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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #12: Black Sabbath no Estacionamento da FIERGS (Parte 2)

Depois  do showzaço do Rival Sons, aquele break, pros roadies prepararem o palco pra última atração da noite, nossos queridos maloqueiros de Birmingham, que subiriam naquele palco pela última vez como Black Sabbath, na nossa cidade. 

Esse era um daqueles casos em que o break só tinha lados bons. Normalmente estamos ansiosos para ver uma banda desse calibre, mas, considerando que seria a derradeira, era daqueles casos em que queríamos passar aquele momento o mais devagar possível. Não tinha problema a banda se enrolar um pouquinho, e, se quisessem fazer um show de três horas e nós só sairmos de lá 01:00, não tinha problema algum. 

Mas eis que, 21:30, iniciou-se a despedida do Sabbath em Porto Alegre. Dessa vez, diferentemente da turnê do 13, em 2013, que a banda entrou até um pouco antes do horário no palco e simplesmente saiu mandando uma pedrada atrás da outra, fomos saudados por um pequeno vídeo no telão, duma situação meio apocalíptica, uma cidade em chamas, e, numa parte subterrânea dum prédio, uma espécie de ovo, praticamente saído dum dos jogos da série de Resident Evil. Desse ovo nasce um filhotinho de demonho, que termina de tocar fogo na cidade e, após isso, o logo da banda (aquele mesmo da capa do Master of Reality) aparece no telão, em chamas. Entrada grandiosa, digna do tamanho dessa gigantesca banda.


Em meio aos gritos de "Sabbath! Sabbath!" e o sino, nosso conhecido do início da música que carrega o nome do disco de estreia - e da banda -, Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler, acompanhados de Tommy Cluefetos novamente, entraram no palco. E foi justamente essa pedrada, a primeira música do primeiro disco, onde tudo começou, que deu início ao show. 

Cabe ressaltar que, normalmente, quando uma banda desce a afinação de alguma música do show em meio tom, um tom, etc, nosso primeiro impulso é julgar, falar que "eles fazem isso porque o vocalista não dá conta mais" (ou de repente nunca deu conta, fora a versão de estúdio, né pessoal do Offspring?). Mesma coisa quando a banda decide executar algumas músicas de forma um pouco mais lenta do que a versão de estúdio, dizemos que é a idade, que eles não conseguem mais.

Com o Sabbath, curiosamente, em um show onde eles tocam TODAS as músicas em tons mais baixos que o original, muito por causa do Ozzy, e também tocam de forma ainda mais arrastada as músicas, o efeito é de deixar a música ainda mais pesada e sinistra, mesmo que não intencionalmente. No fim das contas, ponto pros caras.

Falando em ponto pros caras, logo após Black Sabbath, os caras resolvem mandar Fairies Wear Boots, uma das minhas preferidas, por abusar de trocas de tempo, seções diferentes e ser, resumidamente, uma sequência de riffs fodas do Iommi (coisa que várias músicas do Sabbath são, aliás, um desfile de riffs durante uns 5 minutos). Destaque para, além da execução da banda, perfeita como de costume, fora o Ozzy que sempre parece um pouquinho fora do tom (e a gritaria da mina do vídeo), os efeitos psicodélicos no telão.

Depois desse começo sensacional, a banda deu uma passada pelo Master of Reality: a clássica Into the Void foi a terceira música da noite, seguida por After Forever, a novidade do setlist. Apesar de eu não ser tão ligado assim no Master of Reality, sei que ele é uma fábrica de clássicos e qualquer coisa que eles resolvessem tocar no show, inclusive Solitude, seria foda.

Falando em foda, esse é o adjetivo que descreve Snowblind. Uma das melhores músicas da banda, é daquelas em que Ozzy rege a plateia, e nós, como bons súditos do Príncipe das Trevas, atendemos, cantando junto e movendo os braços como se fôssemos um só. Simplesmente sensacional.

E, depois de Snowblind, veio AQUELE desfile de clássicos. Começando com War Pigs, onde tudo é simplesmente perfeito, bateria, baixo e guitarra se combinam e mostram tudo que sabem em quase oito minutos de uma das melhores músicas da história. Logo após essa pedrada, tivemos a dobradinha Behind the Wall of Sleep/N.I.B., onde, mais uma vez, tudo aquilo que faz o Sabbath ser o que é se mostra presente: Iommi esmirilhando a guitarra pra tirar todos aqueles riffs (os quais a plateia CANTA junto, tamanha a facilidade que o homem tem pra tirar esses riffs absolutamente grudentos), uma bateria poderosa (a qual eu gostaria muito de ter visto representada pelo monstro Bill Ward, mas infelizmente não rolou), o Ozzy - seja isso bom ou ruim, mas é característico -, e muito, mas MUITO espancamento de baixo. E se há um momento verdadeiramente esperado no show é justamente a transição, a "barra" de Behind The Wall of Sleep/N.I.B., pois é ali que Geezer mostra o que sabe.

Pena que, pelo fato do setlist ser bem mais curto do que em 2013, já estávamos mais perto do fim do que do começo do show. Mesmo assim, ainda tivemos a oportunidade de ver Rat Salad, com direito ao solo de bateria de Cluefetos, que faz a diminuta versão de estúdio, que tem 2:30, se transformar em NOVE minutos de muito espancamento de peles e pratos.

Logo após, a minha, a sua, a nossa Iron Man. A Smoke On the Water do Sabbath, aquela música que todo mundo conhece o riff, aquela que, junto com Smoke e Stairway to Heaven, o pessoal das lojas de instrumento tá de saco cheio de ouvir os piá aspirantes a guitarristas tentarem reproduzir o riff (e falharem miseravalmente na maioria das vezes). Mas... E DAÍ? Mesmo tendo ouvido ela 2308578943659783497 vezes na minha vida, eu (e provavelmente todo mundo no estacionamento da FIERGS) ouviria ela mais uma, duas, até três vezes se eles tivessem dispostos a tocar.

Seguindo, tivemos Dirty Women. E, não me levem a mal, mas de novo ficou a mesma sensação de 2013... pra que botar Snowblind e War Pigs no começo do show e espremer essa música (que, apesar de ser a melhor do Technical Ecstasy, de longe, não tá no mesmo patamar das clássicas dos outros discos) entre tanta música foda no final? Apesar de bem executada e tudo mais, dá aquela esfriada no pessoal. E sem falar que não teve o vídeo com muitos nudes no telão que nem em 2013. xD

Pra finalizar o show, Children of the Grave. E o que seria dum show do Black Sabbath sem ela, não é mesmo? Além disso, o que seria dum show do Sabbath sem o Ozzy fazer uma cagadinha também? Legal que ele foi dar aquela derrapada na penúltima música do show. A banda tava na intro ainda, fazendo a segunda volta do riff principal, e o Ozzy já saiu mandando aquele "REVOLUTION IN THEIR... OOPS, SORRY!!". Obviamente nós rimos, assim como o Iommi. E né, estávamos todos ali pra nos divertir, um errinho, além de mostrar que os caras são humanos, aumenta a diversão.

