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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Café com Nata #4: De volta, mais uma vez (ou The Bitch is Back)

Sei que muitas frases poderiam ser aplicadas a este momento. Clichês do tipo "quem é vivo sempre aparece", ou "Blog em 2022? Sério?", mas, de alguma forma, eu precisava retornar. Não sei quanto tempo isso aqui vai durar, mas espero que volte a ter alguma regularidade. 

Cinco anos e alguma coisinha depois (oficialmente, porque, extraoficialmente escrevi até 2018 no Nata, mas postando com datas retroativas), resolvi olhar para trás e perceber que isso aqui fez uma parte bem grande da minha história. Durante muito tempo persegui números, postagens, views e etc, e, coincidentemente, quando larguei tudo de mão, as views vieram (não sei bem o que causou um tráfego intenso, mas sei que aconteceu). 

Não que hoje eu ligue tanto assim pra isso, uma das vantagens de voltar alguns anos depois é uma tranquilidade e maturidade maiores. Sei que, talvez, um canal no YouTube fosse uma pedida mais interessante, no universo atual da internet, e que, se eu quisesse trabalhar com produção de conteúdo, possivelmente seria a melhor plataforma possível. 


Mas, antes de mais nada, quem fala aqui - atrás dessa página em branco virtual -, é um músico e amante de música. Atualmente, apreciador de muitos outros gêneros, além do rock, e apreciador de muitos outros subgêneros DENTRO do rock (não que antes eu não fosse, mas estou tentando sair daquela bolha dos clássicos e expandir os horizontes. E, nessa cruzada buscando expandir os horizontes, descobri e redescobri muita coisa boa, e sinto falta de escrever sobre isso. 

Sempre gostei de escrever. No já longínquo ano de 2003, na primeira série do colégio, minha turma precisava escrever um livro (na realidade, cada aluno escrevia um conto, uma história para colaborar com o livro), e, dentro deste livro, cada aluno tinha um pequeno perfil traçado: idade, time do coração, hobbies, etc. 

Adivinha o hobby de quem vos fala? Sim. Escrever. Nunca pensei em fazer isso profissionalmente, apesar de já ter pensado em algumas boas ideias que nunca foram planificadas. Talvez um dia. Enquanto isso, sigo aqui, pegando uma boa caneca de café (ou chá, dependendo do horário 😂), colocando meus fones de ouvido e resgatando um disco e o colocando para tocar, enquanto escrevo a respeito dele em um On the Charts, ou uma Resenha, ou um Show Histórico. 

Ainda estou pensando em como fazer para manter uma frequência boa e variada de postagens, por mais mínima que seja. Minhas expectativas estão baixas, se conseguir postar 50 vezes em 2022 ficarei muito satisfeito com o resultado. Mesmo que tudo aqui seja movido à paixão por música e escrita, vou tentar reestruturar o Nata para dar a ele uma carinha um pouco mais atual. 

Além disso, pretendo anunciar alguns produtos da Amazon em links dentro das postagens e também na página inicial do Nata. Caso o link seja de interesse de vocês, não hesitem em comprar (e ajudar a gente a pagar pelo menos uma conta profissional no Canva 😁). E se o link não é do interesse de vocês, mas vocês tem um de interesse, mandem para o natadorock@gmail.com, que colocamos aqui no blog para que vocês possam fazer a compra por aqui e ajudar a gente. 

Acho que por hoje era isso, a coluna era mais para dar um start na volta (porque quando assumimos um compromisso público, as coisas rolam mais fácil e aquela história toda. Vejo vocês daqui a uns dias (espero). Enquanto isso, ROCK ON!



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Café com Nata #3: Programado... para detonar

Ok, vou ser curto e grosso hoje. Já ficou bem claro que até o título da nova música do Metallica (com uma leve licença poética), lançada na última quinta feira, bem como a pegada do som, tem um marketing pesado por trás. Mas, sinceramente, eu acho louvável o que a banda se propôs a fazer. 

