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sábado, 10 de setembro de 2016

On the Charts #29: Os 20 anos do Test for Echo

Sim, meus gamigos, depois de mais de um ano sem esse tradicional quadro, voltou o On the Charts. E voltou com esse disco, que é (o melhor do mundo e) um dos melhores do Rush, na minha humilde opinião. Não sei se já cheguei a falar sobre isso por aqui, mas um dos critérios para o disco ganhar um On the Charts, além de eu conhecê-lo bem, é ele completar, no mínimo, 20 anos. Entretanto, raros foram os discos que, com 20 anos de vida, ganharam On the Charts. Dois que posso me lembrar são o Nevermind, do Nirvana, e o Blood Sugar Sex Magik, dos Peppers (que na real ganhou mais foi uma nota, esses dois ainda merecem um On the Charts digno). Mas vamos ao que interessa
Serigrafia do CD remaster de 2007

Test for Echo é o décimo sexto disco de estúdio (da melhor coisa que o Canadá já nos ofereceu) do Rush. Lançado em 10 de setembro de 1996, apesar de ser um dos discos mais acessíveis do trio canadense, é também mais uma mudança no som da banda, além de, infelizmente, carregar o peso do trauma do baterista Neil Peart e ter sido absolutamente esquecido e ignorado nas últimas três turnês. E, para entender um pouco disso tudo, voltamos no tempo.

O Rush, que nunca foi uma banda de repetir o mesmo som por mais de dois ou três discos, lançou, em 1984, o Grace Under Pressure, que iniciou a fase da tecladeira. Fase essa que perdurou até 1987, impregnando o som de Power Windows, lançado em 1985, e de Hold Your Fire, de 1987. Quem viu o documentário Beyond the Lighted Stage (que pretendo falar sobre um dia também), sabe que isso, de certa forma, “incomodou” um pouco o guitarrista Alex Lifeson, já que o som da banda se tornou completamente dominado pelos teclados.

Serigrafia do CD original, de 1996
Então, em 1989, vem Presto, seguido por Roll the Bones em 1991, dois discos com sonoridade muito parecida. Aqui, mais do que nunca, o Rush passou a se tornar acessível. Músicas, em sua maioria, de 4 minutos, acordes abertos, refrões fortes, mas ainda faltava alguma coisa, tanto que a própria banda, a exemplo da crítica, considera o disco um tanto quanto vazio. Talvez seja a afinação da bateria e o timbre da guitarra, um tanto quanto oitentista, mas o que ocorreu foi que, mais uma vez, o Rush partiu pra outro som.

Em 1993, veio Counterparts. Muito mais pesado, com a volta de uma guitarra mais forte, foi muito aclamado pelos fãs. Mas, dessa vez, foi a vez de Neil Peart querer mudar. Segundo ele, o estilo de tocar bateria dele tava muito oitentista, onde ele era plenamente capaz de manter uma batida padrão, com perfeição no tempo e na execução, mas não tinha dinâmica.

Assim, ele tomou lições (sim, Neil Peart fazendo aulas de bateria) com o guru do jazz Freddy Gruber. Claramente a técnica dele mudou para esse disco, tanto que, além dele começar a usar mais seguidamente o prato de condução, no seu DVD A Work in Progress, onde ele regravou (ao vivasso) algumas das linhas das músicas do Test for Echo, a pegada que ele tava usando era a tradicional (e nos shows até mesmo da turnê do Vapor Trails, seis anos depois, nas músicas do T4E ele ainda usava traditional grip).
Sobre as músicas em si, abrimos o disco com a faixa título. Maior música do disco, tem tudo que eu citei antes, logo de cara. Neil Peart com muito prato de condução, um começo cativante, Alex Lifeson voltando à frente do som, e, algo que não citei antes, Geddy Lee mostrando que a experiência, além da idade, fizeram bem pra sua voz. A partir do Presto, o vocal dele passou a ser MUITO bom, adequado para as melodias das músicas, não mais aquela coisa de querer mostrar que sempre podia gritar mais agudo (não que não fosse legal, mas tinha passado o tempo).

Test for Echo é uma boa música porque, apesar de ter seções bem definidas, que se alternam durante seus quase seis minutos, essas seções são claramente baseadas no jogo de luz e sombra que só quem tem um grande feeling é capaz de fazer. Ahh, e o solo do Lifeson é curtinho, mas é tri. Sem falar na virada sensacional do Peart logo depois.

A segunda música é Driven. Uma das mais tocadas desse disco em shows (quem foi nos shows do Rush no Brasil teve a sorte de vê-la ao vivo), agita um pouco mais as coisas, com o riff de guitarra mais pesado e o andamento mais intrincado, típico do Rush, mas sem ignorar os momentos mais leves, como o pré refrão, algo a la Nobody’s Hero. Obviamente, aqui, o destaque absoluto é a performance de Geddy Lee, com direito a solo de baixo, que ele sempre improvisava ao vivo.

Half the World, a terceira música, apesar de ser bem comum, do ponto de vista do Rush, sempre foi uma das minhas preferidas do disco, porém, sou suspeito pra falar, era uma das que eu mais via o Neil Peart tocar no A Work in Progress, sei nota por nota na bateria. Mas, mesmo assim, fazendo uma análise imparcial, apesar de não ter nada muito absurdo de performance, é o tipo de música boa pro meio do disco. Relativamente curta (tem menos de quatro minutos), não deixa de ter uma virada aqui e ali, momentos de troca de tempo, mas mostra que a banda soube explorar o potencial e, ao mesmo tempo, provar que entende de pop, digamos assim. E, mais perto do final, tem um troço, meio mandolin, que o Lifeson toca na estrofe, que tem um som muito próximo do bouzouki, instrumento com o qual ele faz o solo de Workin’ Them Angels, do Snakes and Arrows.