Depois de Children of the Grave, a banda saiu do palco e realizou aquele protocolo padrão do bis... esperaram uns minutos, enquanto o pessoal gritava por eles, voltaram, receberam o aplauso esmagador da plateia, e o Ozzy falou que "como nós estávamos ultrafuckingSHAROOONcrazy, eles tocariam mais uma música pra nós.

E foi AQUELA uma. Pra encerrar a passagem, colocar um ponto final muito digno em tudo. Paranoid. Não poderia ser outra, senão uma daquelas músicas que embala os ensaios de tantas bandas de garagem (inclusive a minha e do Leão). E, depois de assistir a tudo isso de novo, só posso dizer obrigado. Obrigado, Sabbath, por existirem, por terem sido uma das maiores influências no rock e no metal que já pisaram nesse planeta. Obrigado por terem vindo DUAS vezes pra cá e me dado a oportunidade de vê-los ao vivo. Vocês vão fazer muita falta.







terça-feira, 29 de novembro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #11: Black Sabbath no Estacionamento da FIERGS (Parte 1)



Sim, de novo. Aconteceu de novo. A mesma banda. O mesmo local. Três anos depois. E lá estávamos eu e o Leão de novo. As única coisas diferentes dessa vez? Pra onde compramos ingresso, as bandas de abertura e quanto durou o show. Mas vamos por partes, como diria o velho Jack. 
Logo que a banda anunciou as datas, Porto Alegre não estava incluída na turnê. No momento que descobri que novamente teríamos chance de ver o Sabbath, já combinei com quem quisesse ir que tinha que rolar. Ali, já deixei combinado com o Leão que dessa vez iríamos de pista Premium. Não por estar esbanjando grana nem nada, mas simplesmente pelo fato de ter sido ruim de ver o show quando fomos de pista normal em 2013 e porque a Premium aqui, diferente do show do David Gilmour, tava aceitando meia entrada estudantil. 
Sinceramente, 280 reais pra ver uma banda do calibre do Sabbath, muito mais perto do que da outra vez, ou seja, com uma experiência muito melhor, na minha cabeça, valia a pena. Ainda mais que acabei não indo nos Stones, por ter comprado pouco antes o ingresso pro Gilmour (burrice minha, tinha grana pros dois e consegui entrar na fila de espera na Internet, não fui de besta), e não fui num Guns (que valia a pena ir) com mais de meia formação original, simplesmente por achar que testemunhar a despedida do Sabbath seria mais significativo, considerando que eu já ouvi muito mais Sabbath que Guns na minha vida. E que o pessoal do Guns ainda tá nos 50, tem lenha pra queimar.

Feita a odisséia do ingresso, era esperar. Confesso que, não que quarta feira seja um super dia pra um show, mas com certeza é mais alto astral que ver um show numa segunda feira. Ainda mais que, em 2013, o show foi numa quarta pós aula de 3º ano de ensino médio. Ontem, foi numa segunda feira pós aula na faculdade (e faculdade os horários nunca são iguais, mesmo que as pessoas sejam do mesmo curso), sem falar na aula do outro dia. Mas enfim, nada que pudesse estragar o espetáculo.

            O Leão chegou lá em casa por umas 16:30 pro tradicional aquece (afinal, fora o momento que tu te obriga a comprar uma ceva pelo copo que eles começaram a distribuir nos shows, que é uma lembrança maneira, ninguém merece pagar 12 pila ou mais em UMA latINHA de ceva. Com esses mesmos 12 pila, mais 8, comprei um fardo de Budweiser e matamos um tempo, batendo um papo sobre as expectativas pro show e jogando um videogame. 
            Eu já tinha visto o set padrão do Sabbath na turnê, e, na real, apenas duas, das 14 músicas, eram novidades: Hand of Doom e After Forever. Ainda por cima, nos últimos shows, a banda não vinha tocando a primeira. Confesso que foi meio broxante saber que o show, em vez das tradicionais 15 músicas mais bis da turnê anterior, era composto por 12 músicas mais o bis, e apenas uma nova (e o pior é que venho do futuro e posso afirmar que dos 81 shows, só em 11 ela não foi tocada, e, na última perna da turnê, toda na Inglaterra, a banda resolveu se dedicar mais e voltou com o set de 16 músicas, com Hand of Doom, Under the Sun e entrou até uma medley instrumental de Sabbath Bloody Sabbath/Symptom of the Universe ou Supernaut/ Megalomania). E sem falar que a nova cortada foi Hand of Doom, que eu preferia a After Forever. 
Mas enfim, aquelas coisas que a gente meio que perdoa. Admito que o show picudo do Sabbath que eu testemunhei foi em 2013, recém os caras voltando, disco novo, Megadeth na abertura, foi mais grandioso, de fato. Mas, mesmo com um menor brilho desse show de ontem, foi a última vez dos caras. Tive a sorte de poder ver o Black Sabbath duas vezes, e isso é que é o barato.

Mas vamos parar de falar um pouco do Sabbath em si e vamos a todo o show. Resolvemos pegar um Uber dessa vez, pra não ter que chegar 16:00 e ficar de pé cinco horas a mais que o necessário. Como a pista Premium demora pra chegar o pessoal, saímos de casa umas 18:00. Claro que foi uma idéia estúpida, porque, além de ser dia de show, era hora do Rush de segunda feira de um dia de show. Chegamos lá às 19:00 e 48 golpinhos mais pobres. Faltava pouco pra primeira banda de abertura entrar no palco.

O broder do ACDC no som do aquecimento tava lá novamente, mas pelo menos dessa vez ele mudou um pouco o CD, botou o Powerage na íntegra pra tocar. Tenho que admitir que foi bom, dei atenção pra um disco do ACDC que eu cagava antes. Nesse meio tempo estávamos de olho no Vitória também, que tinha chance de botar mais um prego no caixão do interzinho, enquanto esperávamos pelo show de abertura.

Eis que umas 19:40 chegou o Krisiun, ou algo assim. Sinceramente, parecia que tinham aberto as portas do inferno. Não era que nem o Hibria, que eu curti afu e tinha uma pegada bem Iron Maiden. Eram três magrão tr00 met4ll, barbudo, cabeludo, pareciam três Tom Araya no palco e, quando começaram a tocar, mano... eu, que nunca fui adepto desse metalzão extremo, não conseguia DISTINGUIR o que eles tavam tocando. Quase não dava pra saber se tinha terminado uma música e começado uma nova ou era tudo a mesma coisa. Era, salvo raríssimas exceções, bumbo duplo O TEMPO TODO, gutural, porradaria mesmo. Tanto que teve roda de pogo do início ao fim do show (inclusive testemunhamos um cara levar uma mina sei lá pra onde pra negociarem o copo dele, já que, segundo ela, ela tinha perdido o dela na roda... sabe-se lá quanto custou o copo xD).

Os caras tocam bem? Sim. Curti o show? Não tanto. Preferia outra banda que prezasse mais a melodia que a porradaria? COM CERTEZA. Mas não dava pra reclamar, até admiti que em alguns momentos, quando eles tocavam algo mais parecido com música pros meus ouvidos, eles mandavam bem. Ahh, enquanto isso, saiu um gol do Vitória, com o mito Di Marinho, e a gurizada gremista aplaudiu horrores. Apesar do show ser na segunda, não ouvi manifestação dos colorados, não sei por que...