Pra começo de conversa, quem ainda não ouviu, que se habilite: 


Vejo que as opiniões tão bem divididas. Tem gente que achou a música uma bosta, bem como tem gente que achou que "estamos diante da melhor coisa que o Metallica fez em 25 anos". Eu, como ouvinte casual (mas nem tanto assim), mas ciente da história do Metallica, posso afirmar... MENOS, BEM MENOS. PROS DOIS CASOS. Hardwired é um belo som. Pesado, bem mixado (um há brasso pras latas de tinta do St. Anger, que NUNCA MAIS deram as caras), curto e agressivo. 

Muita gente tá metendo o pau porque é uma música que soa como mais do mesmo, picaretagem, esse tipo de coisa. Mas, sejamos justos, compará-la com coisas do Kill 'Em All e outros discos do início é sacanagem. Claro que, frente aos clássicos do início da banda, a música vai soar manjada, mais do mesmo, etc. Mas não soaria assim também se fossem aquelas composições de 8 minutos com uma seção lenta? E, sinceramente, eu acho MUITO pior a banda tentar soar épica e fazer uma música insuportável (alô, Death Magnetic, aquele abraço). No último disco, o Metallica colocou 10 músicas, mas a menor delas tinha 5 minutos. Na boa, a gente sabe que a banda meio que "perdeu a mão" nos últimos anos (e eu digo depois de 1997, porque gosto do Load e do Reload). 

Uma comparação que acho bem válida é com os Titãs. Os titânicos se perderam completamente após o bom (mas muito mais pesado que o usual) Titanomaquia. O Load é o Titanomaquia do Metallica. Depois a banda fez um disco meia boca, mas com algumas coisas boas (Domingo x Reload), um disco de covers (Garage Inc. x As Dez Mais), sofreu com uma perda (Newsted x Marcelo Fromer), fez um disco extremamente merda (Como Estão Vocês/Sacos Plásticos x St. Anger) e, aos pouquinhos, vem recuperando o respeito. 

Não coloco, nessa comparação, o Nheengatu no mesmo pé de Death Magnetic. Apesar de ser um disco cansativo, o Death Magnetic é razoável, trouxe um alívio depois da bomba que foi o St. Anger. O Nheengatu, por outro lado, mostrou uma banda bem calibrada, que acertou em cheio na volta dum som mais pesado, mas, ao mesmo tempo, mais enxuto, com uma banda menor. Nesse sentido, é cedo pra falar que o Hardwired... to Self Descruct vai ser tipo um Nheengatu pro Metallica? 

Com certeza. Só saiu uma música até agora, e que dividiu as opiniões de quem ouviu. Eu acho que tem tudo pra ser um disco mais forte que o seu antecessor, mas é cedo pra opinar. O que podemos falar é da música em si, o porquê de eu ter achado que o Metallica acertou em apostar num som curto e simples. 

Analisando objetivamente, o Metallica já é uma banda com bastante estrada, a energia dos caras não é a mesma e tals. Pra efeito da música, que tem uma batida bem acelerada, o único que sofre um pouco com essa parada da energia é o Lars. E, por incrível que pareça, gostei de ver o Lars nessa música. Vi muita gente criticando, que é uma batida simples, que a música é curta e o Lars não mostrou criatividade nenhuma. Assim... como posso explicar? 

DEIXA O LARS. Eu, como baterista, posso afirmar... Ele NÃO TEM CAPACIDADE de fazer algo diferente atualmente. Quando ele tenta inventar, como eu vi num comentário do youtube, sai alguma "merda aleatória", onde ele simplesmente tira a caixa do tempo certo e fode toda a música. Assim como foi no St. Anger. Então assim... vamos combinar que, pro efeito que a banda queria na música, a linha que o Lars criou funciona. Ele até acertou um bumbo duplo ali no final. 

Quando ao Rob não tem muito o que dizer, competente como sempre, fez uma bela linha. Kirk também não tem muito o que comentar, mas, ao contrário do Rob, de forma negativa. O solo ficou curto sim, e ele parou de solar no meio. Sei lá, o Kirk viaja às vezes. Nem vou entrar no mérito da qualidade do solo, sabemos que o forte do Kirk é o pé no Wah-Wah. 

