quinta-feira, 15 de maio de 2014

Especial Titãs #7 - Resenha #9: Titãs - Nheengatu

Depois de muita espera, saiu o disco novo dos Titãs. E com ele, voltou o respeito pela banda. Como dito exaustivamente nas últimas seis postagens, a banda estava em um período coxinha de sua história desde o Acústico MTV até o lançamento do Sacos Plásticos. Após isso, a saída de Charles da banda e, segundo eles, "a experiência de tocar o Cabeça Dinossauro na íntegra ao vivo" deram uma balançada nas coisas, e a banda enveredou pelo lado mais pesado novamente.

Nheengatu soa quase como um disco conceitual. Muitas letras de teor pesado, críticas, ácidas, que variam desde a chegada dos portugueses do Brasil até os dias atuais, protestos e abuso de poder das forças policiais. Aliás, tema muito bem retratado na música que abre o disco, Fardado. Pesada, com uma estrutura semelhante com Será que É Isso que Eu Necessito? (em relação a estrofes e refrões), faixa de abertura do Titanomaquia, de 1993. Fardado também é cantada por Sérgio Britto, que predomina nos vocais durante do disco. São seis músicas cantadas por ele, contra quatro de Miklos e quatro de Branco. Além da faixa de abertura, outras três não foram tocadas durante a turnê do Titãs Inédito: Cadáver Sobre Cadáver, Pedofilia e o belo cover da banda para Canalha, de Walter Franco.

Versão picareta especial de Nheengatu
Seguindo no disco, temos Mensageiro da Desgraça. Não me cativou como as outras, mas é uma boa música. Um pouco mais difícil de assimilar, assim como as outras músicas cantadas pelo Miklos. As letras dele, em geral, são mais metafóricas e reflexivas, diferente das do Sérgio, que são mais "dedo na cara" e as do Branco, que brincam sempre com contradição e descrição. República dos Bananas, terceira música do disco, é um bom exemplo. Ao longo da letra, Branco nos relata situações cotidianas das pessoas que compõem as "bundas e caras da República dos Bananas". Um ska, mais pesado que um ska comum, mas mais leve do que as duas primeiras músicas.

A quarta música do disco é uma velha conhecida dos frequentadores dos shows da banda. Fala, Renata, com uma letra incrivelmente simples, pode ser interpretada como uma crítica à futilidade das conversas das pessoas. Pesada em sua essência, tem uma seção no meio de um solinho de teclado onde a levada lembra até um, sei lá, forró. Não é das minhas preferidas, mas é legalzinha até.

Após Fala, Renata, temos a sequência de músicas que eram desconhecidas do público. Cadáver Sobre Cadáver apresenta uma parceria de Miklos com... Arnaldo Antunes na composição. Sim, até hoje a banda visita Arnaldo pra fazer umas músicas junto com ele. E se pararmos pra pensar, é a música que tem a cara dele mesmo. A letra é cheia de jogos de palavras. Confesso que não gostei muito na primeira audição, e é uma das mais "estranhas" pro meu ouvido, porque ela é bem engessada, sempre com o mesmo andamento, parecendo mais um cântico de protesto. Mas é inegável o valor crítico de sua letra.

Diferentemente das músicas do Miklos, as do Branco estão sensacionais. Retas, fáceis de assimilar, confesso que me surpreenderam. Canalha, apesar de ser apenas um cover de Walter Franco, ficou muito boa. Pesada, dá um tempo na loucura do começo do disco, por ser mais arrastada. Além disso, o teclado do Britto ficou com um quê de No Quarter, dando um toque muito afudê pra música. Forte candidata a uma das melhores do disco. E ainda bem que ela está ali, sexta música, porque logo depois vem Pedofilia.