Seguindo, temos The Color of Right. Com uma introdução poderosa, que é a mesma progressão do refrão, é outra música que me cativa, principalmente pela letra, uma das melhores do disco (e o truquezinho que o Peart faz pra virar a baqueta, quando para de conduzir no aro e volta pra caixa xD). Pra outros fãs de Rush, pode ser uma música comum, mas eu valorizo muito o refrão forte dessa música, e essa coisa da progressão do refrão ser mais sinistra enquanto a do pré refrão é reflexiva, mais um desabafo.

Se tem alguma música que lembra um pouco o Rush das antigas é Time and Motion. Confesso que não é das minhas preferidas, mas tem um instrumental beeeem sinistro e uma coisa meio circular, meio metida a progressivo, e a linha vocal do Geddy é sensacional. O interessante é que ela corta completamente o clima das primeiras quatro músicas, por ser mais pesada, mais sinistrona. Um destaque é a seção do meio, que mistura uma guitarra pesadíssima com uma outra com efeitos diferentes e calcada nas notas mais agudas, um jogo de pergunta e resposta sensacional.


A música seguinte é Totem, e bem diferente da sua antecessora, tem um clima de felicidade que perpassa por todos os seus quase cinco minutos. Não ouvia tanto ela, mas depois admiti que é um belo som, com outro bom refrão, e tem muito da pegada do Rush do Snakes and Arrows, na minha opinião. E posso afirmar que, apesar de novamente ser um solo curto, é um dos melhores do disco, além do pós solo, que Lifeson usa os harmônicos, dando aquela nostalgia (Red Barchetta, aquele abraço).

Dog Years, a sétima música, já foi mais agradável aos meus ouvidos. Gosto dela ainda, é claro, mas comparada às outras, acho que é uma das mais fracas, ou “menos fortes” do disco. Muita gente que curte Rush acha que essa letra é lamentável, comparada ao que o Peart já escreveu pra banda. Realmente, tem melhores, tanto de letra quanto da música em si, mas é uma música que dá pra ouvir bem de boas.

Mas, se tem um lado bom de Dog Years ser fraquinha, é que enaltece ainda mais Virtuality, a oitava música. Ao melhor estilo do Rush, com jogo de luz e sombra, um riff dos mais fortes do disco, a mescla com seções com uma pegada meio dance, uma letra decididamente mais interessante, sobre tecnologia e tals, e, pra mim, o maior destaque, a bateria genial do Peart, a melhor do disco. Vou inclusive deixar o vídeo abaixo, para que entendam do que estou falando.


E, como se já não fosse o bastante uma música mais pesada ser uma das melhores do disco, vem Resist, praticamente um poema que o Neil Peart. Definitivamente a melhor letra do disco, e uma das melhores do Rush, transformada em uma balada daquelas pras pedras chorarem. Com uma bateria simples, mas sem abrir mão de algumas características típicas do velho Neil, violão, piano, e, quando a guitarra entra pesada é pra contribuir com o clima da música. Perfeita, em todos os sentidos, principalmente no break, onde ficamos apenas com Geddy e alguns acordes de violão. E isso que essa é a versão de estúdio, ao vivo, na turnê do Vapor Trails, eles refizeram ela, uma versão apenas acústica, Geddy e Lifeson, dois violões e voz.


A penúltima música é Limbo, uma instrumental. Gosto bastante dela, principalmente porque Geddy, como de costume, espanca o baixo com maestria, mas acho que cinco minutos e meio foram um pouco de exagero deles. Se ela tivesse os quatro minutos de Leave That Thing Alone, seria mais apropriado. Perto do final, ela se torna muito repetitiva. Mas mesmo assim, é uma música interessante, com Geddy usando sua voz como um instrumento e a banda, como de costume, entregando um trabalho competente nos instrumentos. Peart, aliás, manda uma virada sensacional lá pelo meio da música, onde para tudo voltamos ao clima do início.

Sobre Carve Away the Stone, não tenho muito o que opinar. Nunca fui muito fã dela e até hoje continuo não sendo. Por mim, inclusive, o disco poderia terminar em Limbo, fechando 10 músicas. Talvez seja como Totem ou Time and Motion, que eu ainda não ouvi ou prestei atenção suficiente, mas acho que a banda poderia, se não tirá-la do disco, escolher uma música mais apropriada pro final. Apesar disso, não é uma música ruim, coisa que acredito não ter visto o Rush fazer ainda (se bem que tem Grand Designs e Madrigal).


        Por hoje é isso. Test for Echo, baita disco, complementado por uma bela capa e encarte, e mesmo pra quem torce o nariz um pouco pro que o Rush fez depois dos anos 80, duvido que com um pouco de paciência e boa vontade vocês não se rendam a esse disco e outros dos anos 90 e 2000. 

sábado, 28 de novembro de 2015

Quando palavras não são necessárias...26

Resolvi voltar antes do fim do mês, mas coisa rápida, tenho duas provas segunda e uma na terça. Aí sim, depois vai ter acabado quase tudo, vou poder fazer o planejamento de dezembro, os seguintes, pro começo de 2016, e vambora :D



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Uns minutos de sua atenção, por favor #5: 2112





Bom, depois de alguma enrolação, finalmente estamos aqui para voltar com os épicos. E, de cara, falando dessa maravilha. Só, antes, peço desculpas por atrasar uns dias essa postagem, mas não é nada que influencie muito no planejamento do mês. Tanto que, até agora, não tivemos mais do que dois dias sem uma postagem. Considerando os meses anteriores, onde tivemos, por exemplo, 2 postagens em 14 dias, isso é uma vitória, e os números refletem isso. Bem, como não estamos aqui pra discutir os números do blog em abril (não ainda, pelo menos), vamos ao que interessa.