Já Hetfield é o ponto forte da música. O riff provavelmente é dele, o que é muito bom. A letra eu achei meio simples demais, meio primitiva... pra quem está acostumado com as letras mais questionadoras e intimistas de James, soa meio tosco mesmo. Mas já que a música é simples e direta mesmo, vamos dar um desconto. Ainda mais que ele cantou muito bem, e isso temos que ressaltar... apesar da pior fase do Metallica ter sido durante o St. Anger, ao vivo a banda soou muito pior ali por 2009, 2010. Lars e Kirk estavam piores tecnicamente, James tinha perdido um pouco da potência da voz... lembro que ali o Metallica soava realmente ruim. 

O que me parece é que, atualmente, a banda se deu conta das suas limitações, seja pela idade ou pela pouca técnica. James recuperou a voz, ótimo, mas, com certeza, ele adquiriu alguma técnica ao longo dos últimos anos, para se poupar mais. Lars talvez finalmente tenha entendido que "menos é mais" (e isso se aplica MUITO no caso dele). Por esses motivos, acredito que sim, Hardwired... To Self Destruct tá, com o perdão do trocadilho, programado pra detonar. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Café com Nata #2: Epitáfio (ou Talvez o Pulso não Pulse mais)

Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando, Marcelo, Arnaldo. 
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando, Marcelo.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles, Nando.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo, Charles.
Sérgio, Branco, Tony, Paulo.
Sérgio, Branco, Tony.

Parece até um poema concreto, algo do tipo, mas essas seis linhas representam, de forma bem simples e básica, a história dos Titãs até hoje. E, por mim, poderia ter terminado nessa quinta linha hoje, pois, de poema concreto, a história tá passando mais a um dadaísmo. Desconstrução. Destruição. 

Eu, bem como todo apreciador do trabalho dos titânicos (acredito), fui pego de surpresa com a notícia da saída de Paulo Miklos da banda. Justo o Miklos? O cara mais enérgico dos Titãs? Aquele cara que entregava performances sensacionais, dedicadas, de clássicos de 30 anos, como Bichos Escrotos e Diversão? Bem, ele mesmo. Acredito que pegou a todos de surpresa. Eu era um que achava que, a partir dessa última formação, a mais enxuta de todas (a da penúltima linha, mais o baterista, Mário Fabre), a banda não diminuiria mais, iria até o fim. Pensava que, dos oito iniciais, o que havia restado era a alma da banda.

Arnaldo, para mim, sempre se achou um pouco maior que a banda, mesmo que seja um grande compositor. Nando, talvez um pouco também, e talvez os anos, a maior maturidade tenham tornado ele mais "romântico" mesmo. Charles sempre foi o deslocado dos Titãs, apesar de fechar muito com o som da banda. Charles era o caretão, o "chato", o "foda-se". Saiu da banda porque disse que "era difícil envelhecer em uma banda de rock, e estava entrando em depressão". Logo após, formou o Panamericana, com relegados de outras gigantes do rock nacional, como Dé Palmeira, baixista do Barão Vermelho e Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana. Em outras palavras, Charles encheu o saco dos Titãs e quis sair. Não precisava dar o migué de envelhecer e tals, mas enfim.

Marcelo Fromer é a exceção. Marcelo era um cara muito fechado com a banda, muito brother mesmo. Se não tivesse morrido, eu tenho quase certeza que ele ainda estaria nos Titãs. E convenhamos, Marcelo na banda só teria o que acrescentar. Era um ótimo guitarrista, não tão exuberante e técnico, mas criativo. E a não-saída de Marcelo poderia ter impacto na permanência de Nando mais uns anos, enfim. Isso é papo para outra postagem. Vamos ao que interessa.

Desde 1982, quando os Titãs ainda eram Titãs do Iê-Iê e contavam não com Charles atrás do kit, mas sim André Jung, além de Ciro Pessoa nos vocais, já são 34 anos. É muito tempo. Desde 1985, ano da entrada de Charles, mais de 30 anos também. De lá pra cá, como vocês viram nas primeiras linhas da postagem, a banda não sofreu alterações na formação, apenas diminuiu de tamanho. Ok, numa banda com 8 integrantes, perder um dos TRÊS vocalistas (sem contar Nando e Sérgio, que também cantam), como foi com a saída de Arnaldo em 1992, não foi o fim do mundo. 