Pedofilia tem uma pegada ao melhor estilo Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. Suja, agressiva, talvez a letra mais pesada do disco, mostrando a visão "da criança" (claro, com a interpretação do adulto sobre o depois da situação). Sem falar na ponte no meio, só baixo e o tecladinho sinistro. Logo após, temos Chegada ao Brasil (Terra à Vista). Pra quem foi no show, era só Terra à Vista. Fiel ao arranjo original, também é uma das melhores do disco. Reta, pesada e com um trava língua no refrão, que inclusive o Branco errava às vezes nos shows.

Eu Me Sinto Bem é a nona música do disco. Música que abriu os shows do Titãs Inédito, é um ska mais leve também, apesar de bem acelerado. Aqui, Sérgio critica, talvez, a comodidade das pessoas, de simplesmente se sentirem bem em não ter nada para fazer. Seguindo, Flores Pra Ela. Me lembro que quando Miklos anunciou ela no show aqui em Porto Alegre, o pessoal vibrou, achando que era Flores, e era bote. Flores Pra Ela também tem um teor bem ácido na letra. Começa levezinha no instrumental, e depois o pau come solto. E mostra uma relação patriarcal, onde ele manda e desmanda nela e ela aceita. Uma crítica ao machismo? Provavelmente. O solo do Bellotto tá bem legal nessa.

Entrando na reta final do disco, Não Pode. Sérgio, direto como sempre, criticando as supostas "regras de comportamento" na sociedade. O instrumental é muito bom, um dos melhores do disco. Senhor, que vem logo depois, critica a igreja. Tem gente que acha que a música lembra Igreja, do clássico Cabeça Dinossauro. Não vejo por esse lado. A letra é bem mais leve, encarando o lado dos medos que colocam em nossas cabeças, diferente de Nando, que já manda direto um "eu não gosto de madre/não gosto de padre/não gosto de frei". Parece uma crítica melhor construída. Baião de Dois é a penúltima música. Não gostei dela no show e continuo sem gostar muito no disco, ainda que tenham dado uma melhorada no arranjo dela. Sei lá, ela me soa meio vazia ainda. Talvez eu acabe me acostumando.

Pra fechar, Quem São os Animais?, uma música que até parece mais leve que as outras 13, mas a letra mostra um tema atual como nunca. Racismo, homofobia, preconceitos em geral, proferidos pelos ditos seres "racionais"... no fim a gente para e pensa, quem são os animais? Uma das melhores do disco também, e não lembrava que o instrumental dela era bom assim.

Fazendo um apanhado geral, Nheengatu tá mais pra um Titanomaquia com Domingo do que pra Cabeça Dinossauro com Õ Blésq Blom, como a banda disse. De Blésq esse disco não tem nada, é porrada o tempo todo. Aliás, qual não foi minha satisfação quando o Sérgio respondeu isso pra uma mina no Twitter dele. Ela perguntou se teria algo mais suave e intimista no disco e ele "não, só tem porrada".
Nheengatu é isso, é porrada, letras pra fazer a gente pensar. Digo que ele tem uma mescla de Domingo na receita porque, obviamente, algumas músicas são inferiores e talvez caiam no esquecimento, mas no geral, Titãs como não se via há muito tempo. Mesmo com metade do time, mostraram que o pulso ainda pulsa.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Especial Titãs #6: Os integrantes (Parte 2)

Hoje, como prometido, a antepenúltima postagem do especial, trazendo os membros que tocam até hoje na banda.
Esse cara abala as ppks, de tanta beleza -sqn
Paulo Miklos - O "multifacetário". Conhecido por suas caretas no palco, Miklos nasceu em 21 de Janeiro de 1959, São Paulo, capital. É o membro mais velho dos Titãs. Mais feio também. Quiçá da música brasileira em geral. Não, talvez o Milton Nascimento ganhe. Enfim.
Antes de entrar pros Titãs, Miklos também fez parte da Sossega Leão, banda que Nando Reis era percussionista. Tem dois discos solo, um homônimo, lançado em 1994, e Vou Ser Feliz e Já Volto, lançado em 2001. Além disso, já fez diversas participações como ator em novelas e filmes, e apresentava o Paulo Miklos Show entre 2012 e 2013 (inclusive se auto entrevistou, junto com os outros 3 titãs remanescentes, sobre os 25 anos do Cabeça Dinossauro). 
Miklos já tocou baixo (quando revezava com Nando as 4 cordas), sax e teclado (na época da formação clássica) e atualmente é guitarrista base. Assina na composição de alguns sucessos da banda, como Pavimentação, Miséria, Flores, entre outros. 