2112 é a faixa de abertura do álbum homônimo, o quarto de estúdio do Rush, lançado em 1976. Ocupando o lado A inteiro do disco, seus 22 minutos nos fazem viajar, uma imersão na atmosfera da história criada por Peart e ilustrada com a música de Lee e Lifeson. E, apesar de ter toda essa atmosfera anti comercial, foi um sucesso na época, pelo menos no meio dos ouvintes (a crítica que se foda). Fruto da teimosia da banda, verdade seja dita. Após o lançamento de Caress of Steel - e a repercussão um tanto quanto negativa do disco, por suas músicas longas, de 12 e 20 minutos, e seu pouco potencial comercial - os empresários queriam um som mais direto, que pudesse ser comercializado mais facilmente, músicas curtas, esse tipo de coisa. Eis que a banda resolveu bater o pé e entregou esse disco à gravadora. Eles mesmos falam, hoje em dia, que essa ousadia poderia ter custado a continuidade da banda, mas, se fosse para o Rush acabar, seria por convicção deles, fazendo a música que eles tinham em mente. No final, podemos dizer que essa perseverança teve sua recompensa.

Iniciamos nossa viagem de sete paradas com Overture. Uma das sequências mais emblemáticas da história da banda (e do rock também, por que não?), seus primeiros 40 segundos são apenas uma introdução do que vem por aí... um vento, a expectativa, e lá vem a banda. Aquela velha sequência de acordes de Lifeson, seguida por Lee e Peart com maestria. Duas voltas, uma com a guitarra normal e outra com chorus. Logo após temos aquele solinho, seguido pelo resto da banda da mesma maneira que o início da música, e Peart entra pra valer, com aquela levada clássica nos tons, além de ouvirmos a voz de Geddy como outro instrumento, apenas em vocalizações. Depois disso, mais uma quebrada, agora Lifeson manda mais duas sequências de acordes diferentes e, lá pelos três minutos, chegamos ao solo. São quatro voltas de um andamento mais calmo, enquanto Lifeson manda um daqueles solos que só ele sabe fazer. Depois disso, a banda entra naquela seção famosa da música, que Alex brinca com a plateia ao vivo. Ele manda quase todo o riff e deixa o último acorde pra galera gritar. E, para encerrar a primeira parte, ao final dessa última sequência, voltamos aos três acordes lá do início (dó, sol e ré), que fecharam a sequência inicial. Eles também finalizam a primeira parte da música, seguidos de um mi, repetido 5 vezes, e um trovão/explosão. Então Geddy canta a única linha de letra dessa primeira parte, "And the meek shall inherit the Earth", e entramos em The Temples of Syrinx.

Olhando essa minha descrição ou ouvindo a música pela primeira vez, essa primeira parte parece impossivelmente complexa. Eu também achava isso antigamente, mas, depois que tu te acostuma, tu sabe cada sequência que vem depois. Quando eu vou fazer um som com a gurizada da minha banda, sempre rola uma brincadeira com Overture, e sempre sai direitinho. No próprio documentário do Rush, Beyond the Lighted Stage, músicos que sempre foram fãs da banda falam que era uma música incrivelmente simples, mas o que tornava ela tão mítica era a ousadia e a grandiosidade da composição. Bem, vamos continuar a viagem.

Próxima parada, The Temples of Syrinx. Uma das partes mais curtas da suíte, mas uma das mais conhecidas também. Isso porque geralmente ela e sua antecessora são as únicas partes tocadas ao vivo pela banda nas turnês mais recentes (até, na turnê do Clockwork Angels, o Gran Finale foi tocado, mas normalmente isso não ocorre). A banda já entra nessa parte quebrando tudo, aquela sequência de acordes lá do início volta, Peart sempre fazendo magia com as mãos, no final de cada volta. Geddy entra gritando a letra, nos apresentando a sociedade da música. Basicamente, uma sociedade manipulada, como a do 1984, mas em vez do Big Brother, aqui temos os sacerdotes do Templo de Syrinx, controlando "as palavras que vocês ouvem, as músicas que vocês cantam" e defendem que "é um por todos e todos por um, mas sem perguntar como ou por quê". No refrão, a clássica frase "We are the priests of the Temples of Syrinx", seguida de coisas como "todas as dádivas da vida são mantidas dentro de nossas muralhas".

Na segunda estrofe, pode-se encontrar talvez uma crítica ao comunismo, não sei bem dizer. Frases como "Olhe o mundo que fizemos, igualdade é o nosso lema" e "segure a Estrela Vermelha orgulhosamente no alto" podem dar a entender isso, que há uma suposta igualdade, mas quem governa tem conhecimento de outras situações escondidas do povo em geral, configurando uma manipulação. Vale lembrar que em 1976 ainda estávamos no contexto da Guerra Fria e que, como foi dito pelo próprio compositor da letra, uma das inspirações de Peart para criar a história foi Ayn Rand. Pra quem não tá ligado, google it.

E, após o segundo refrão, terminamos The Temples of Syrinx com um dedilhado no violão. A partir daqui, as sequências de luz e sombra da música ficam muito mais pronunciadas. Começando por Discovery, a seção seguinte. É uma das minhas preferidas, por todo o contexto que ela traz consigo. Começamos ela com um som de água corrente e alguns toques nas cordas de uma guitarra. Nesse momento, eu sempre me perguntava "que porra é essa, o Lifeson tá afinando a guitarra no meio da música?". A resposta é SIM. E, quando eu descobri o porquê, eu fiquei boquiaberto, na real. Digamos que isso é a demonstração mais clara que posso conceber de metalinguagem em uma música.

Versão deluxe do disco
Por que isso? Bom, no documentário sobre a criação desse disco, a banda explica o motivo dessa parte da canção. Basicamente, o protagonista da história, nesse momento, chega em uma caverna (captou o porquê do som da água correndo? Então, ainda vai ficar mais mindblowing). Eis que o nosso herói encontra uma guitarra escondida na caverna. Adivinha só qual é a primeira coisa que ele faz ao encontrar a guitarra? Sim, ele afina ela. Ou seja, a metalinguagem da coisa tá justamente aí, no fato de, durante a música, a história contar que alguém entrou numa caverna, encontrou uma guitarra e afinou ela - sendo que a afinação da guitarra na música é simplesmente Lifeson afinando sua guitarra. A partir daí, as duas músicas "se encontram", porque a composição do Rush, nesse momento, passa a ser o belo som que o protagonista tira da guitarra, na caverna. E quando eu digo belo, é belo mesmo, é o primeiro momento que tu sente uma alegria na representação da banda, o nome Discovery não poderia ser mais apropriado.