E então, lá pelas oito e bolinha da noite, apareceu quem eu estava mais curioso pra ver na noite: Rival Sons. Não me entendam mal, não quero pagar de fã tr00zão de 2013, que pagou Premium pra ver mais o Megadeth que o Sabbath. A idéia é a seguinte... já tinha visto o Sabbath uma vez, tava prestes a ver de novo, e sabia que ia ser um show foda, estava ansioso e tudo o mais, mas a curiosidade em si já não tinha mais, ainda mais que já conhecia o set de cabo a rabo. Mas o Rival Sons, banda de abertura que fez TODA a turnê com o Sabbath, eu não fazia a mínima ideia de quem era.

Umas semanas antes do show, tinha parado pra pesquisar sobre eles, pensei “se o Sabbath curtiu o som dos caras, deve ser coisa boa”. Pesquisei no youtube e caí direto em Pressure and Time, primeira indicação. Foi amor à primeira vista. Sonzaço, estilo anos 70 total, com uma altíssima influência do Led Zeppelin, do próprio Sabbath, e com um vocal muito ao estilo Glenn Hughes. Aí fui atrás do set deles dos shows de abertura e ouvi as músicas. E olha, impressionante como me cativou, um som sensacional.


A banda chegou com balaca de banda grande. Vinheta de abertura com a música tema de The Good, The Bad and The Ugly, gurizada na beca, uns instrumentos fodas (que nem a guitarra do Scott Holiday, com detalhes em dourado), aquela expectativa e... de cara, Electric Man, daquelas embaçadas pra começar um show. Essa música tem swing, tem peso na guitarra, tem tudo. Uma das melhores deles.

E seguiu o show só com som foda. Secret, com um andamento um pouco diferente, mas boa pra caramba também, a já citada Pressure and Time, Open my Eyes, com um andamento ao estilo Kashmir, Keep on Swinging, Torture (com uma baita introdução, só no improviso, na guitarra), enfim, um desfile do que a banda tem de melhor. E não é pouca coisa.

Entretanto, pra mim, o mais significativo no som do Rival Sons é a ousadia de improvisar, nos tempos em que vivemos, em pleno 2016. Até mesmo bandas clássicas, como o próprio Black Sabbath, Deep Purple (maior exemplo disso, apesar de ainda conseguir improvisar aqui e ali, só não em doses cavalares como antigamente) já não tem mais esse espaço, fazem o solo mais parecido com o original, não estendem a música, seguem o roteiro do show.

O Rival Sons quebra completamente essa história. É solo mais longo que o original, é introdução com improviso (Torture, que tem quatro minutos na versão de estúdio, com o improviso e com as brincadeiras com o público, chega aos nove fácil nos shows), é ousadia e originalidade. Isso foi algo que fez eu curtir ainda mais a banda depois de vê-la ao vivo ontem. E, quando acabou, o Leão, que não tinha ouvido os caras ainda, fez questão de deixar isso bem claro também, mas era algo que ele tava falando desde o início do show.

Só sei que, como não ficar na expectativa depois dum baita show de abertura desses? E, assim como eu fiquei na expectativa pro show do Sabbath, vou deixar vocês na expectativa e dividir essa postagem em duas, senão ela vai ficar quilométrica demais. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #10: David Gilmour na Arena do Grêmio (Parte 2 - Arthur)

Bem, faz algum tempo desde que a minha primeira parte do relato foi ao ar, mas vamos lá. Quem quiser dar uma relembrada, só clicar aqui.

Faltavam, talvez, cinco minutos para o horário do início do show e a Arena escureceu. Todo mundo, como esperado, gritou, aplaudiu, chorou, não importa qual foi a reação, mas saudou a entrada do mestre no palco. E Gilmour não decepcionou. Logo pra mostrar o cartão de visitas, 5.A.M., primeira música do novo disco, Rattle That Lock. Apenas ele, solando sobre uma cama de teclados. Um solo delicado, repleto de feeling, que contrastava com a imagem daquela Arena, completamente escurecida. Apenas o primeiro de muitos naquela noite. 

E, conforme a ordem do disco, a segunda música foi a nada floydiana Rattle That Lock. Talvez os únicos aspectos que lembrem o Floyd nessa música sejam o fato dela ser uma canção de Gilmour e, é claro, ter um belíssimo solo. Apesar disso, é um belo som, curti de cara, logo quando ouvi pela primeira vez. Também possui um belo clipe, que foi projetado no telão enquanto rolava o som. Aliás, tenho que comentar depois de falar sobre o show em si algumas mancadas da crew do Gilmour, tipo não projetar ele, ou a banda, sei lá, no telão, enquanto não tinha animação pra passar. Afinal, nem todo mundo é milionário e pagou uma banana pra ficar bem pertinho do palco. Mas enfim, seguindo.

A terceira música do set, assim como no disco, é Faces of Stone. E acho que o velho mandou bem em largar com três músicas do trampo novo. Começo do show o pessoal tá aquecendo, achei interessante deixar mais clássicos do Floyd pro meio/final do show. E mesmo sendo uma música do disco solo dele, Faces of Stone tem uma pegada bem mais Floyd do que as anteriores. Começa calma, com um teclado lento e melancólico, e te conquista aos poucos, com violão, vocal, e finalmente entra a banda, com um andamento meio de valsa, uma valsa meio densa.

Logicamente, a essa altura do campeonato, eu devia ser uma das, talvez, 10 mil pessoas (dentre 40 mil, e estou chutando muito alto) que tinha ouvido as músicas antes, e estava apreciando bastante aquele momento do show, afinal, eu sei como é meio, digamos, complicado de acompanhar um show no qual tu não conhece as músicas. Mas né, como esses talvez 30 mil que sobraram estavam bem interessados em filmar o show (como SEMPRE, afinal, a pessoa gasta 200, 300, 600 reais num ingresso de um evento que vai acontecer talvez uma única vez na vida, mas não consegue deixar de filmar o show, mesmo sabendo que teriam dezenas de vídeos do mesmo show no outro dia), não viram problema algum nesse início mais underground, digamos.

Mas aí veio aquele início clássico. Os canais do rádio mudando, o Tchaikovsky dando as caras e, por fim, sintonizamos em Wish You Were Here. Até mesmo pra mim, que estava curtindo o começo do show só com as músicas do disco novo do Gilmour, foi ali o momento de entender a magnitude da coisa. Não é qualquer um, cara. É David Gilmour. O guitarrista do Pink Floyd, uma das maiores bandas de todos os tempos. E ele estava ali, pisando no palco montado no estádio do meu time do coração, na minha cidade. Tocando aquele solo do início que muitos de nós, pretensos músicos (mesmo de outros instrumentos, como no meu caso) já arriscou nas primeiras casas de algum violão vagabundo. Ali que eu percebi do que se tratava tudo isso, toda a espera, a expectativa.