Assim como o Nando, foi osso achar uma foto decente
do Branco. Ele tem que parar de fazer preenchimento, na boa.
Ele tá ficando com cara de velha vesga.
Branco Mello - O "mais titã dos Titãs". Nasceu em 16 de Março de 1962, São Paulo, capital. Na formação atual da banda, é o caçula. Antigamente era o mais inútil só vocalista, mas atualmente é o baixista da banda. Conhecido por seu cabelo de urso do cabelo duro e sua voz limpa (atualmente, porque não tem mais fôlego) com sotaque forte de paulista, Branco é o cinegrafista da banda. Sempre metido na dobradinha música/filme, Branco registra momentos dos Titãs desde 1986. São mais de 100 fitas, que terminaram virando o documentário A Vida Até Parece Uma Festa. Inclusive, ele aparece filmando Bellotto durante algumas músicas no MTV Ao Vivo. 
Branco assina alguns sucessos como Sonífera Ilha, Cabeça Dinossauro, 32 Dentes, Nem Sempre se Pode Ser Deus, Tudo o Que Você Quiser, Turnê e outros. Ahh, ele também aSSAssina alguns outros sucessos de outros vocalistas atualmente, tipo Lugar Nenhum e Marvin. Mas assassina valendo.

Tony Bellotto - O "marido da Malu Mader". Ok, o apelido foi só uma zoera. Nasceu em 30 de Junho de 1960, São Paulo, capital. Antes dos Titãs, tocou com Branco e Fromer no Trio Mamão e as Mamonetes. Tony sempre foi o guitarrista solo e, junto com Fromer, formava uma dupla muito forte na composição das harmonias. Não é de se admirar que o instrumental da banda não seja tão bom hoje em dia. 
Alguns exemplos de músicas que levam seu crédito são Sonífera Ilha, Televisão, Pra Dizer Adeus, Polícia (composta inteiramente por ele), Família, Lugar Nenhum, Flores, O Pulso, Domingo, Isso, entre outras. 
Além disso, já publicou alguns livros, que foram adaptados para filmes. 

Sérgio Britto - O "bad boy". Não que os outros Titãs não quisessem parecer bad boys também, mas Sérgio era mais loco que o bátima, pelo menos no começo dos 90. Nasceu em 18 de Setembro de 1959, Rio de Janeiro, capital. É o único titã carioca. Conhecido por seu vocal gritado e agressivo, Sérgio é também o tecladista, baixista (quando Branco canta algumas músicas) e o baladeiro, afinal, Epitáfio e Enquanto Houver Sol são crias dele. Ainda assim, nem esses escorregões tiram seu mérito na banda. A maioria dos sucessos dos Titãs passam por sua mão, tipo o que o Arnaldo fazia. Go Back, Insensível, AA UU, Porrada, Bichos Escrotos,  Homem Primata, Comida, Diversão, Desordem, Lugar Nenhum, Miséria, Flores, 32 Dentes, Será que É Isso que eu Necessito?, Nem Sempre Se Pode Ser Deus, Domingo, Tudo o Que Você Quiser, Turnê, entre outros. Pode escolher.
Além disso, Sérgio tem alguns discos solo. A Minha Cara, lançado em 2000, Eu Sou 300, lançado em 2006, SP55, lançado em 2010, e Purabossanova, lançado em 2013. 