Já a morte de Marcelo em 2001 mexeu bastante com a estrutura da banda. Como disse, além dele ser o segundo membro a menos dos Titãs, praticamente levou junto Nando Reis, que, abalado com a morte do amigo e de Cássia Eller, amiga muito próxima, preferiu seguir seu caminho na carreira solo, saindo da banda no ano seguinte. Esses anos, de 2003 a 2009, foram bem nebulosos, digamos assim. A banda recorreu a músicos contratados, Emerson Villani e Lee Marcucci, continuou gravando discos fracos, o ritmo continuava dissonante. Se a saída de dois membros mexeu com a banda, essa mudança foi para pior. 

Até que, em 2009, os Titãs resolveram se livrar dos músicos contratados. Branco e Sérgio começaram a revezar as linhas de baixo, dependendo de quem canta a música, e Miklos assumiu a base nas seis cordas. Sacos Plásticos, do mesmo ano, foi um disco ridículo, ok, mas os shows começaram a ficar interessantes. A formação, mais enxuta, mais coesa, funcionou melhor ao vivo. Nem a saída de Charles, no início de 2010, abalou a banda. Logo após a entrada de Fabre, começou a turnê comemorativa de 25 anos do Cabeça Dinossauro, e muitas resenhas foram positivas a respeito. Pessoal realmente esperançoso que, após mais de 10 anos nebulosos, a banda poderia ter voltado nos trilhos. 

E Nheengatu só confirmou essa previsão. Pesado, visceral, com músicas curtas e diretas, foi um grande resgate de uma banda que, no final dos anos 80, foi certamente o maior expoente do rock nacional. Acho que isso, mais do que tudo, fere um pouco o fã da banda. Esperar que o pessoal abandone o barco na pior fase possível até faz sentido. Mas a banda lançar um grande material inédito, trazer uma grande turnê e, aí sim, uma das maiores referências dentro da banda sair, é triste. Com o agravante que foi o divisor de águas, em termos numéricos. 

Miklos foi a quinta saída dos Titãs. Nada contra Beto Lee, o músico contratado da vez, nem contra Mário Fabre, grande baterista (a Bruna até tem o par de baquetas do show de 2014), mas... agora eu acho que deu. Falo isso com dor no coração, Titãs é a minha banda nacional preferida. Só que dada a resistência da banda de admitir novas caras, não podemos dizer que menos da metade dos integrantes ainda é Titãs. Uma formação enxuta, com metade dos integrantes, cada um tocando um instrumento, tava show de bola. Foi uma das melhores fases. Já três integrantes é pouco. 

Esse tratamento que a banda dá a quem a acompanha na estrada é outro fator importante. Desde 1985, Titãs são aqueles oito e fim de papo. O que vier e dividir o palco com eles é agregado. E esse tipo de atitude não me agrada tanto. Esse é um dos motivos pelos quais apoio sempre o Deep Purple, contra as viúvas, mas acharia melhor o fim dos Titãs. No caso do Purple, a banda não teve NENHUM problema de dizer que Steve Morse, americano, 10 anos mais novo que os outros integrantes, É SIM um membro da banda, apesar de todo o peso de exercer a função que, outrora, foi de Ritchie Blackmore, uma das grandes lendas da guitarra, fundador do Purple. E o cara tá há 20 anos na banda, compõe, é amigo dos caras, é, de fato, parte da banda. 

Seria tão ridículo dizer que o Deep Purple, atualmente, é apenas Gillan, Paice e Glover quanto é os Stones "não terem baixista", pois Darryl Jones é apenas um músico contratado também, mesmo tendo 23 anos de casa. Além disso, o único integrante realmente FUNDADOR do Purple, atualmente, é Paice. Ou seja, os critérios seriam uns pra quem é mais antigo e outros pra quem é mais novo? Não, a banda está sendo coerente. 
Titãs de 2014: Bellotto, Branco, Sérgio e Miklos. Ao que parece, bateristas não são necessários...

Coerência que falta pros Titãs. Charles entrou lá no longínquo ano de 1985, consta como membro original. Fabre entrou em 2010. Diferente de Villani e Marcucci, ele É essencial para a banda, pois não sobrava gente para assumir as baquetas. Pois bem, Fabre já tem 6 anos de Titãs. Gravou disco de estúdio, gravou DVD de show. É tão membro quanto os outros para entrar na estética das máscaras do Nheengatu durante o show. Então por que ele não é um membro na hora de assinar um autógrafo? De constar, na formação, como um Titã? Se a banda acha que membro oficial é apenas quem tava lá desde 1985 (e é direito deles), eu, como fã, acredito que, tendo menos da metade dos membros, esse era o momento da banda optar pelo fim. Parar por cima. Não dar oportunidade de cair no ostracismo e nas críticas novamente. 