Mas noves fora a análise emocional/sentimental da coisa, Wish You Were Here foi executada à perfeição. Foi o primeiro momento que pude realmente analisar a banda que Gilmour trouxe para a turnê - apesar de nomes como Jon Carin e Guy Pratt serem parte da história do próprio Floyd. E os caras executam os clássicos com extrema competência, sem mexer nos arranjos originais. Fiel ao que Mason, Waters e Wright fariam. A única diferença que notei foi que Gilmour anda acelerando um pouquinho a música, mas coisa muito pouca. O suficiente para encorpar um pouco a canção, eu diria.

E, logo após esse momento extremamente emocionante de Wish You Were Here, com todo mundo cantando, se emocionando, curtindo o momento... a parte mais monótona do show. A Bruna que me perdoe, mas vou ter que discordar dela. A Boat Lies Waiting e The Blue, quinta e sexta músicas do show, respectivamente, podem ser belas composições e ter seu valor... em estúdio. Nada poderia ter soado mais deslocado ao vivo. Posso pensar, de cara, em pelo menos 10 músicas que poderiam ter entrado no lugar dessas duas. Sei que teve gente que até curtiu, mas eu achei meio chato esse momento.

O lado bom é que ouvir aquele tilintar da caixa registradora, quando acabou The Blue, foi animador. Money é um clássico indiscutível, uma das músicas mais cool do Floyd. Talvez ela nem tenha tanta cara de Pink Floyd assim, e justamente esse diferencial faça dela uma música tão boa. Sei que curti demais. Cantei, fiz air drumming (afinal, não é qualquer bateria do Nick Mason que merece um air drumming), cantarolei o solo. O de guitarra, é claro. Mas faça-se justiça ao solo de sax. João de Macedo Mello, br HU3HU3, paranaense, integrante da banda do Gilmour, mandou muito bem. Fez o solo nota por nota, como tem que ser, e ainda assim com personalidade, dando um pouco do seu timbre nas notas que saíam do sax. Baita músico.

Praticamente emendando em Money, como no Dark Side of the Moon, tivemos Us and Them. Outro momento de emocionar o fã de Floyd. João novamente mandou bem demais nessa música, a exemplo da banda, criando aquela atmosfera quase que flutuante. Cortesia dos teclados também, trabalho desenvolvido, originalmente, pelo saudoso Rick Wright. Acho que foi mais ou menos nesse momento, no show, que comentei com o Leão que, se o mundo da música tivesse dado um pouco de sorte e Wright tivesse vencido seu câncer, talvez estivéssemos vendo ele, junto de Gilmour, naquela noite.

In Any Tongue foi a penúltima música do primeiro set. Bem floydiana, e um tanto quanto soturna, teve uma recepção mais morna, provavelmente por estar "espremida" entre vários clássicos do Floyd, afinal, foi antecedida por duas músicas do Dark Side of the Moon e sucedida por High Hopes, a última música do Division Bell, disco derradeiro do Floyd (desconsiderando o The Endless River, é claro). High Hopes também é um baita som, incontestável e tal, mas se pudesse escolher o set, provavelmente ela não seria uma das primeiras opções. Mas é uma música de muita força, tanto que teve uma das recepções mais calorosas do público. Quando terminou, Gilmour, que já havia falado algumas palavras com a gente, sempre agradecendo muito a recepção que estava tendo naquela noite, falou que a banda iria fazer um pequeno intervalo, coisa de 15 minutos.

Enquanto isso, era hora do pessoal ir no banheiro, renovar a energia, comprando uma ceva ou algo pra comer, e os "selfers" aproveitaram pra tirar suas 2837583475 selfies e filmar o palco, é claro. Eu e o Leão estávamos conversando sobre o quão foda estava sendo o show e estávamos lamentando o fato de estar na metade já, afinal, quem não queria ver o Gilmour por mais umas três horas, né? Além disso, a melhor parte do show ainda estava por vir, pois o primeiro set continha mais músicas do Gilmour solo do que do Pink Floyd.


Dito e feito. Pra começar o segundo set, Astronomy Domine, primeira música do primeiro disco do Floyd, The Piper at the Gates of Dawn. Da época que a banda tinha o Syd Barrett. Aliás, apenas o Syd Barrett, Gilmour ainda nem era membro do Floyd, mas era amigo de Syd. E acabou sendo uma bela homenagem de Gilmour para o amigo. Astronomy soou tão forte, tão alta, que, em certo momento, formou uma massa sonora quase inaudível. Versão realmente visceral desse clássico. Isso sem falar no espetáculo visual, o jogo de luz e sombra, seguindo a lógica da música. Sensacional.

Não menos sensacional foi ouvir aquele longo acorde de teclado, seguido pelas primeiras notas de Gilmour, tornando facilmente identificável que estávamos diante de Shine on Your Crazy Diamond, um dos momentos mais esperados da noite. Gilmour deu uma certa encurtada na música, é verdade, e notamos isso na hora, mas não diminuiu a grandeza desse clássico. Aqui, mais uma vez, quem se destacou foi João Mello, trazendo as rasgadas notas de sax do solo, no fim da música. E, novamente, o solo foi nota por nota.


Fat Old Sun veio em seguida. Sei que teve um pessoal que torceu o nariz um pouco, por não ser tããão forte assim pra um show, por ser meio sonolenta, sei lá, mas eu curti. É uma boa música, pouco lembrada, e a banda quebrou tudo no final, foi bem maneiro o arranjo que o Gilmour trouxe pro show, com esse final mais sanguíneo do que na versão do Floyd. Além disso, o efeito visual com o telão redondo todo com um vermelho meio alaranjado, imitando um "velho e gordo Sol" foi bem maneiro. E, ao final da música, a banda FINALMENTE apareceu no telão. Em vez de desligarem a projeção, o pessoal da edição ficou revezando entre os membros da banda, principalmente o baterista e o tecladista.

E, após terminar Fat Old Sun, tudo escureceu, e soava apenas um acorde longo e grave de teclado. A espera foi longa, acho que uns 30 ou 40 segundos, mas quando aquela primeira nota da Fender de Gilmour soou, tive a maior surpresa do show: Coming Back To Life. Não sabia que ela havia sido tocada em Curitiba, e descobrir na hora do show foi sensacional. Cantei do início ao fim. Sério, quase chorei quando descobri que era essa música. E Gilmour até hoje executa ela com perfeição, cantando muito bem, com sua voz e também com sua guitarra.

Após esse desfile de clássicos, que já tinha quase 10 músicas em sequência, Gilmour resolveu arrefecer um pouco os ânimos e executou a calma e jazzística The Girl in the Yellow Dress. Teve gente que não curtiu também, achou que soou deslocada no show, esse tipo de coisa. Eu achei sensacional. Essa música é um dos destaques do Rattle That Lock, tem toda uma sensualidade na letra e na melodia, o sax é sensacional. Seguindo, tivemos Today, a última música solo de Gilmour no show. Isso por si só já era animador, afinal, além de ser uma boa música do Rattle That Lock, ainda teríamos mais uma meia hora, aproximadamente, de Pink Floyd. O lado ruim? Teríamos apenas mais meia hora de show.