Bom, galera, por hoje era isso. Amanhã sai a resenha do belo novo disco, Nheengatu, e Quinta, a última parte do Quinta Underground, fechando o nosso especial titânico. Valeu!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Especial Titãs #5: Os integrantes (Parte 1)

Bom, depois de 3 dias sem postagem, voltei pra terminar o especial. Ainda teremos mais uma, sobre o novo disco, a segunda parte dessa aqui e o Quinta Underground, parte 2. Hoje é só uma passada rápida na carreira dos integrantes. No caso dessa postagem, os quatro que saíram. Os quatro atuais ficam pra próxima.

Arnaldo perdeu o espírito dos Titãs quando começou
a pentear o cabelo.
Arnaldo Antunes - O "louco". Criativo e irreverente, nasceu em 2 de Setembro de 1960, São Paulo, capital. Em 1978 ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, largando, posteriormente, pelos Titãs (provavelmente isso influenciou muito em suas letras). Esteve na banda no período de 1982 a 1992, contribuindo em todos os lançamentos da banda nesse período.
Alguns dos maiores sucessos da banda, apesar de não serem cantados por Arnaldo, levam seu crédito na composição. Peças como Família, Bichos Escrotos, Cabeça Dinossauro, Miséria, entre outras, até mesmo quando já não estava mais na banda, como Disneylândia, do Titanomaquia. Após 1992, voltou-se para carreira solo. Participou da turnê do Acústico com os Titãs, e até hoje participa de alguns shows. Sua saída da banda foi amigável.
Lançou em 2002, junto com Marisa Monte e Carlinhos Brown o Tribalistas, trabalho do grupo homônimo, e tem diversos livros publicados, além de já ter sido VJ.

Esclarecidas as dúvidas sobre o
guitarrista gourmet?
Marcelo Fromer - O "quieto"/o "guitarrista gourmet". Nasceu em 3 de Dezembro de 1961, São Paulo, capital. Antes de entrar nos Titãs. foi integrante do Trio Mamão e as Mamonetes, onde tocava junto com Tony Bellotto e Branco Mello. Apesar de ser o menos lembrado do grupo, Fromer tinha um papel essencial. Não só por ser o guitarrista base, mas também por ser um dos grandes responsáveis da parte da harmonia. Muitas canções de sucesso da banda levam seu crédito. Sonífera Ilha, Televisão, AA UU, Homem Primata, Comida, Desordem, Lugar Nenhum, O Pulso, entre outras que não foram sucessos. Provavelmente nunca estava lá pelas letras, mas sim pelo instrumental, que também é uma parte importantíssima da banda.
Esteve nos Titãs no período entre 1982 a 2001. Além disso, era colunista da Folha de S. Paulo junto com Nando Reis, outro são-paulino fanático, e em 1999 lançou seu livro gastronômico Você Tem Fome de Quê?. Teve sua vida abreviada após ser atropelado por um motoqueiro enquanto praticava cooper.

Foi osso achar uma foto decente do Nando.
Nando Reis - O "ruivo". Nasceu em 12 de Janeiro de 1963, São Paulo, capital. Caçula dos Titãs, era originalmente vocalista e, quando Miklos cantava, baixista. Prova disso é que só umas 4 músicas tinham o baixo tocado por ele no debut. Esse número aumentou para 8 no Televisão e, a partir do Cabeça Dinossauro, Nando virou o baixista oficial. Seu timbre característico, agudo, obriga os companheiros de banda a cantarem suas músicas, como Família e Marvin, alguns tons abaixo. Infelizmente, seu comprometimento com a banda a partir de 1992 foi muito pequeno, comparado com a carreira solo. Isso porque, diferentemente de Arnaldo, que anunciou logo quando quis sair, Nando permaneceu na banda como uma carta fora do baralho desde o Titanomaquia, de 1993, até sua saída oficial, em 2002.
A prova disso é que poucas canções (ou quase nenhuma) suas foram sucesso nos discos seguintes, diferente de Igreja, Homem Primata (que leva sua assinatura na composição), Diversão (mesmo caso de Homem Primata), entre outras. Talvez Turnê, que leva sua assinatura, e O Mundo É Bão, Sebastião! (e isso porque essa última é tocada até hoje em seus shows).
Enfim, no meio da turnê do A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, Nando largou da banda, deixando seus colegas meio putos com essa situação. Tanto é verdade, que até hoje sua relação com a banda não é tão amigável quanto a de Charles ou Arnaldo. Charles, estando 4 anos fora dos Titãs, já participou de dois shows. Nando, só de um. E isso, porque tinha show solo e não quis adiar. Atualmente, segue sua bem sucedida carreira solo com sua banda, Os Infernais, cantando suas canções extremamente românticas. Beeem parecidinho com o mesmo cara que falava "amor, quero te ver cagar" nos Titãs, não?