Nesse momento, o protagonista está maravilhado com sua descoberta, experimentando vários acordes e fazendo várias reflexões sobre isso, primeiro descrevendo o instrumento, comparando seu som com sons da natureza, as sensações que esses sons transmitem, tudo com um fundo de alegria, de felicidade. Ao final dessa parte, ele fala sobre a ansiedade de compartilhar essa descoberta, como as pessoas ficariam felizes de "ver essa luz" e terem a chance de fazer sua própria música, e como os sacerdotes louvariam seu nome naquela noite.

Mas não é bem assim que funciona naquela sociedade. A volta um tanto quanto abrupta do peso à música já nos indica que estamos entrando em uma nova seção, Presentation. Instrumentalmente, é uma das partes mais ricas da música, jogando muito com essa coisa de pergunta e resposta (Geddy soa sensacional no baixo, a propósito). E como funciona isso? Bem, primeiro temos uma estrofe leve, Geddy canta suavemente falando sobre a razão dele ir diretamente até os sacerdotes - algo bem unusual. Ele fala que encontrou essa maravilha antiga e queria mostrá-la a eles, que ouvissem a sua música, pois "aqui há algo mais forte que a vida, irá tocar vocês". Ingênuo, o protagonista não percebe que não é bem esse o interesse deles.

Para a resposta dos sacerdotes, seca e áspera, entra o peso novamente e Geddy grita, em um tom altíssimo. "Já conhecemos, não é nada novo, apenas uma perda de tempo. Não precisamos de coisas antigas, nosso mundo vai bem" é a resposta ouvida. Nessa parte mais pesada é que Peart simplesmente quebra tudo, sensacional a variedade de viradas e etc que ele faz aqui. Geddy insiste mais uma vez, não acredita no que os sacerdotes dizem, insiste mais uma vez para que eles ouçam sua música, mas ouve simplesmente que não deve incomodar novamente os sacerdotes, eles têm mais o que fazer. Para o final dessa seção, uma volta de um dos riffs das partes anteriores, um solo sensacional de Lifeson e, é claro, Peart e Lee quebrando tudo na cozinha.

Oracle: The Dream é a quinta parte. Mais curta da suíte, com apenas dois minutos, é também a menos lembrada. Foi tocada ao vivo apenas na turnê do Test For Echo. Por tabela, isso significa que 2112 foi ter a sua primeira versão completa ao vivo apenas 20 anos depois de seu lançamento. É uma pena, pois é uma seção que não fica devendo nada para as outras. Inicialmente, temos um efeito mais "espacial" na guitarra de Lifeson e Geddy canta a primeira estrofe, falando sobre o fato de estar voltando pra casa e ter caído no sono no meio da rua. Peart entra, e a banda segue o instrumental conforme as linhas vocais vão aparecendo. Aqui o protagonista descreve seu sonho, onde um oráculo lhe mostrava um futuro, onde a raça antiga voltaria para romper com os Templos (basicamente, romper com essa sociedade manipulatória que se estabeleceu).

Vinil do relançamento com o holograma. 
Eis que chegamos em Soliloquy, penúltima parte. O barulho da água volta, como em Presentation, acompanhado apenas de Lifeson e Geddy. Aqui, o protagonista reflete sobre seu sonho. Aquelas belas imagens, de um mundo diferente do que vivia, ainda estão frescas em sua memória, e ele não queria voltar à realidade que o cerca. Essa parte da música é um belo indicativo do que vai acontecer no final. Na segunda estrofe, Geddy sobe o tom para um altíssimo agudo, além de contar com a entrada de Peart na música. Depois da segunda estrofe, temos um belíssimo solo de Lifeson, mais duas linhas de vocal e entramos no Gran Finale.

A última parte é iniciada por Lifeson, puxando mais um de seus grandes riffs, Peart segue em uma batida mais reta e essa tendência segue por quase um minuto, até que o break anuncia o último riff da música, aquele que a banda fica duelando entre si durante várias voltas, com inúmeras viradas de Peart. A "tensão" vai aumentando gradativamente até que chegamos ao final da última parte, onde, após uma progressão de acordes, a banda quebra tudo em um big ending, enquanto soa ao fundo a clássica frase "attention, all planets of the Solar Federation. We have assumed control". E assim termina essa obra-prima.

Foto de uma das partes
da história em quadrinhos de 2112.
Como nem mesmo a banda acreditava no tamanho do sucesso que 2112 faria, na época foi um lançamento comum. Com o passar dos anos, e a percepção de que 2112 é um disco especial, muito querido pelos fãs, a banda caprichou em alguns relançamentos. Um dos últimos, que Geddy até fez propaganda no That Metal Show, conta com história em quadrinhos da suíte, vinil que mostra um holograma quando está rodando, enfim, o capricho que um clássico desses merecia desde o início.

E, uma última opinião sobre a música é que... mesmo sendo batido, é necessário dizer que 2112 é uma música que nasceu clássica. Toda a sua composição, meticulosamente calculada, os efeitos, a imersão na história. Arrisco dizer que, se fosse lançada em CD, num ousado projeto de disco de uma música só, não seria cansativo. Até mesmo porque o Rush sempre soube fazer músicas muito longas com maestria. E, por incrível que pareça, 2112 parece passar muito rápido a partir de pouco mais de sua metade. Até a sua quarta parte a história transcorre de maneira fluida. A partir da quinta, tenho a impressão que a banda poderia até mesmo ter alongado a suíte em alguns minutos. Mas assim já tá maravilhoso. Peço agora mais 20 minutos de sua atenção (se é que não estão nesse momento ouvindo a música enquanto leem a postagem)... com vocês, 2112!


domingo, 22 de março de 2015

On the Charts #20: Os 40 anos do Fly By Night
























Pois é, ainda estamos tirando os atrasos do início do ano. Depois de cobrir os discos de 2014 e de janeiro desse ano, chegamos em fevereiro. Além desse, nos próximos dias vai sair um On the Charts do Physical Graffiti, do Led Zeppelin, que também foi lançado em fevereiro. Mas o dia de hoje é, de novo, do Rush, então vamos lá. 