Sobre Today, apesar do início com um backing vocal meio sem graça, entramos em uma melodia meio pop, meio oitentista. Quando estava conhecendo as músicas do show, no dia anterior, tive que conferir na playlist se essa era a Sorrow ou não, pois elas estavam juntas, e sabia que Sorrow era bem datada por ser da fase oitentista do Pink Floyd. E, apesar de soar meio datada, não é uma música ruim, seu baixo é bem pronunciado, ela conta com um belo solo de Mr. Gilmour, como de costume, enfim. Sem motivos para reclamar.

Sorrow foi a penúltima música antes do fim (o fim não oficial, é claro). Aquela introdução sinistra, com Gilmour, apenas ele, iluminado pelos canhões de luz, destacado, fazendo sua Stratocaster urrar em notas graves e distorcidas, criava expectativa sobre o que viria quando entrasse toda a banda. E Sorrow, que já é uma baita música na versão original, fica ainda melhor ao vivo, perdendo um pouco desse elemento meio "anos 80" que permeia a sua melodia. Bela escolha, considerando que não é uma música tão badalada na discografia do Floyd, que poderia ter caído fora até mesmo pra Learning to Fly, do mesmo disco que ela.

Pra fechar o set, Run Like Hell. A música que mais me despertava curiosidade, afinal, como eu mesmo dizia, "como vai ser isso aí? Essa é uma música totalmente Roger Waters". Esqueci, porém, que Gilmour é um mestre em bons arranjos. A música continua com o mesmo tom e, em vez dele tentar se esganiçar todo pra alcançar as notas, o velho, marotamente, divide os vocais com o baixista, Guy Pratt. Gilmour canta a linha mais baixa. Pratt, a mais alta. E assim, a música ficou simplesmente SENSACIONAL. Mais bem cantada que a original, diga-se de passagem (não sou muito fã do estilo do Waters de sussurrar/gritar cantar as suas músicas), com um apelo visual muito foda, cheio de luzes, principalmente o círculo de refletores em volta do telão, que girava aleatoriamente, iluminando o público. Tanta iluminação, aliás, que fez os membros da banda usarem óculos escuros no palco, durante essa música.

E então terminou. Mas espera... cadê Comfortably Numb?

Era óbvio que ainda tinha mais por vir. E veio com tudo. Primeiro tivemos Time, também essencial (aliás, o Leão tava esperando mais por ela que por Comfortably Numb). Time foi executada à perfeição, arranjo extremamente próximo do original, solo sensacional, baixo, bateria, enfim, tudo. Um dos melhores momentos do show, com certeza. E, nem bem terminando Time, Gilmour e sua banda já emendaram em Comfortably Numb.

E aqui tive mais um daqueles momentos em que tu percebe a magnitude da coisa. Um impacto tão intenso em mim, que sempre acompanhou o trabalho do Pink Floyd, mesmo tendo nascido em outra época, quanto no tiozão que comprou vários vinis da banda, na época em que foram lançados. Aquela sensação de ver DVDs como o P.U.L.S.E., ficar maravilhado com os efeitos luminosos, os lasers, toda a experiência durante essa música. Algo que, internamente, tu imaginava que nunca fosse acontecer e, de repente, está ali, depois de mais de duas horas de um grande show, contemplando o grandioso ato final, fechando mais do que dignamente o espetáculo.

E Gilmour parecia não querer acabar. Seu famoso segundo solo misturava partes do solo da versão de estúdio com partes cuidadosamente estudadas, executadas e inseridas na música ao longo desses quase 40 anos em que ela fecha os shows de Gilmour, além de alguns improvisos. E as voltas passavam, muitas voltas de um solo maravilhoso, enquanto o público aplaudia e, secretamente, tenho certeza que torcia para, se fosse o caso, aquele solo durar mais 10, 20 minutos.

Mas como a vida não é assim, e o Gilmour tinha compromisso dois dias depois, na Argentina, a nossa belíssima versão de 8 minutos de Comfortably Numb foi a coroação de uma noite simplesmente perfeita, do início ao fim. Agora é torcer pra que, um dia, ele volte pra nos fazer celebrar, mais uma vez, a arte, a música do Pink Floyd. Será bem recebido, sem dúvidas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #9: David Gilmour em Porto Alegre (Parte 2 - Bruna)

Eram 15 minutos prometidos. Gilmour chegou em 10. Escureceu a Arena, e começou aquele barulho extremamente familiar. Era Astronomy Domine. Foi a música que eu mais pirei, eu gritava loucamente. Nossa, esperei por muito tempo e ela chegou. Não queria que acabasse mais. 
A LU CI NAN TE! Shine On You Crazy Diamond teve a mesma recepção que Wish You Were Here. Geral cantando. Exceto aquele pessoal que tirava selfies, que filmava o show inteiro. Estavam ali só pra dizer que ''foram num show importante''. Fat Old Sun dá sono. Atom Heart Mother é um disco bom, mas essa música é um sonífero, o ar bucólico é um sonífero - Matou meus ânimos que foram exaltados com Astronomy Domine. Coming Back to Life foi bacaninha e só, mas The Girl in the Yellow Dress foi do caralho. Baita música, baita músicos, baita projeção. Today foi bacaninha e só. Sorrow foi do caralho, mas Run Like Hell foi do caralho master. AH! E PESSOAL, NÃO É ANOTHER BRICK, ok?! Decepcionante... Um grande grupo cantou e curtiu, apresentação boa. Anote: Astronomy, Shine, The Girl, Sorrow e Run... MELHORES DA SEGUNDA PARTE! A segunda parte foi melhor que a primeira também.
Esse copinho era mais fácil de conseguir
e ele desafia a gravidade.
E pra terminar, Time/Breathe dando tristeza e alegria. Geral curtiu, mas queria mais. E encerrar com Comfortably Numb foi a chave de ouro. Ficamos satisfeitos, saímos com saudade. Queríamos sempre mais e mais. Depois, quando terminou, ficamos esperando ganhar um copo bonitinho que SÓ QUEM ERA DA PARTE DOS $ GANHARAM. Eles ficaram na nossa frente e muitos deles eram ridículos. Estavam ali só pra dizer que foram num show de um cara famoso. A maioria nem assistia o show. E assim, me despedi do pessoal, sem o copinho preto bonitinho, mas com boas lembranças e amizades.

Pontos Positivos:
1. Pessoal receptivo;
2. Começar segunda parte com Astronomy Domine;
3. Terminar com Comfortably Numb;
4. Algumas projeções, como em Money e The Girl in the Yellow Dress;
5. Ter um músico brasileiro na banda;
6. Pontualidade do Gilmour;
7. Humildade e carisma do mesmo;
8. Voz do Gilmour. Ele não usa playback. 
9. Solos do Gilmour.
10. A banda. Bem representada.
11. O espaço. A Arena tem uma ótima estrutura para shows.