Policial aposentado... aushuahsuhauha
Charles Gavin - O "motor". Nasceu em 9 de Julho de 1960, São Paulo, capital. Foi o único membro dos Titãs que entrou depois do lançamento do primeiro disco. Antes, havia tocado com Ira! e RPM. Ira!, aliás, foi o destino de André Jung, o fraco batera que tocou nos Titãs entre 1982 a 1984. Charles ficou na banda de 1985 a 2010. Saiu porque já se sentia deprimido com essa rotina de discos e turnês (segundo ele, "é muito difícil envelhecer numa banda de rock"). Na real, acho que ele tava deprimido com os discos merda que a banda lançou em 2003 e 2009, porque seguiu carreira na música sem problemas.
Apesar de (como, injustamente, a maioria dos bateristas) não ser muito lembrado, Charles tinha seu estilo próprio, com rapidez, destreza e, quando necessário, sobriedade. Aliás, falando em sobriedade, ele era o caretão dos Titãs nos anos 80 e 90. Ele mesmo fala no documentário da banda "meu primeiro drink, minha primeira vodka foi com 31 anos. Antes disso era só suco de laranja". Branco respondeu "é, não sei como ele entrou na banda". xD
Além disso, Charles também era importante nas composições. Acredito que poucos sabem, mas ele compôs SOZINHO Estado Violência. Uma das melhores músicas da banda. Além disso, outros sucessos como Desordem, Lugar Nenhum, Flores, Tudo o Que Você Quiser e Turnê levam sua assinatura na composição.
Atualmente, Charles toca com o Panamericana, um supergrupo nacional que também conta com Dé Palmeira, antigo baixista do Barão Vermelho, e Dado Villa-Lobos, antigo guitarrista da Legião Urbana. Tão pra lançar um disco esse ano, com versões em português de clássicos argentinos e uruguaios. Além disso, apresenta o Som do Vinil no Canal Brasil, com discos clássicos da música nacional.

Bom, acho que era isso. Amanhã, um perfil dos membros remanescentes da banda. Além disso, ainda vai ter a segunda parte do Quinta Underground e, pra fechar o especial, resenha do disco novo. Não esqueçam de curtir a página do blog no facebook. Valeu!


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Especial Titãs #4 - Quinta Underground #22: Titãs (1ª Parte)

E o nosso especial segue, agora com um velho conhecido do blog, que anda adormecido. Como todas as bandas, o Titãs também é uma banda que tem ótimas músicas pouco lembradas. Como a história da carreira completa da banda vocês podem encontrar nas três postagens anteriores, vou direto ao ponto.

Babi Índio e Balada Para John e Yoko (1984 - Titãs)

Confesso que escolher músicas boas desconhecidas do debut da banda não é tarefa fácil. Nem o arranjo das conhecidas era decente. Todos sabem que as versões de sucesso de Marvin, Sonífera Ilha, Go Back, Toda Cor e Querem Meu Sangue são as que vieram depois, com um maior amadurecimento musical da banda. Mas tem duas músicas que até podem soar bobas, mas são legaizinhas.

Babí Índio - Mais ou menos grudenta. Além disso, Branco manda bem aqui.

Balada Para John e Yoko - A letra é uma bosta, mas vale pelo instrumental, bem fiel à original.

