na aula do outro dia. Mas enfim, nada que pudesse estragar o espetáculo.

            O Leão chegou lá em casa por umas 16:30 pro tradicional aquece (afinal, fora o momento que tu te obriga a comprar uma ceva pelo copo que eles começaram a distribuir nos shows, que é uma lembrança maneira, ninguém merece pagar 12 pila ou mais em UMA latINHA de ceva. Com esses mesmos 12 pila, mais 8, comprei um fardo de Budweiser e matamos um tempo, batendo um papo sobre as expectativas pro show e jogando um videogame. 
            Eu já tinha visto o set padrão do Sabbath na turnê, e, na real, apenas duas, das 14 músicas, eram novidades: Hand of Doom e After Forever. Ainda por cima, nos últimos shows, a banda não vinha tocando a primeira. Confesso que foi meio broxante saber que o show, em vez das tradicionais 15 músicas mais bis da turnê anterior, era composto por 12 músicas mais o bis, e apenas uma nova (e o pior é que venho do futuro e posso afirmar que dos 81 shows, só em 11 ela não foi tocada, e, na última perna da turnê, toda na Inglaterra, a banda resolveu se dedicar mais e voltou com o set de 16 músicas, com Hand of Doom, Under the Sun e entrou até uma medley instrumental de Sabbath Bloody Sabbath/Symptom of the Universe ou Supernaut/ Megalomania). E sem falar que a nova cortada foi Hand of Doom, que eu preferia a After Forever. 
Mas enfim, aquelas coisas que a gente meio que perdoa. Admito que o show picudo do Sabbath que eu testemunhei foi em 2013, recém os caras voltando, disco novo, Megadeth na abertura, foi mais grandioso, de fato. Mas, mesmo com um menor brilho desse show de ontem, foi a última vez dos caras. Tive a sorte de poder ver o Black Sabbath duas vezes, e isso é que é o barato.

Mas vamos parar de falar um pouco do Sabbath em si e vamos a todo o show. Resolvemos pegar um Uber dessa vez, pra não ter que chegar 16:00 e ficar de pé cinco horas a mais que o necessário. Como a pista Premium demora pra chegar o pessoal, saímos de casa umas 18:00. Claro que foi uma idéia estúpida, porque, além de ser dia de show, era hora do Rush de segunda feira de um dia de show. Chegamos lá às 19:00 e 48 golpinhos mais pobres. Faltava pouco pra primeira banda de abertura entrar no palco.

O broder do ACDC no som do aquecimento tava lá novamente, mas pelo menos dessa vez ele mudou um pouco o CD, botou o Powerage na íntegra pra tocar. Tenho que admitir que foi bom, dei atenção pra um disco do ACDC que eu cagava antes. Nesse meio tempo estávamos de olho no Vitória também, que tinha chance de botar mais um prego no caixão do interzinho, enquanto esperávamos pelo show de abertura.

Eis que umas 19:40 chegou o Krisiun, ou algo assim. Sinceramente, parecia que tinham aberto as portas do inferno. Não era que nem o Hibria, que eu curti afu e tinha uma pegada bem Iron Maiden. Eram três magrão tr00 met4ll, barbudo, cabeludo, pareciam três Tom Araya no palco e, quando começaram a tocar, mano... eu, que nunca fui adepto desse metalzão extremo, não conseguia DISTINGUIR o que eles tavam tocando. Quase não dava pra saber se tinha terminado uma música e começado uma nova ou era tudo a mesma coisa. Era, salvo raríssimas exceções, bumbo duplo O TEMPO TODO, gutural, porradaria mesmo. Tanto que teve roda de pogo do início ao fim do show (inclusive testemunhamos um cara levar uma mina sei lá pra onde pra negociarem o copo dele, já que, segundo ela, ela tinha perdido o dela na roda... sabe-se lá quanto custou o copo xD).

Os caras tocam bem? Sim. Curti o show? Não tanto. Preferia outra banda que prezasse mais a melodia que a porradaria? COM CERTEZA. Mas não dava pra reclamar, até admiti que em alguns momentos, quando eles tocavam algo mais parecido com música pros meus ouvidos, eles mandavam bem. Ahh, enquanto isso, saiu um gol do Vitória, com o mito Di Marinho, e a gurizada gremista aplaudiu horrores. Apesar do show ser na segunda, não ouvi manifestação dos colorados, não sei por que...