Pontos Negativos:
1. Banheiro químico feminino (2) na fila. Porque só mulher mija. Além disso, pessoal furava a fila com facilidade.
2. Pessoal que furou a fila, jogou fumaça de droga na cara de gente nada a ver, atrapalhou quem queria ver o show porque estava filmando ou tirando selfie...
3. O estupro do preço de quem consumia lá dentro.
4. O espaço desnecessário que sobrou na área dos ricos e finos na nossa frente.
5. A falta de duas telas laterais, para projetar o show.
6. O não aproveitamento do espaço. Um palco central não seria uma má ideia, já que não tinha projeção do show.
7. Começar com músicas somente dele, ao invés de mesclar o Pink Floyd com o David Gilmour.
8. Run Like Hell não sendo reconhecida.
9. Fat Old Sun e a falta de café nessa música para manter o povo acordado.
10. O estupro financeiro para estudante INGRESSO, CARTEIRA DA UNE, FRETE (e quem não teve o endereço reconhecido, pagou 2 fretes, tipo eu. Seria mais válido ter pago uma inteira.).

Devo ter esquecido de detalhes, mas ok. Minha postagem simples termina por aqui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #8: David Gilmour em Porto Alegre (Parte 1 - Bruna)

Relatos do magnífico show de 2015 na íntegra:

Eu imaginava o quanto seria louco ir num show de grande porte baseado no que os meus amigos falavam. Ate então, louco era ir num show dos Titãs no bar Opinião ou no Cachorro Grande no Parque da Redenção.  Então, assim que eu tinha recebido meu mísero salário de pesquisadora, fui encarar uma fila enorme de tiozões na loja. Eu precisava comprar logo aquele ingresso e iria sozinha. Comprei pista, era o que dava no meu orçamento. Então, meu primeiro show internacional. Eu sentia medo, porque iria me separar do pessoal. Eu ficaria sozinha. O calor estava insuportável e eu já tinha bebido um tanto até ali. Eu estava um pouco tonta com aquilo tudo e com receio de me torrar no Sol. Fora isso, eu precisava ficar perto do banheiro. Quando cheguei à fila, me deparei com um grupo de guris de Santa Catarina atrás de mim e na minha frente, um tiozão com o seu filho (que é guitarrista, isso eu lembro vagamente). Já fiz amizade com o pessoal. Bebemos mais um pouco, dividimos o protetor solar, a gente revezava pra cuidar o lugar na fila enquanto alguém ia ao banheiro e ainda nos ofereceram água. Pessoal muito gente boa. Fora isso, achei meio ridículo colocar dois banheiros químicos femininos na fila e numa localização na qual as pessoas não iam ao banheiro e sim furavam a fila. Então, entramos todos correndo pra pegar um melhor lugar. Foi doido. Eu achei um lugar bem na frente. Fiquei horas de pé e depois sentada, ouvindo músicas legais. Fiquei sozinha. Não interagi com ninguém, eu estava cansada. E dai? Eu ia ver o Gilmour! Então chegou – do nada – o Duca Leindecker. Foi bem fraquinho o show. Ele cantou sucessos como Pinhal, Do Nosso Tempo, Dia Especial, O Amanhã Colorido e Girassóis. Só quem cantava era eu e mais um pingo de gente. Claro, para o cara foi um baita momento, mas para nós, foi bem fraquinho. Ele até tentou interagir com o pessoal e tudo, mas não. Acho que muita gente não o conhecia. Então, ficamos lá, esperando e chega também do nada o David. Chegou uns 10 minutos antes, que amor! Chega ele com toda a humildade do mundo. O estádio é lindo (mesmo eu sendo colorada), mas com o Gilmour ficou muito mais legal. 

Antes de começar a falar sobre o show, dois pontos:
1.       Sou uma pessoa baixa. Custava dar um espacinho pra mim? Não, é preferível ficar na frente de todo mundo com a mão levantada pra filmar o show. Tinha gente que mal via o show, mal sabia algumas músicas... Mas passou só tirando selfie. Sério, ridículo. Ainda bem que fiz amizade com uma galera de Florianópolis e de Santa Maria. Consegui um espaço e não fui encoxada.
2.       Fume sua maconha, mas não bafore na nossa cara. Obrigada, de nada.
Não quero ser chata, mas respeito é bom.

Então, Gilmour abre com músicas que só quem é fã mesmo saberia. Deu pra ver que o pessoal estava ali pra ouvir as mais conhecidas do Pink Floyd e não as músicas propriamente dele.
5 A.M. foi chapante. Foi o momento de curtir aqueles – APOTEÓTICOS solos, que engata logo com a mais ‘’dançante’’ Rattle That Lock. O pessoal curtiu muito o vídeo que foi projetado. Muitas pessoas não conhecem esse lado do Gimour, só as mais famosinhas e talvez tenham ido no show para ver essas mesmo. Mas antes de rotular, chamar de poser, há algo positivo: Geral que desconhecia curtiu e com certeza agora, vai ouvir mais o Gilmour. Faces Of Stone soou mais desconhecida ainda. Acho que começar com músicas não tão famosinhas, sabe... Três tacadas de uma só vez, deixou o pessoal entediado e ansioso. Menos eu e uma minoria que conheciam as músicas, que tivemos tempo de ouvir. Ah, preciso falar de Wish You Were Here? LÁGRIMAS ROLARAM! Eu estava com um grupo de pessoas, metade Porto Alegre, metade Santa Maria, metade Florianópolis e o sentimento foi unânime. Era um coro, o coração palpitava. Foi a música que mais tocou o público. Juro que A Boat Lies Waiting e The Blue eu não lembro muito visualmente, mas eu curti. Nossa, ambas são lindas musicalmente. Na hora, eu lembro de estar meio extasiada com as músicas, eu fechava muito os olhos para somente ouvir e sentir o quanto era boa a sensação que as músicas traziam. Não há explicação.

Money foi projetada também. A sensação foi como Wish You Were Here. DELIRANTE! Muitos gritos, pessoal dançando e cantando. E gente: QUE SAXOFONISTA! Um moço brasileiro muito fofo, João de Macedo exalou talento.  Foi uma das melhores músicas daquela noite. Us and Them do clássico Dark Side Of The Moon e High Hopes do Division Bell foram também muito aclamadas. Entre elas havia In Any Tongue, uma música bem ''que som, senhores!''. Eu não lembrava dela e eu nunca lembro muito dela, mas gosto toda a vez que ouço. Não lembro de nada tão especial no show quando tocaram essas músicas, exceto High Hopes - Fui conversando com muitas pessoas e também era uma das músicas mais esperadas do show.

Depois... Ele anunciou uma pausa de 15 minutos. Quem disse que eu iria sair do lugar? Não, fiquei me distraindo com o pessoal na minha volta, que estavam maravilhados com tudo aquilo. A sensação de dor nas pernas, de bexiga cheia e de fome passaram rapidinho. Primeira parte foi boa, mas eu não esperava que a segunda parte seria muito melhor.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Aconteceu em Porto Alegre #7: David Gilmour na Arena do Grêmio (Parte 1 - Arthur)

Exatamente uma semana depois desse grande espetáculo que passou aqui em Porto Alegre, cá estou pra relatar a experiência simplesmente única que tive nesse dia 16/12. Como foi basicamente um dia inteiro em função do show, desde o momento em que acordei até o momento de ir dormir novamente, teremos duas partes. Essa primeira vai contar sobre a jornada que fizemos, como disse anteriormente, desde que comprei os ingressos até 21:00 do dia do show, quando Gilmour entrou no palco. Sendo assim, vamos lá. 