Certamente, se a banda tiver que se reunir de novo um dia, acontecerá. Seja pelos 35 anos do Cabeça Dinossauro, em 2021, pelos 40 anos de carreira, em 2022, qualquer coisa. Mas é preferível implodir agora, que está por cima, e se deixar ter a falta sentida, para poder voltar com tudo, com todos, com vontade de fazer música e de tocar junto, do que ir minguando desse jeito, morrendo aos poucos. Todos são competentíssimos. Branco gosta da área do cinema, Tony é um bom escritor, Sérgio tem uma carreira solo interessante, não sumiriam da mídia. Seria benéfico para eles experimentar a individualidade e deixar o coletivo, o titânico, para o momento adequado. 

De qualquer jeito, a obra, imortalizada, está aí, para todo fã. Não pretendo ir a um show da banda, pelo menos com essa formação. Se soubesse que o show do dia 1º, aqui em Porto Alegre, seria um dos últimos da banda com Miklos, teria ido, certamente. Mas já que a banda não vai optar por encerrar, pelo menos por enquanto, as atividades, desejo que tenham toda a força para superar esse momento e possam nos brindar com um material tão bom quanto foi Nheengatu. Juro que venho aqui me desculpar se isso acontecer. Acho que, parafraseando a banda, " não dá pra imaginar quando é cedo ou tarde demais pra dizer adeus". Nesse caso... 

VIDA LONGA AOS TITÃS!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Café com Nata #1: The Getaway vai fazer sucesso. Mas não vai agradar muito.


Quase deixei maio em branco, mas, em algum momento, tinha que voltar. E, sinceramente, acho que a pior coisa que tem é falhar um mês inteiro num blog. Pelo menos uma postagem tinha que ter, então, vamos à ela. Esse temático novo que estreia hoje é um esquema que pretendo fazer quinzenal, talvez semanal. De preferência nas segundas feiras, que é um dia chato, pra não deixar o começo da semana passar em branco. Basicamente, a ideia é uma coluna, estilo jornal, sobre o assunto que me der na telha. Sobre alguma atualidade no rock, sobre algum motivo de discussão entre fãs (coisa nova ou antiga), enfim. Vai ser bem variado. E, como primeiro tema, aproveitei o lançamento de duas novas músicas do novo disco do Red Hot Chili Peppers, The Getaway, para falar um pouco sobre ele. Sendo assim, vamos lá.

Já vou avisando que não estou nem um pouco satisfeito com o que ouvi até agora. Preocupação seria uma palavra mais adequada, e, definitivamente, não é por intolerância, ou porque "sou viúva do Frusciante" ou "poser que curte o Californication". Os Peppers tem uma discografia riquíssima. Tenho comigo, em CD, TODOS os discos lançados após o Blood Sugar Sex Magik, e não tenho os anteriores porque nunca encontrei pra comprar. 

Mas com isso, afirmo que não tenho restrições à discografia da banda, exceto uma ou outra música em alguns discos. Mas no geral, não importa a fase, o guitarrista, a banda sempre teve um som de qualidade, com a sua pegada mais funk e sua energia característica. One Hot Minute? Baita disco. Freaky Styley? Um dos meus preferidos. Mother's Milk? Ótimo, mais pesado que o usual. Até o I'm With You teve bons momentos, apesar de algumas das B-sides terem se mostrado melhores do que músicas que entraram no disco. 

Mas o que todo mundo esperava era uma evolução natural do Josh como guitarrista da banda. Logicamente, assim como foi com o Frusciante, do cara se soltar mais no segundo disco com a banda, depois de adquirir alguma experiência liderando as seis cordas da banda. E, como o I'm With You foi um disco aceitável, e as B-sides mostraram que Josh tinha potencial, já tava todo mundo na expectativa pro novo disco. Mas até o momento, Josh decepcionou. E não está sozinho. Mais decepcionante que o Josh, nessas primeiras duas músicas, só o Chad. Logo vocês entenderão o porquê. 