E então, lá pelas oito e bolinha da noite, apareceu quem eu estava mais curioso pra ver na noite: Rival Sons. Não me entendam mal, não quero pagar de fã tr00zão de 2013, que pagou Premium pra ver mais o Megadeth que o Sabbath. A idéia é a seguinte... já tinha visto o Sabbath uma vez, tava prestes a ver de novo, e sabia que ia ser um show foda, estava ansioso e tudo o mais, mas a curiosidade em si já não tinha mais, ainda mais que já conhecia o set de cabo a rabo. Mas o Rival Sons, banda de abertura que fez TODA a turnê com o Sabbath, eu não fazia a mínima ideia de quem era.

Umas semanas antes do show, tinha parado pra pesquisar sobre eles, pensei “se o Sabbath curtiu o som dos caras, deve ser coisa boa”. Pesquisei no youtube e caí direto em Pressure and Time, primeira indicação. Foi amor à primeira vista. Sonzaço, estilo anos 70 total, com uma altíssima influência do Led Zeppelin, do próprio Sabbath, e com um vocal muito ao estilo Glenn Hughes. Aí fui atrás do set deles dos shows de abertura e ouvi as músicas. E olha, impressionante como me cativou, um som sensacional.


A banda chegou com balaca de banda grande. Vinheta de abertura com a música tema de The Good, The Bad and The Ugly, gurizada na beca, uns instrumentos fodas (que nem a guitarra do Scott Holiday, com detalhes em dourado), aquela expectativa e... de cara, Electric Man, daquelas embaçadas pra começar um show. Essa música tem swing, tem peso na guitarra, tem tudo. Uma das melhores deles.

E seguiu o show só com som foda. Secret, com um andamento um pouco diferente, mas boa pra caramba também, a já citada Pressure and Time, Open my Eyes, com um andamento ao estilo Kashmir, Keep on Swinging, Torture (com uma baita introdução, só no improviso, na guitarra), enfim, um desfile do que a banda tem de melhor. E não é pouca coisa.

Entretanto, pra mim, o mais significativo no som do Rival Sons é a ousadia de improvisar, nos tempos em que vivemos, em pleno 2016. Até mesmo bandas clássicas, como o próprio Black Sabbath, Deep Purple (maior exemplo disso, apesar de ainda conseguir improvisar aqui e ali, só não em doses cavalares como antigamente) já não tem mais esse espaço, fazem o solo mais parecido com o original, não estendem a música, seguem o roteiro do show.

O Rival Sons quebra completamente essa história. É solo mais longo que o original, é introdução com improviso (Torture, que tem quatro minutos na versão de estúdio, com o improviso e com as brincadeiras com o público, chega aos nove fácil nos shows), é ousadia e originalidade. Isso foi algo que fez eu curtir ainda mais a banda depois de vê-la ao vivo ontem. E, quando acabou, o Leão, que não tinha ouvido os caras ainda, fez questão de deixar isso bem claro também, mas era algo que ele tava falando desde o início do show.

Só sei que, como não ficar na expectativa depois dum baita show de abertura desses? E, assim como eu fiquei na expectativa pro show do Sabbath, vou deixar vocês na expectativa e dividir essa postagem em duas, senão ela vai ficar quilométrica demais. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Quando palavras não são necessárias... 32

Um pouco de The Police hoje, que tem algumas instrumentais bem interessantes, mas só postei duas delas até hoje

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Revirando o baú dos One Hits

Acredito que em dias normais não faria uma postagem dessas, mas já que fui no fundo do meu baú no last.fm, atrás de músicas que não ouço desde, sei lá, 2012, nada mais justo que aproveitar e dar essas dicas pra vocês.

Afinal, a ideia do Nata sempre foi diversificar e resgatar coisas boas que ficaram ofuscadas... enfim... vamos ao que interessa



sábado, 10 de setembro de 2016

On the Charts #29: Os 20 anos do Test for Echo

Sim, meus gamigos, depois de mais de um ano sem esse tradicional quadro, voltou o On the Charts. E voltou com esse disco, que é (o melhor do mundo e) um dos melhores do Rush, na minha humilde opinião. Não sei se já cheguei a falar sobre isso por aqui, mas um dos critérios para o disco ganhar um On the Charts, além de eu conhecê-lo bem, é ele completar, no mínimo, 20 anos. Entretanto, raros foram os discos que, com 20 anos de vida, ganharam On the Charts. Dois que posso me lembrar são o Nevermind, do Nirvana, e o Blood Sugar Sex Magik, dos Peppers (que na real ganhou mais foi uma nota, esses dois ainda merecem um On the Charts digno). Mas vamos ao que interessa
Serigrafia do CD remaster de 2007

Test for Echo é o décimo sexto disco de estúdio (da melhor coisa que o Canadá já nos ofereceu) do Rush. Lançado em 10 de setembro de 1996, apesar de ser um dos discos mais acessíveis do trio canadense, é também mais uma mudança no som da banda, além de, infelizmente, carregar o peso do trauma do baterista Neil Peart e ter sido absolutamente esquecido e ignorado nas últimas três turnês. E, para entender um pouco disso tudo, voltamos no tempo.