Fly By Night é o segundo disco de estúdio do Rush. Lançado em 15 de fevereiro de 1975, é a primeira guinada do Rush em direção à sonoridade que o consagraria, ainda que a mudança seja sutil. Vários são os fatores para isso. Primeiro, a mudança na formação. Sai John Rutsey, entra Neil Peart. E, convenhamos, não foi só pela questão da saúde de Rutsey. John era realmente limitado, e o som da banda acabava ficando aquém do que poderia ser. Claro que o debut da banda é simplesmente genial (o On the Charts dele ficou por conta do Leão, quem quiser dar uma conferida, só clicar aqui), afinal, ser definido como "um novo Zeppelin" não é pouca merda, e, duvido que com Peart atrás do kit, a banda pudesse fazer algo tão cru e "simples" como In the Mood ou até mesmo Working Man. Tudo na história do Rush tem uma razão, e ser privado de um debut como esse seria algo, no mínimo, broxante. 

Segundo, o próprio amadurecimento musical de Lee e Lifeson. Os dois já mostravam grande potencial e técnica no primeiro disco, mas, com a chegada de Peart, a compatibilidade da banda ficou muito mais apurada. Assim, a dupla sabia que podia contar com um baterista extremamente sólido e preciso atrás do kit, podendo exagerar o quanto quisesse nas trocas de tempo e complexidades em geral. Por isso, Fly By Night soa híbrido. Em alguns momentos, parece que estamos ouvindo uma versão mais sólida do debut. Em outros, uma versão simplificada de Caress of Steel ou 2112. Logicamente, isso só foi possível porque a entrada de Peart se deu duas semanas depois do início da turnê em 1974, ou seja, o tempo para a formação nova se entrosar foi mais que suficiente. 

Isso fica evidente logo no começo do disco. Anthem, a música mais megaputaqueparivelmente impossível de se reproduzir na bateria. 30 segundos ouvindo o novo disco e já dava pra notar que Peart veio para elevar a coisa a outro nível. Somemos isso ao baixo de Lee, sempre marcante, além de seus altíssimos agudos, tão memoráveis quanto irritantes (em alguns momentos), e Lifeson com seu clássico estilo de "riff de acordes". Música que nasceu clássica, teve um bom pedaço reproduzido na R30 Overture, da turnê de 2004. Uma abertura de 10 minutos, onde músicas dos primeiros 6 discos montaram uma medley simplesmente sensacional. E a banda não decepcionou, mesmo com 30 anos a mais nas costas. Interessante ressaltar o solo de Lifeson, bem mais rock'n roll do que o normal. Uma herança do primeiro disco, certamente. 

Se Anthem começa assim, complexa, Best I Can, segunda música, vem pra dar uma lembrada no disco anterior. Nada fora do esperado, afinal, é uma música da época de Rutsey (foi até tocada ao vivo com a primeira formação, aqui, por exemplo). Uma das melhores da bolacha, sem dúvida. Riff marcante, extremamente simples, um rockzão mais simples mesmo. Seguindo, temos Beneath, Between and Behind. Um andamento mais intrincado, uma letra reflexiva, como de costume, e uma linha vocal que segue a guitarra e bateria, no refrão, algo raro nas músicas do Rush. Como se não bastasse tudo isso (em pouco mais de 2 minutos), no final temos uma passagem mais funky, trabalho sensacional de abertura de hihat, cortesia de Mr. Peart. 

Eis que chegamos a By-Tor and the Snow Dog, pra fechar o lado A. Bem, fora o fato de falar que a letra fala sobre uma "batalha" entre as duas figuras que nomeiam a música, a letra em si que se foda. O que interessa é justamente essa batalha, protagonizada pelos instrumentos. Temos aqui a primeira evidência fortíssima do que o Rush estava virando. Uma música que, depois de suas duas primeiras estrofes, deixa o pau comer solto durante vários minutos, para retomar a letra lá no final. E como isso acontece? Bem, logo após os primeiros 2 minutos, temos o solo de Lifeson, onde ele faz um uso grande de "guinchos" em sua guitarra, simulando essa batalha. Após um tempo na mesma, entra um riff de guitarra repetido algumas vezes por Lifeson, seguido por Lee e Peart algumas vezes também. Depois disso, entramos em uma sequência de duelos entre guitarra/baixo e bateria, até chegarmos àquela regressão clássica nos compassos. Primeiro, seis marcações. Depois cinco, quatro, três, duas, até finalmente chegarmos em um longo acorde. 

Nesse momento, já estamos em cinco minutos de música, e, depois daquele grande jogo de luz e "barulho" de antes, um pouco de sombra. Teclado, efeitos de guitarra, batidas mais despretensiosas de Peart na caixa. Eis que um longo rufo, seguido de uma virada, puxa a próxima seção da música: um solo de Lifeson, com uma influência bem grande, eu diria, no blues. Aqui, Lee e Peart fazem apenas uma marcação simples e quem realmente brilha é Alex. Isso até que, depois de algumas voltas de solo, os três se sincronizam novamente em uma sequência de notas que puxa, novamente, o andamento do começo, onde Lee narra sobre o fim da luta, onde Snow Dog venceu. Na real, os vencedores são os ouvintes, presenteados com oito minutos e meio de pura genialidade. 

Depois desse momento mindblowing, a faixa título vem pra abrir o Lado B e acalmar um pouco as coisas. Sempre foi uma das minhas preferidas. Simples, mas cativante, com sua belíssima letra sobre mudanças, novos ares, a guitarra de Lifeson mais limpa do que nas músicas anteriores, fazendo um trabalho muito mais calcado na base. É mais uma daquelas músicas que nos lembra do primeiro disco, principalmente pelo solo de Alex. 