Pavimentação, Tudo Vai Passar, O Homem Cinza e Autonomia (1985 - Televisão)

Já aqui é mais fácil de falar alguma coisa. A banda mostrou uma bela evolução no seu segundo disco, ainda que não tivesse atingido um ponto máximo (e que pra mim também não aconteceu no Cabeça Dinossauro. A banda só ficou craque mesmo nos arranjos a partir do Jesus Não Tem Dentes). Além disso, muitas músicas desse disco ficaram paradas no tempo, ou foram tocadas até poucos anos depois do lançamento e esquecidas.

Pavimentação - Um bom exemplo do que eu disse antes. Não foi lançada em single, mas foi tocada até início dos anos 90. Hoje em dia, ninguém lembra dela. Injustiça. Já a TERRÍVEL Dona Nenê eles andaram tocando até ano passado.

Tudo Vai Passar - Pela letra, uma baladinha. Pelo instrumental, um rockzinho. Bem legalzinho.

O Homem Cinza - Uma das melhores músicas dos Titãs. Queria que o Nando tivesse tocado ela no show que ele fez aqui em Porto Alegre. Acredito que sequer tenha sido tocada ao vivo, o que é um crime. Tem uma divertida letra e um arranjo sensacional.

Autonomia - Um riff decididamente punk. A letra, sobre o dilema entre jovens, pais e a autonomia. E, de brinde, um Miklos com voz de Sérgio Britto, o que acontece às vezes em estúdio, de ambos os lados.

A Face do Destruidor, Tô Cansado e Dívidas (1986 - Cabeça Dinossauro)

É realmente difícil encontrar músicas desconhecidas num disco tocado à exaustão, por isso peguei as que foram menos tocadas até hoje ao vivo.

A Face do Destruidor - Mais como uma brincadeira mesmo, onde experimentaram uns efeitos de reverter a track instrumental e etc. Até era tocada nos anos 90 com um arranjo mais "normal", mas na turnê de 25 anos do Cabeça, eles tocaram ela como tem que ser.

Tô Cansado - Uma das três músicas do Branco no disco. Duas estão aqui, e a outra é a faixa título. Difícil entender porque não gosto tanto assim dele?

Dívidas - Pelos dados no setlist.fm, muito provavelmente ela foi pouco tocada na época do lançamento do disco e foi mais lembrada agora, quando eles tocaram o disco na íntegra. É uma boa música, é meio que um ska. Tipicamente paulista, falando de economia :D

Corações e Mentes, Infelizmente, Mentiras e Armas Pra Lutar (1987 - Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas)

Tão difícil quanto escolher as do Cabeça é escolher as desse disco. Fora os quatro hits, o resto do disco se divide em músicas que soam mais como vinhetas quase sem letra (pra quem não é fã soa como uma encheção de linguiça do caralho), e outras mais, digamos, "normais".

Corações e Mentes - Uma música que já existia antes do disco ser lançado. Era tocada na turnê do Cabeça Dinossauro e, inexplicavelmente, saiu do setlist depois do lançamento do Jesus. Com um ótimo andamento, cheia de efeitos eletrônicos, mas soando natural. Seria épico ver ela ao vivo hoje em dia.

Infelizmente - Aqui temos um exemplo das "músicas vinheta". Nando reis segura praticamente duas notas em toda a música, que dura apenas um minuto e meio. A história que Sérgio canta durante ela, porém, é interessante.

Mentiras - Cantada por Sérgio, e não por Miklos, como pensava antigamente, curta, mas pesada.

Armas Pra Lutar - Branco quase cuspindo os pulmões pra fora nessa música. Nem fudendo que eles tocam ela hoje em dia, ele não tem mais fôlego pra cantar assim.

Miséria, Racio Símio, O Camelo e o Dromedário, Palavras, Medo, Faculdade e Deus e o Diabo (1989 - Õ Blésq Blom)

Esse disco sofre do caso muito comum de uma ou duas músicas serem hits tão grandes que o resto fica ofuscado. Eu até não ia incluir Miséria aqui, por ter sido single e estar em evidência na época do acústico, mas aí eu parei pra pensar e... bom, já faz tempo pra cacete desde o acústico. Já 32 Dentes eu deixei de fora porque eles andaram tocando ela na turnê do Inédito.