Pouco mais de dois meses antes, também em uma quarta-feira, 9 de setembro, estávamos na expectativa sobre a abertura da venda de ingressos pro show. Entre as várias dúvidas, as principais eram sobre quanto tempo iam durar os ingressos e se dava pra fazer compra pela internet dos ingressos de estudante, com meia entrada. Lembro que, naquela noite, tinha jogo do Grêmio, 22:00, e acabava mais ou menos quando começava a venda dos ingressos, 00:00. 

Deixei o computador ligado, é claro, pra chegar furando o F5 logo quando terminasse o jogo. Só que esqueci desse detalhe depois da partida (também, foi um baita jogo), e fui levar os lixos logo depois do fim. Cheguei 00:05, entrei no site (também não lembrava que já tinha cadastro) e peguei meu lugar na fila. Aproximadamente atrás de SEIS MIL PESSOAS. E tinha prova no outro dia, 13:30, mas né... show do Gilmour é mais raro que prova de Química da UFRGS (e mesmo assim, sem dormir direito, tirei 9,2 na prova HU3HU3HU3).

Resumo da ópera, consegui meu ingresso exatamente às 02:27, depois de MOFAR na fila virtual (quase deu pra ouvir Echoes inteira... naum, pera), mas ali começava a jornada pro show. Sabia que essa mofada também aconteceria no dia, por isso peguei cadeira Gold. Claro que, após permanecer tanto tempo assim esperando, optei por pagar mais 16 dilmas e receber o ingresso em casa. Posso dizer que foi uma escolha acertada, considerando que ia acabar gastando parte desses 16 reais em passagem de ônibus, pra ir buscar o ingresso. Além disso, ele veio num envelope, bem protegido e tal. Devo admitir que a Blueticket, empresa que trouxe Gilmour pro Brasil, mandou bem nesse quesito. Apesar da demora na fila, o site é bem organizado, tem todas as informações bem dispostas, fáceis de serem encontradas, e a venda transcorreu super bem. Minhas críticas à empresa provavelmente virão à tona ainda nessa postagem, mas mais abaixo.  

Apenas achei um fato negativo sobre esse processo da venda. Como o único controle da empresa sobre a autenticação do pedido é o pagamento do valor do ingresso em si, a maioria dos ingressos esgotou dois ou três dias após o início das vendas e, como muita gente "comprou" só pra garantir o seu, mas não pôde pagar, os ingressos voltaram pra venda. Muita gente acabou tendo que comprar outro setor por causa disso. Foi o caso da Bruna, inclusive, que teve que pegar pista, pois, quando tava com grana pra comprar o ingresso, as vendas estavam nesse período que não tinha ingresso pro setor que eu, o Leão e a Laura (nossa amiga, inclusive nos acompanhou lááá no show do Black Sabbath, lembram?)

O ingresso chegou pelo correio e, aproximadamente uma semana depois, veio a carteirinha de estudante, que tive que fazer também, por causa da nova lei de meia entrada. Tudo bonitinho, bem feito e tal. Até esse momento, a Blueticket tava só ganhando pontos comigo. Deixei os dois envelopes embaixo de todos os cadernos que ficam na minha bancada. Sabia que ainda demoraria mais dois meses pro show, o que é bastante tempo, então a melhor coisa a ser feita era esquecer. Esquecer do show aqui, no caso. Lá fora, enquanto Gilmour iniciava a turnê, na Europa, eu já estava de prontidão, acompanhando o setlist. Set que me agradou bastante, diga-se de passagem, apesar de, como qualquer pessoa que vai em um show solo de um ex membro de uma grande banda, desejar que ele tocasse mais músicas do Pink Floyd. 

Lembro que falamos poucas vezes sobre o show. Mais pra perto do dia, ali pelo começo de dezembro, começamos a combinar melhor como faríamos pra chegar lá, juntos. No fim das contas, optamos por sair daqui de casa, cedo (algo como 14:00 ou 14:30), ir para o centro, que é algo bem rápido, e, de lá, pegar algum ônibus pra Arena. Isso porque, dos quatro, a Bruna só foi na Arena por causa do espetáculo (afinal, ela é sofredora), e o Leão e a Laura, apesar de serem gremistas, nunca tinham ido no estádio. Eu também não teria ido se não fosse um golpe de sorte que me ocorreu duas vezes, mas enfim. Como eu era o mais experiente, ia meio que guiar o pessoal. Por isso, sabia que pegar o T2 Arena, ali no Praia de Belas, era fria. Quando eu e o meu pai fomos no GRE-nal da final do Gauchão, nesse ano, ele demorou quase uma hora pra chegar lá, porque é uma linha de ônibus que dá umas 2387324750934908 voltas pela cidade. 

Uns dias antes, comecei aqueles preparativos clássicos pra um show. A exemplo do que foi no Jethro Tull/Ian Anderson, eu e o Leão iríamos juntos pro show, então passei no super e comprei um fardinho de Bud, porque vale mais a pena pagar 3 reais uma latinha e ir tomando uma ceva no caminho pro show do que pagar 10 lá dentro. Como no final combinamos de os quatro irmos juntos, no dia do show, eu e a Bruna fomos de manhã no super e compramos mais um fardinho, além de uma pizza, afinal, o almoço teria que ser algo rápido. Mesmo assim, enquanto o Leão não chegava, deu tempo da Bruna acompanhar a Laura até o trampo dela pra buscar alguma parada que ela tinha esquecido, sei lá. E deu tempo também de gelar as cevas, é claro. 

Dito e feito, 14:20, aproximadamente, saímos pra parada. Chegamos no centro, no terminal onde pegaríamos o ônibus, mais ou menos umas 14:40. Logo chegou o bus e, não muito depois das 15:00, estávamos no entorno da Arena. Demoramos um pouquinho para achar o caminho certo, mas encontramos alguns amigos nossos e lá ficamos, bebendo, conversando (a Bruna teve que sair um pouquinho antes, pois a entrada pela pista era em outro lugar, e certamente seria pior do que o que a gente passaria ali nas rampas de acesso) e curtindo um som dum pessoal hippie que tava lá animando a gurizada. E sim, é hippie, mas assim, Hippie, com o "h" maiúsculo mesmo. Inclusive vieram num kombão (capaz de terem chegado só agora de Woodstock... o primeiro, no caso). Depois do show, pesquisando um pouco nas páginas relacionadas, descobri que se trata da "Banda Chromakey". Bem legal o som deles, o baixista manda tri bem.
Ficamos ali, como disse antes, conversando, bebendo, vendo um pouco do show dos caras, o de sempre. Aquele tipo de coisa que sempre fazemos pra passar o tempo enquanto os portões não abriam (a promessa era que a abertura aconteceria às 17:00) - e num show desse tamanho, SEMPRE demora pra passar. Mas finalmente chegou a hora, e os portões abriram. Tivemos mais ou menos uns 10, 15 minutos de atraso. Até aí, ainda tava tudo bem, o pessoal todo tava concentrado nesses portões e, como a velocidade do pessoal da revista não permite que passe tanta gente ao mesmo tempo, o fluxo ali na entrada da rampa era tranquilo, tanto que estávamos mais ou menos no meio da multidão (claro que tiveram uns mongol que entraram pelo portão errado, o que sempre atrapalha) e chegamos para a revista só às 17:30, aproximadamente. Até tentamos esperar pela Laura, mas acabamos perdendo ela de vista enquanto a "fila" andava lá embaixo. Resolvemos seguir em frente, para achar um dos portões de acesso que podíamos entrar. Aí começaram os problemas. 