O Rush, que nunca foi uma banda de repetir o mesmo som por mais de dois ou três discos, lançou, em 1984, o Grace Under Pressure, que iniciou a fase da tecladeira. Fase essa que perdurou até 1987, impregnando o som de Power Windows, lançado em 1985, e de Hold Your Fire, de 1987. Quem viu o documentário Beyond the Lighted Stage (que pretendo falar sobre um dia também), sabe que isso, de certa forma, “incomodou” um pouco o guitarrista Alex Lifeson, já que o som da banda se tornou completamente dominado pelos teclados.

Serigrafia do CD original, de 1996
Então, em 1989, vem Presto, seguido por Roll the Bones em 1991, dois discos com sonoridade muito parecida. Aqui, mais do que nunca, o Rush passou a se tornar acessível. Músicas, em sua maioria, de 4 minutos, acordes abertos, refrões fortes, mas ainda faltava alguma coisa, tanto que a própria banda, a exemplo da crítica, considera o disco um tanto quanto vazio. Talvez seja a afinação da bateria e o timbre da guitarra, um tanto quanto oitentista, mas o que ocorreu foi que, mais uma vez, o Rush partiu pra outro som.

Em 1993, veio Counterparts. Muito mais pesado, com a volta de uma guitarra mais forte, foi muito aclamado pelos fãs. Mas, dessa vez, foi a vez de Neil Peart querer mudar. Segundo ele, o estilo de tocar bateria dele tava muito oitentista, onde ele era plenamente capaz de manter uma batida padrão, com perfeição no tempo e na execução, mas não tinha dinâmica.

Assim, ele tomou lições (sim, Neil Peart fazendo aulas de bateria) com o guru do jazz Freddy Gruber. Claramente a técnica dele mudou para esse disco, tanto que, além dele começar a usar mais seguidamente o prato de condução, no seu DVD A Work in Progress, onde ele regravou (ao vivasso) algumas das linhas das músicas do Test for Echo, a pegada que ele tava usando era a tradicional (e nos shows até mesmo da turnê do Vapor Trails, seis anos depois, nas músicas do T4E ele ainda usava traditional grip).
Sobre as músicas em si, abrimos o disco com a faixa título. Maior música do disco, tem tudo que eu citei antes, logo de cara. Neil Peart com muito prato de condução, um começo cativante, Alex Lifeson voltando à frente do som, e, algo que não citei antes, Geddy Lee mostrando que a experiência, além da idade, fizeram bem pra sua voz. A partir do Presto, o vocal dele passou a ser MUITO bom, adequado para as melodias das músicas, não mais aquela coisa de querer mostrar que sempre podia gritar mais agudo (não que não fosse legal, mas tinha passado o tempo).

Test for Echo é uma boa música porque, apesar de ter seções bem definidas, que se alternam durante seus quase seis minutos, essas seções são claramente baseadas no jogo de luz e sombra que só quem tem um grande feeling é capaz de fazer. Ahh, e o solo do Lifeson é curtinho, mas é tri. Sem falar na virada sensacional do Peart logo depois.

A segunda música é Driven. Uma das mais tocadas desse disco em shows (quem foi nos shows do Rush no Brasil teve a sorte de vê-la ao vivo), agita um pouco mais as coisas, com o riff de guitarra mais pesado e o andamento mais intrincado, típico do Rush, mas sem ignorar os momentos mais leves, como o pré refrão, algo a la Nobody’s Hero. Obviamente, aqui, o destaque absoluto é a performance de Geddy Lee, com direito a solo de baixo, que ele sempre improvisava ao vivo.

Half the World, a terceira música, apesar de ser bem comum, do ponto de vista do Rush, sempre foi uma das minhas preferidas do disco, porém, sou suspeito pra falar, era uma das que eu mais via o Neil Peart tocar no A Work in Progress, sei nota por nota na bateria. Mas, mesmo assim, fazendo uma análise imparcial, apesar de não ter nada muito absurdo de performance, é o tipo de música boa pro meio do disco. Relativamente curta (tem menos de quatro minutos), não deixa de ter uma virada aqui e ali, momentos de troca de tempo, mas mostra que a banda soube explorar o potencial e, ao mesmo tempo, provar que entende de pop, digamos assim. E, mais perto do final, tem um troço, meio mandolin, que o Lifeson toca na estrofe, que tem um som muito próximo do bouzouki, instrumento com o qual ele faz o solo de Workin’ Them Angels, do Snakes and Arrows.