Miséria - Uma Diversão aprimorada. Com letra forte, o jogo de "ping-pong" dos sintetizadores de bateria entre os lados do falante são cativantes. Os teclados, idem. Acredito que esse seja o disco mais inteligente dos Titãs em relação a letra. A parceria definitiva entre Titãs e Liminha.

Racio Símio - Cantada por Nando Reis, mostra divertidas afirmações do dia-a-dia, como "é dos carecas que elas gostam mais", "a soma do quadrado dos catetos é o quadrado da hipotenusa" e "quem come prego sabe o cu que tem".

O Camelo e o Dromedário - Uma das músicas mais zuadas da banda. Cantada por Miklos. O baixo do Nando tá sensacional aqui.

Palavras - Um jogo de palavras sobre... palavras. Coisas do Sérgio.

Medo - Reta, rápida e berrada por Arnaldo. Dá uma sensação de velocidade e claustrofobia.

Faculdade - A outra música do disco cantada por Nando. Faz um divertido jogo de palavras com vocábulos tipo o do título da música.

Deus e o Diabo - Mais uma das "maluquices eletrônicas" da banda. O solo parece uma metralhadora espacial ou algo do tipo. Mas é muito foda.

Bom, era isso. Aliás, por hoje era isso. Prometi 4 e entreguei 3. É a vida :P mas não estaria certo se o Quinta Underground saísse na sexta mais uma vez.

Especial Titãs #3: A banda (Parte 3)

Como eu disse antes, agora a coisa começa a desandar. Depois de quase 15 anos tocando, fazendo sucesso, suportando a saída de um dos principais compositores e membros da banda sem perder o prestígio, eis que os Titãs têm a ideia "genial" de fazer um acústico.

UM ACÚSTICO. O símbolo da modinha, do "se vendeu" e otras cositas más. E o Titãs vestiu a camiseta como nenhuma outra banda. Por que isso?

Simplesmente porque todas as bandas que fazem essa palhaçada esse tipo de show, vão lá, fazem o show e era isso. Charlie Brown Jr, as bandas gaúchas, o Engenheiros do Hawaii, todos eles. Menos os Titãs. A ÚNICA banda que eu conheço que fez uma "Turnê Acústico MTV" foram os Titãs. Durante final de 1996, 1997 e um pedaço de 1998, quem queria ver a banda, aquela mesma, dona de hits como Polícia, Lugar Nenhum, Bichos Escrotos, ia se decepcionar profundamente.

E uma das coisas que mais dá raiva da banda é isso. A maneira que eles trataram o Acústico. Como se não bastasse, um ano depois, em 1998, lançaram o Volume Dois, adivinhem só? Uma coletânea de regravações de hits anteriores. Apesar de conter uma versão interessante de domingo (preguiçosa como o próprio) e o já citado (na primeira postagem) rearranjo de Sonífera Ilha, é um disco dispensável. Ainda por cima, veio nesse disco o cover de É Preciso Saber Viver, que dá uma mostra de como a banda está acomodada e satisfeita com a situação, afinal, a grana segue entrando.

Titãs sem Nando: um quinteto
E é bem como diz na página da banda na wikipédia. "Novos fãs, novas críticas". Enquanto as donas de casa e mulheres em geral, atraídas por esse lado baladinha da banda, viraram fãs deles, os seus verdadeiros fãs, que queriam ver as porradas de sempre no palco, simplesmente pegaram nojo dessa fase da banda. Comigo não é diferente. Pra mim, a ordem cronológica dos discos de estúdio da banda vai até o Domingo e dali pula direto pro A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana. Mas continuando na década de 90, como se não bastassem todas essas cagadas, a banda grava o As Dez Mais, que, até a época, era o pior disco da banda, disparado. Só o cover de Aluga-se se salva.