Comecemos com Dark Necessities, a primeira música que foi lançada no último dia 5. No geral, foi uma música que agradou, e não achei ruim. A ideia da música é boa, Flea FINALMENTE mandou uns slaps, e é a parte mais simples da música no baixo, por incrível que pareça. Anthony tá fazendo a dele, cantando com competência, criando uma boa linha melódica no vocal, apesar de não ser um grande vocalista. Além disso, sinto uma leve influência de músicas como Venice Queen, algo a ver com o andamento, é uma música mais introspectiva, não sei. Mas me lembra algo dos idos de 2002. 

Só que param aqui os elogios. Por outro lado, acho que Flea exagerou no piano, pra mais, e Josh na guitarra, pra menos. Apesar de ser um som mais introspectivo, melódico e tals, não precisava ter tão pouca guitarra. O sentimento é que falta alguma coisa, que o som tá incompleto. E, acima da guitarra, do funk, falta energia, falta vida nesse som. É uma boa ideia, mas a bateria eletrônica do Chad CAGOU a música. E, na real, ele fez uma mistura de bateria eletrônica com acústica. Desnecessário... lembro dos momentos mais acomodados de Roger Taylor no Queen quando penso nessa mistura. Chad é um grande baterista, tem um feeling sensacional. Com certeza apenas uma linha de bateria acústica, com mais prato de condução (e mais volume durante o refrão), seria mais do que o suficiente para enriquecer a música. Infelizmente, a bateria eletrônica mecanizou o som. 



Mas, sinceramente, perto da faixa título, The Getaway, Dark Necessities parece uma Under the Bridge, algo do tipo. The Getaway é RIDÍCULA. Se antes falávamos de uma música que, apesar de ser bem construída, sofreu com alguns erros, agora falamos de uma música que mais parece uma demo (inclusive perguntaram isso no youtube da banda). Aqui, Flea toca com feeling, mas é um baixo simples, Anthony faz o arroz com feijão também e Josh até faz um trabalho interessante, apesar dos muitos efeitos. Até poderia virar uma daquelas músicas que eventualmente entram no setlist, que são legais de ouvir às vezes, sem prestar muita atenção. 

Mas aí chegou o Chad, DE NOVO, e dessa vez simplesmente enfiou uma linha feita com drum machine na música. Não, não tem linha acústica, não tem trabalho braçal, humano. Tem um drum machine. Essa música me lembrou dos momentos mais constrangedores do U2, com o fraquíssimo Pop, e os momentos menos inspirados do Queen, com discos como The Works e A Kind of Magic. Drum machine, no rock, no século 21, NÃO DÁ. Simples. A música parece que não vai a lugar nenhum. São 4 minutos nos quais tu simplesmente não te empolga, em momento algum. A música não muda, não cresce, não joga com luz e sombra. No final, a banda até entra meio que numa outro, com uma melodia diferente. MAS O MALDITO DO DRUM MACHINE SEGUE IGUAL. E essa música me preocupou bastante. Pelo menos quem é realmente viúva do Frusciante deve ter curtido, afinal, é exatamente esse som que ele anda fazendo nos discos do Trickfinger.



Espero profundamente que, como de costume, esses singles sejam o pastiche mais comercial e pop do disco, e que possamos encontrar, pelo menos, algumas pérolas escondidas no disco. Mas não sei se foi a troca de produtor (e o Danger Mouse, produtor que assina o disco com a banda, é notadamente mais novo e voltado para um som mais pop), a preguiça, sei lá, mas o Chad tá preocupante nesse disco. E, se esperávamos por um disco um pouco mais pesado, mais solto, acredito que já podemos pagar a aposta, pois parece que perdemos. 

A amostragem, até agora, foi muito ruim (talvez medíocre defina melhor, considerando que Dark Necessities ainda tem alguma virtude). Mas a esperança é a última que morre. Assim, a minha palavra definitiva sobre o disco só vai surgir depois do dia 17 de junho, data que o disco será lançado. Ahh, pelo menos a capa tá bem maneira, a mais criativa desde o By The Way, no mínimo.