Primeiro de tudo, filas. Obviamente, não tem nada a ver com o pessoal da Arena, pois uma empresa que gere um estádio durante o ano, com públicos sempre muito grandes, sabe como funciona o esquema de acesso. Como o show tava na mão da Blueticket, eles começaram cagando aqui. Abriram o portão da rampa, lá embaixo, umas 17:10, como dito acima, mas foram abrir os portões que davam acesso ao interior do estádio após 18:00. Esses pouco mais de 50 minutos de diferença foram suficientes pra superlotar o entorno, fazendo filas de portões diferentes ficarem lado a lado, fazendo o formato final da fila de um mesmo portão virar um caracol (só que com o fim voltado pra dentro) e, claro, facilitando MUITO a vida de um bando de mal educados que furou a fila, no momento que a "organização" (entre mil aspas, porque, como o Leão disse na hora, "parece até que o pré requisito pra tu trabalhar em uma empresa dessas é ser incompetente") foi lá pedir pro pessoal andar um pouco a fila e preencher um espaço que tava vazio. Quem tava duas ou três voltas pra trás resolveu, malandramente, juntar com a fila que tava paralela e cagou tudo. Parabéns aos envolvidos, afinal, era só ter aberto a porra do portão de dentro no mesmo horário que no de fora e não teria fila ou problema algum, facilitando pra todos. Do jeito que foi feito, era óbvio, pra quem chegava ali, que ia dar merda. Ainda por cima tivemos que ouvir de um desses idiotas da organização que "a fila é um acordo de cavalheiros" e não sei mais o quê. Só não achei muito cavalheiresco pagar 240 reais num ingresso, cobrindo, inclusive, os gastos da equipe da produtora, pros caras cruzarem os braços e simplesmente torcer pelo bom senso das pessoas, o que, era óbvio, não ia dar certo.
Na foto principal, o trajeto que fizemos até o portão.
No detalhe, como estavam se "organizando" as filas.

Além disso, sei de relatos, de outras pessoas, sobre a desorganização na entrada, em que alguns funcionários exigiam a carteirinha de estudante da UNE, outros apenas pediam alguma carteirinha que comprovasse o direito ao benefício, e outros sequer pediam comprovação. Teve gente que teve que arrumar alguma maneira de conseguir dinheiro, pra inteirar o valor do ingresso ali na hora, bem como outros casos, como o do Leão, que a lei não garante benefício pra estudante de pré vestibular. No fim, o que deu pra perceber é que, como sempre, quem ganha com uma lei nova aqui no Brasil, até mesmo como essa da meia entrada, são as produtoras de show. Os caras simplesmente dobraram o preço do ingresso e ainda conseguem pescar alguns estudantes que não têm direito ao benefício, o que por si só já é um absurdo. 

Mas chegamos, finalmente. Adentramos o estádio e, enquanto dávamos uma analisada nos lugares e onde sentar, vimos que, lá embaixo, a pista já tava com bastante gente, e que a escolha da Bruna de ir pra lá mais cedo foi acertada. Sentamos em duas cadeiras no meio de campo, mais ou menos, que era o lugar onde eu imaginava que ficaríamos bem acomodados, enxergando o show, dentro do possível, de perto. Infelizmente, me enganei, pois o telão ficava cortado quase pela metade - pra quem não sabe, Gilmour utiliza apenas um telão central, circular, desde as últimas turnês ainda do Pink Floyd, e ele acabava ficando encoberto pelas laterais do palco, dependendo do ângulo em que tu te localizava. Assim, não demorou muito e optamos por sentar mais ou menos na curva do estádio, onde não seria o lugar mais distante de todos e, ao mesmo tempo, teríamos a visão plena do telão (que descobrimos, quando inciou o show, que não valeu tanto a pena assim, mas é a vida). 

O som ambiente estava meio baixo, mas com boas músicas. Lembro ter ouvido Down Under, do Men at Work, All Along the Watchtower, tava bem maneiro (diferente daquela vez do Sabbath, que o cara do som exagerou só MUITO na dose de AC/DC). Enquanto tocavam essas primeiras músicas, ligamos pra Bruna pra saber como tava tudo lá embaixo e eu consegui enxergar ela falando com a gente, e olha que eu e o Leão estávamos bem longe até. Abanamos e tal, mas ela não conseguiu nos ver (só no intervalo do show que ela nos achou). Enquanto o Leão foi buscar um cachorro quente (que tava custando 15 dilmas, por isso dividimos um, afinal, ninguém aqui é rico ou tão trouxa assim), começou o show de abertura, mais ou menos umas 19:30. Quem teve as honras foi Duca Leindecker

Devo dizer que achei bem mais ou menos o show. Por mim, se tivesse levado meu tablet, teria ficado ouvindo um Rush, Deep Purple, algo do tipo. Duca é um bom músico, mas não empolga. A prova disso é que, mesmo com o estádio já relativamente cheio, ele pedia pro pessoal cantar e não se ouvia nada. Eu, particularmente, acho que pra abrir um show de um artista do cacife do Gilmour (não esqueçam que, por lei, tem que ser um artista daqui do RS, se não me engano), teria convidado ou um Humberto Gessinger da vida, pois Engenheiros do Hawaii é, sem dúvida, a maior referência de rock gaúcho, ou algo mais quente, animado, como um Vera Loca. Ficou no meio termo, trouxeram um cara que é tão "chato" quanto o Gessinger, mas tão conhecido como o Vera Loca. Por isso, acabei achando o show meio morno, e tava mais preocupado com a demora do Leão em chegar com o cachorro quente do que com o show em si. 

Uns 10 minutos depois de terminar o show do Duca, chegou o home com o cachorro quente. E esse tempo todo foi só por causa da demora da fila mesmo, como sempre a falta de organização reinando. Aí, nesses 40, 45 minutos que faltavam, além de comer o cachorro quente, ficamos observando o público, conversando, esperando. Novamente o relógio estava contra a gente, se arrastando. Olhávamos a hora e era 20:20. Olhávamos novamente, depois do que parecia ser uma eternidade, e era 20:35. Nesse momento, após o show de abertura, os refletores da Arena já começavam a acender e, do lugar que estávamos, era possível ver uma bela paisagem, do contraste do estádio, bem iluminado, com o céu, que gradualmente escurecia, nos preparando para essa grande noite com um dos maiores e melhores guitarristas de todos os tempos.