Mantendo esse ambiente mais "balada" do lado B, temos Making Memories. Confesso que sempre achei ela e Rivendell, a música seguinte, meio inertes ao disco, não fedem nem cheiram e tal. Mas elas têm o seu valor. Em Making Memories, o violão de Lifeson, o slide, o vocal mais contido de Geddy, a própria bateria mais contida de Peart, tudo isso contribui para presenciarmos uma atmosfera meio rara em uma música do Rush. E essa tendência se mantém em Rivendell. Ao som de voz e violão, apenas, Lee e Lifeson despejam nas caixas de som uma das melodias mais bonitas que eu já ouvi. Sem falar na contribuição de Peart para a música (para todo o disco, na real), com sua letra. 

Para encerrar essa obra prima, In the End. Mais uma música que começa com violão, voz e, aqui, com a adição de baixo e leves intervenções de Peart, nos pratos. Mas apenas até os dois minutos, depois disso Lifeson liga a distorção da guitarra e a música, que já tava bem encaminhada, vira uma power ballad. In the End era tida como única na discografia da banda, singular e tal. 38 anos depois, The Garden, a música que fecha Clockwork Angels, o trabalho mais recente do trio, é lembrada por ter uma ligação com In the End. Nada relacionado com letra ou algo similar, apenas o estilo da composição mesmo. E posso afirmar que as duas são fechamentos digníssimos dos dois discos. 





Bom, acho que eras isso por hoje. Espero realmente que o Leão poste nos próximos dias sobre os 40 anos do Physical Graffiti, porque, se cair na minha mão, vai rolar MUITA zueira por causa dos plágios, podem ter certeza disso. Só pra ele ficar putinho e parar de preguiça. E, mais uma vez, me desculpem por parecer político fazendo promessa. A partir de abril teremos um planejamento mais rigoroso pro mês, sem esse negócio de postar o que dá na telha. Vou trabalhar duro para ver o blog crescer mais, afinal, não podemos ficar estagnados. A próxima postagem vai ser sobre isso, fiquem ligados. Valeu! 

terça-feira, 3 de março de 2015

On the Charts #19: Os 35 anos do Permanent Waves


Mais um que vai sair atrasado, mas o motivo é outro. Diferentemente do Sheer Heart Attack, que demorou por preguiça minha, esse aqui, por fazer aniversário no dia 1° de janeiro, emendou com vestibular, festa, saídas, ensaio, praia, enfim. Outras postagens, é claro, passaram à frente na prioridade. Mas estou aqui pra corrigir isso, então vamos lá. 

Permanent Waves é o sétimo disco de estúdio do Rush, lançado em 1° de janeiro de 1980. Considero esse disco um dos melhores da carreira do Rush, principalmente por ser um dos lançamentos da fase mais inspirada da banda, que se estende, na minha opinião, do Rush, de 1974, ao Clockwork Angels, de 2012. Não, brincadeira. Pra mim, a fase mais "apurada" do som do Rush, em todos os termos (porque sim, uma música, mesmo que longa, pode ser cativante - ponto no qual o Caress of Steel peca um pouco), vai do 2112 ao Signals. E, já que citei o Caress, é sempre importante ressaltar que, não fosse ele, não teríamos um 2112. E essa fase do Rush mostra muito bem esse "padrão". O disco seguinte, A Farewell to Kings, direcionou o som da banda pro que viria a ser o Hemispheres. Pode-se tranquilamente dizer que os dois discos têm um parentesco. 

Pois bem. Seguindo essa lógica, não fosse o Permanent Waves, não teríamos o Moving Pictures. E bem, acho que esses dois discos dispensam maiores explicações. São as duas maiores provas de que, mesmo simplificando seu som, o Rush conseguia se manter incrivelmente complexo e com um padrão de qualidade altíssimo. Isso sem falar em uma espécie de "sucesso comercial". Afinal, não é todo dia que uma banda faz duas músicas que, apesar de complexas, não passam de 5 minutos e são extremamente populares. Tom Sawyer e The Spirit of Radio só perdem pras duas primeiras partes de 2112 e Closer to the Heart no ranking das músicas mais tocadas em shows do Rush. E, muito provavelmente, porque essas duas/três que estão à frente são 4, 5 anos mais antigas. Mas chega de enrolação e estatística. Vamos ao que interessa. 

Imagine o impacto de quem ouviu, pela primeira vez, lá em 1980, Spirit of Radio. Não só de quem comprou originalmente o disco. Eu fiquei impressionado quando ouvi, o Leão provavelmente ficou. Na boa, eu, nesse momento, depois de ter ouvido ela 308478327503488067834 vezes, estou arrepiado, escrevendo a postagem, enquanto canto e batuco na mesa do pc feito um retardado. É uma música simplesmente apaixonante, inclusive pelo prazer que dá tocar ela na bateria. Neil Peart, como sempre, faz um trabalho de excelência aqui, mesmo que seja uma de suas linhas mais simples. Junte isso ao Lifeson mandando uma sucessão de riffs sensacionais, todos os momentos de luz e sombra da música, Geddy destruindo no baixo e cantando melhor que no começo da carreira e temos essa obra prima. 

E, emendando logo de cara, sem deixar o ouvinte parar pra pensar no que passou nesses últimos 5 minutos, Freewill. Outro riff matador de Lifeson, letra sensacional de Peart. Mas, logicamente, o grande destaque dessa música é o final, a partir do solo (importante ressaltar, quando tu ouve, parece que TODOS estão solando, tamanha a complexidade dessa seção da música) e, bem, o que vem depois dele. Leia-se Geddy Lee gritando que nem um doente, cantando num tom absurdamente alto. Bom, outra música do calibre de Spirit of Radio, mesmo que não tão lembrada nos setlists (não quer dizer que não foi tocada inúmeras vezes).