Seguindo, temos The Color of Right. Com uma introdução poderosa, que é a mesma progressão do refrão, é outra música que me cativa, principalmente pela letra, uma das melhores do disco (e o truquezinho que o Peart faz pra virar a baqueta, quando para de conduzir no aro e volta pra caixa xD). Pra outros fãs de Rush, pode ser uma música comum, mas eu valorizo muito o refrão forte dessa música, e essa coisa da progressão do refrão ser mais sinistra enquanto a do pré refrão é reflexiva, mais um desabafo.

Se tem alguma música que lembra um pouco o Rush das antigas é Time and Motion. Confesso que não é das minhas preferidas, mas tem um instrumental beeeem sinistro e uma coisa meio circular, meio metida a progressivo, e a linha vocal do Geddy é sensacional. O interessante é que ela corta completamente o clima das primeiras quatro músicas, por ser mais pesada, mais sinistrona. Um destaque é a seção do meio, que mistura uma guitarra pesadíssima com uma outra com efeitos diferentes e calcada nas notas mais agudas, um jogo de pergunta e resposta sensacional.


A música seguinte é Totem, e bem diferente da sua antecessora, tem um clima de felicidade que perpassa por todos os seus quase cinco minutos. Não ouvia tanto ela, mas depois admiti que é um belo som, com outro bom refrão, e tem muito da pegada do Rush do Snakes and Arrows, na minha opinião. E posso afirmar que, apesar de novamente ser um solo curto, é um dos melhores do disco, além do pós solo, que Lifeson usa os harmônicos, dando aquela nostalgia (Red Barchetta, aquele abraço).

Dog Years, a sétima música, já foi mais agradável aos meus ouvidos. Gosto dela ainda, é claro, mas comparada às outras, acho que é uma das mais fracas, ou “menos fortes” do disco. Muita gente que curte Rush acha que essa letra é lamentável, comparada ao que o Peart já escreveu pra banda. Realmente, tem melhores, tanto de letra quanto da música em si, mas é uma música que dá pra ouvir bem de boas.

Mas, se tem um lado bom de Dog Years ser fraquinha, é que enaltece ainda mais Virtuality, a oitava música. Ao melhor estilo do Rush, com jogo de luz e sombra, um riff dos mais fortes do disco, a mescla com seções com uma pegada meio dance, uma letra decididamente mais interessante, sobre tecnologia e tals, e, pra mim, o maior destaque, a bateria genial do Peart, a melhor do disco. Vou inclusive deixar o vídeo abaixo, para que entendam do que estou falando.


E, como se já não fosse o bastante uma música mais pesada ser uma das melhores do disco, vem Resist, praticamente um poema que o Neil Peart. Definitivamente a melhor letra do disco, e uma das melhores do Rush, transformada em uma balada daquelas pras pedras chorarem. Com uma bateria simples, mas sem abrir mão de algumas características típicas do velho Neil, violão, piano, e, quando a guitarra entra pesada é pra contribuir com o clima da música. Perfeita, em todos os sentidos, principalmente no break, onde ficamos apenas com Geddy e alguns acordes de violão. E isso que essa é a versão de estúdio, ao vivo, na turnê do Vapor Trails, eles refizeram ela, uma versão apenas acústica, Geddy e Lifeson, dois violões e voz.


A penúltima música é Limbo, uma instrumental. Gosto bastante dela, principalmente porque Geddy, como de costume, espanca o baixo com maestria, mas acho que cinco minutos e meio foram um pouco de exagero deles. Se ela tivesse os quatro minutos de Leave That Thing Alone, seria mais apropriado. Perto do final, ela se torna muito repetitiva. Mas mesmo assim, é uma música interessante, com Geddy usando sua voz como um instrumento e a banda, como de costume, entregando um trabalho competente nos instrumentos. Peart, aliás, manda uma virada sensacional lá pelo meio da música, onde para tudo voltamos ao clima do início.

Sobre Carve Away the Stone, não tenho muito o que opinar. Nunca fui muito fã dela e até hoje continuo não sendo. Por mim, inclusive, o disco poderia terminar em Limbo, fechando 10 músicas. Talvez seja como Totem ou Time and Motion, que eu ainda não ouvi ou prestei atenção suficiente, mas acho que a banda poderia, se não tirá-la do disco, escolher uma música mais apropriada pro final. Apesar disso, não é uma música ruim, coisa que acredito não ter visto o Rush fazer ainda (se bem que tem Grand Designs e Madrigal).


        Por hoje é isso. Test for Echo, baita disco, complementado por uma bela capa e encarte, e mesmo pra quem torce o nariz um pouco pro que o Rush fez depois dos anos 80, duvido que com um pouco de paciência e boa vontade vocês não se rendam a esse disco e outros dos anos 90 e 2000.