Seguem-se mais shows entre 1999, 2000 e 2001. Eis que a banda para pra gravar o novo disco e, durante os últimos ensaios antes de entrar em estúdio pra gravar, Marcelo Fromer é atropelado por um motoqueiro e morre dois dias depois. As imagens de Marcelo no seu último ensaio com a banda, acertando as guitarras em O Mundo é Bão, Sebastião!, estão inclusive no documentário A Vida Até Parece Uma Festa.

Não é preciso ser um gênio pra imaginar que a perda de Marcelo fez muita falta pros Titãs. Primeiro, porque ele era o responsável pelas harmonias, junto com Bellotto. Segundo, porque era um irmão deles que tinha partido. É como Bellotto diz no documentário: "a gente, quando cria uma banda, tem aquela coisa do sonho juvenil, e que não envelhece nunca. Aí, quando você vê, o cara morreu, não tem mais volta.". Terceiro, a banda ficaria sem guitarrista base. E o quarto e último motivo é que a morte de Fromer, juntamente com a de Cássia Eller, alguns meses depois, seriam o "estopim", o motivo que faltava, pro Nando sair da banda, o que ocorreu em 2002, no meio da turnê do disco.

Isso representou o fim dos Titãs, como eles eram antigamente. A não ser que um dia eles voltem a tocar juntos, todos os 7 (e ainda assim com Miklos tendo que assumir uma das guitarras), aquele Titãs do octeto, com três vocalistas, enchendo o palco, não existe mais. Tudo isso por causa da morte de Fromer. Se ele estivesse vivo, muito provavelmente o Nando ainda ficaria na banda mais uns anos e talvez o Charles não tivesse saído. Na pior das hipóteses, seria um sexteto sem músicos contratados.

Mas como a vida segue, saiu em 2001 o A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. E é com profunda infelicidade que eu digo que o único sucesso do disco foi Epitáfio, e um pequeno destaque para a faixa título e Isso. A música que fez os Titãs virarem escravos dos seus fãs, pelo menos até mais ou menos 2010. Epitáfio teve um efeito tão devastador que é mais conhecida que os clássicos do Cabeça Dinossauro. E não é por ser a música que é. Com certeza é uma das letras mais bonitas sobre a vida e a banda a gravou por estar abalada com a morte do Marcelo. Só que... não é o Titãs que todos se acostumaram. Além disso, é um disco mais fraco porque deveria ter, no máximo 12 músicas. O fato de ter 16 fez entrar músicas ruins.
Pior capa da história da banda:
sim ou claro?
Em 2003 veio o Como Estão Vocês?. Sem comentários. Mais uma vez, outra baladinha foi sucesso. O "Epitáfio" da vez foi Enquanto Houver Sol, que até tema de novela foi. O resto do disco é fraco, e olha que contou com a produção do Liminha. Nem isso melhorou o disco. Dois anos depois, saiu o Ao Vivo MTV, elétrico, bem gravado, redondinho, com belos solos... porque contou com Emerson Villani na guitarra e Lee Marcucci no baixo. Aí veio mais uma turnê gigante, que já emendou numa turnê com os Paralamas e, quando se pensava que não podia piorar, sai o Sacos Plásticos, disco mais fraco da banda até hoje, e sai o Charles da banda também.

Aí veio um ponto de virada importante na história da banda. Na minha opinião, é um somatório de fatores. Primeiro que a "água bateu na bunda" quando eles viram que até o Charles saiu. Segundo que, logo depois, em 2011, o Cabeça Dinossauro completou 25 anos e ganhou aquela turnê onde foi tocado na íntegra junto com uma maioria de clássicos antigos. Ali a banda percebeu que é isso que o pessoal quer. Titãs das antigas. Parece que tudo isso fez a banda voltar pros eixos.

E a tendência do novo disco, Nheengatu, é exatamente essa. Porrada em cima de porrada e era isso. Todos esperamos que seja assim. Agora é esperar pelo disco e ver qual é.
A banda atualmente