Poster da turnê, incrivelmente original -sqn
Depois desses primeiros dez minutos estonteantes, entramos em Jacob's Ladder, pra fechar o lado A. Confesso que raramente ouço ela, nunca me chamou a atenção. E, realmente, competindo com "concorrentes" como as anteriores, fica difícil se destacar mesmo. Basicamente, é uma música de uma atmosfera muito mais sinistra do que qualquer outra coisa. Lifeson faz um belo solo nela, seguido por Geddy, que abusa do moog em seu solo. Além disso, é interessante ressaltar que, apesar de seus 7:30 de duração, é a menor letra do disco, com a estrofe do início e mais algumas linhas. Duas cantadas por Geddy durante o solo de moog (seguindo a progressão do solo) e duas no final. Acredito que justamente seu caráter de "improviso" (beeeem entre aspas) faça ela soar estranha aos meus ouvidos, afinal, ela está entre outras músicas bem amarradinhas, que não abrem mão de uma teórica "face mais comercial", mas têm a cara do Rush, lógico. 

Abrindo o lado B, temos mais uma dessas citadas acima. Entre Nous foi uma música extremamente injustiçada. Nunca havia sido tocada, até 2007. Ela estreou ao vivo na turnê do Snakes & Arrows. Pra mim, é a música mais fácil de assimilar do disco inteiro. Simples, mas que não abre mão da qualidade. Quem se destaca aqui é Peart e seu trabalho sensacional de hihat, principalmente antes do refrão, antes do solo e em alguns momentos que ele faz um double time misturando com um trabalho de abertura. Lifeson sempre fazendo um trabalho sólido nas estrofes e, no refrão, se utilizando do violão de forma genial. 

Falando em violão, posso estar enganado, mas ouço um 12 cordas soando em Different Strings. Aliás, é uma música tão "diferente" que Geddy toca piano nela (claro que é o teclado, mas com som de piano mesmo). Apesar de todo esse zelo, ela também soa um pouco deslocada, se comparada às outras músicas do disco. Acredito que isso ocorre por ela também ter uma atmosfera diferente da "alegria" de músicas como Free Will e Spirit of Radio. Mesmo assim, sendo mais fraca que as quatro principais, ela ainda está um patamar acima de Jacob's Ladder, essa sim a mais fraca do disco. 

Eis que chegamos ao final. Mas calma que ainda tem muita água pra rolar, afinal, estamos falando de Natural Science e seus incríveis 9 minutos. Ao estilo de uma "viagem espacial", começamos devagar, calmamente, como se esperássemos pelo lançamento do foguete. Lifeson, com o violão (acredito que é o de 12 cordas, mais uma vez), e Lee, despejando uma filosófica letra (mais uma das obras de Peart), dão o tom dos primeiros dois minutos. Eis que Lifeson puxa o riff que mudará a música (e vai voltar algumas vezes durante os minutos restantes). 

Depois disso, chegamos na segunda parte, onde a música muda completamente. Peart entra pra valer na música, Lifeson mostra uma outra linha de guitarra, mais sombria, e Lee grita a letra, num tom mais alto e "sofrido" que antes. Depois de uns dois ou três minutos, volta o riff principal, e, lá pelos 5 minutos, a progressão que sempre antecede os versos na última parte. Essa progressão, a letra e o riff ficam se alternando, em um "duelo" sensacional, elevando a música a seu clímax. Bem, não é à toa que essa música era a última do primeiro set na turnê do Vapor Trails (a turnê que originou o Rush in Rio). 

E assim terminamos Permanent Waves. Um disco que, apesar de mostrar que a banda havia abandonado aquele estilo épico setentista que originou 2112 e Hemispheres (e que nunca mais voltaria a fazer algo nesse estilo), serviu pra mostrar também que o Rush não se limitava a um estilo de som - o que ficou muito claro ao longo dos oitenta - e que, mesmo sendo mais "simples" (sempre entre aspas), é um dos melhores discos do trio, must have e tals. 


Bem, não sei o que vou postar amanhã, não sei nem SE vou postar amanhã, mas né, sempre surge uma ideia boa no meio do caminho. Fiquem tranquilos que aqui sempre estarão em boas mãos. Seis, no nosso caso. Valeu!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Notícia: Rush comemorando os 40 anos na estrada

2015 começou bem. Já agora em janeiro, tá rolando a turnê brasileira do Foo Fighters, tão falando muito em AC/DC e Stones no final do ano, por aqui, e agora o Rush anuncia uma nova turnê para esse ano. Por enquanto, foram divulgadas 35 datas entre maio e agosto, o que provavelmente significa uma perna dessa turnê. É quase certo que o trio ainda vai anunciar algumas datas europeias mais pro fim do ano e, de repente, início de 2016. Aí que entra a torcida de sempre. Datas no Brasil... Porto Alegre... vamos lá, pessoal, já são 13 anos desde aquele show histórico no Olímpico. Eu não tive a oportunidade de ver, façam a justiça :D

Quanto ao setlist, acredito que podemos esperar coisa boa. Como é uma turnê de aniversário, o esperado é que a banda capriche colocando músicas de todas as fases, como foi na turnê do R30. Aliás, a banda anda devendo um setlist melhorzinho. A turnê do Clockwork Angels foi demais, as músicas são ótimas e tal, mas focaram DEMAIS no Power Windows. Além de achar meio exagerado 4 músicas desse disco por show, tocar uns negócios como Grand Designs é meio... desnecessário. Só queria ver de novo músicas do Test for Echo e Vapor Trails no setlist. Espero que essa turnê nos proporcione isso.


Bom, pra fechar, tá rolando na internet a imagem da nova bateria do Neil Peart, pra essa turnê. Como sempre, ela está megaputaqueparivelmente foda, mas o desenho me lembrou bastante um remake da bateria da turnê do R30. Só quero ver o que o velho mestre está preparando para o solo de bateria.



sábado, 13 de setembro de 2014

Quando palavras não são necessárias...11

Mais um mês, mais uma postagem de instrumentais. E hoje o bagulho tá loco :D fico pensando, 11 postagens já, e, por mais simples que sejam, dão continuidade ao trabalho do blog e fazem sucesso. Enfim, todos sabem que aqui não é lugar de papo, então...


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quando palavras não são necessárias... 10

Sim, chegamos no 10. E pensar que eu só considerava um tapa buraco, no começo, mas percebi que fez sucesso. Então, vamos lá, mais instrumentais pra vocês:

Homenagem ao aniversariante do último dia 10. 30 anos, calma no coração que ele vai ter postagem exclusiva.
Pra quem não sabe, foi a primeira jam entre Frusciante e Flea, em 1989. Esse discaço vai fazer aniversário daqui a 3 dias. Também vai ter lugar no On the Charts

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Boxsets... picaretagem ou capricho?

Pra quem não sabe, duas postagens do blog falam sobre o assunto. Quem quiser saber mais, clicar aqui e aqui. Dessa vez, trago para vocês alguns vídeos, do mesmo cara dos unboxings do Why Pink Floyd. Eu comecei a mudar um pouco minha opinião sobre os boxes porque, quando a banda sabe fazer uma edição especial de um disco (e o Pink Floyd sabe bem), fica muito evidente o capricho e o conteúdo artístico que a banda quer incluir em sua música. Assim, o resultado, apesar de caro, é muito interessante. Mas acho que chega de palavras, pois as ibagens, como se diz por aí, valem por mil palavras.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Parabéns ao Ilustríssimo: Geezer Butler/Roger Taylor/Geddy Lee


Primeiramente, gostaria de agradecer as 43 mil views. Apesar do momento ser de menos tempo pra postar no blog, os leitores continuam entrando e aprovando o nosso conteúdo, isso é o que importa :D


Segundo... sim. Três aniversariantes, assim, sem cuspe. Tudo pra poder tirar o atraso dessas três postagens, porque tem muita coisa pra ir pro blog. Tem muito disco aniversariante, tem resenha pra fazer, show histórico, enfim. Sendo assim, vamos lá. Começando pelo primeiro aniversariante dos três.

Geezer completou 65 anos de muito espancamento de baixo no último dia 17. Com o aniversário dele, faço a vocês uma recomendação. Quem acha que Black Sabbath se resume a Ozzy ou Iommi, por favor, deem uma conferida na carreira solo desse MONSTRO que é o Butler. Só pesquisar pela GZR, sua banda, no youtube. Aposto que não vão se arrepender. Bom, o que mais posso dizer? Pra felicidade geral dos fãs de Sabbath, Ozzy (e provavelmente Butler e Iommi, já que podemos deduzir que estão de acordo com o que o Príncipe das Trevas disse) falou que não necessariamente essa é a última turnê do Sabbath. Eles ficaram muito felizes com o resultado do disco, então provavelmente vai rolar algo novo mais pra frente. E, realmente, não teria por que não ficar. 13 foi número 1 na Billboard 200, além de sucesso de vendas.



Roger apagou as 65 velinhas também, mas no último dia 26, junto com o Jagger (no mesmo dia, não na mesma festa, por favor auhsuahsu). Lançou um disco solo no fim do ano passado, atualmente se encontra em turnê com o Brian May, o Adam Lambert (confesso que não achei tão ruim assim, o Adam tá aprendendo a cantar um pouco) e... acho que eras isso. Pra quem quiser conferir uma postagem mais completa do aniversário do Roger... é, ele eu nunca fiz nada muito específico. Mas né, nem precisaria, todo mundo conhece sua trajetória na música, desde o Queen, passando pelo The Cross e chegando nos álbuns solo.



E essa cara de "AHHHH, QUE DELÍCIA, CARA"?
Por último, mas não menos importante, Geddy Lee. 61 anos ontem. E, como sempre, tocando muito baixo/teclado. A voz não é mais a mesma, mas ele ainda manda muito bem. Como atração em relação a ele e o Rush, lembro vocês que o trio canadense cogita ir pra estrada ano que vem, em comemoração aos 40/41 anos de banda. Podia rolar umas comemorações de 40 anos dos primeiros discos, sei lá, umas músicas antigas que ficaram pra trás no tempo. In the Mood, Best I Can, assim, só sugerindo :D
Além disso, pra quem não conhece, Geddy tem um único álbum solo, gravado e lançado na época que o Rush estava em hiato por causa das duas devastadoras perdas que Neil Peart sofreu. Deixo pra vocês, aqui embaixo, My Favourite Headache.


 Enfim, parabéns a esses três mitos, muitos anos de vida!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O tempo na música


Mais uma daquelas postagens de pouco conteúdo escrito e mais música. Ultimamente tem sido assim porque me falta um pouco de inspiração, mas eu penso nesses temas que geram postagens rápidas. Na de hoje, estava pensando na aula sobre o tempo. Mas não o tempo tipo chuva ou sol, ou o tempo da música como a batida, e sim o nosso tempo, o que estamos perdendo o tempo todo, o que vemos passar, inexorável. E, quando me dei conta, percebi que muitas bandas também falam sobre ele.



Talvez saiam mais postagens com outras músicas relacionadas a essa filosofia sobre o nosso tempo... por enquanto, é isso :D

terça-feira, 15 de julho de 2014

Drums Heaven (Parte 1)

Bem, vocês sabem que, como baterista, costumo fazer umas postagens puxando a brasa pro meu assado. Só conferir o Top 10 de sempre do blog, onde tem postagens tipo essa e essa. Hoje não vai ser diferente.
A inspiração dessa postagem veio de uma olhada pra esquerda. Vi na minha parede o pôster do Guitar Heaven (pra quem não conhece, só clicar aqui, onde aparece um cantinho dele). Eis que eu pensei... não existe um pôster assim pra kits de bateria que são fodaços. Só pra guitarra. Então resolvi fazer essa postagem, composta inteiramente por imagens. Sem enrolação, vamos lá.

Bateria do Terry Bozzio (Frank Zappa)


Bateria do Alex Gonzalez (Maná)


Bateria "Tattoo" do Chad Smith (Red Hot Chili Peppers): Ele usou no In The Basement, só conferir aqui


 Bateria do Ian Paice (Deep Purple)



Por hoje era isso. Só pra fechar, uma homenagem a um baterista que, apesar de simples, é uma referência com sua banda, igualmente simples. Tommy Ramone, último integrante original dos Ramones, morreu no último dia 11, vítima de um câncer.