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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Notícia: Um (re)lançamento com a realeza da majestade


Eu até não pretendia postar nada hoje, ainda não me livrei de uns pepinos que tenho que resolver, mas tive um motivo de força maior, então, vamos logo ao que interessa. 

Qual não foi minha felicidade em entrar no youtube pra ver os vídeos novos de hoje e me deparar com uma thumbnail cheia de vinis coloridos... cliquei pra ver do que se tratava e, bem, o título já dá uma boa mostra. Sua Majestade, o Queen (ou se preferirem, Brian Money e Roger Taylor), vai relançar, a partir do dia 25 de setembro, TODO o seu catálogo de estúdio, com mais uma remasterização, em uma edição especial, com vinis coloridos, 180 gramas e a porra toda. Seria apenas mais um relançamento, mas... esse aí tá caprichado, daqueles nível Pink Floyd. Quem quiser comprar vai poder optar por um boxset - contendo todos os discos e mais um livro com curiosidades sobre as gravações, memorabilia, fotos, aquelas paradas clássicas de boxset -, ou comprar individualmente os discos de sua preferência, ou todos mesmo, se for o caso, mas aí sem o livro. 

Fui ver no site e o box vai sair por 285 euros, ou, cada disco, 19 ou 25 euros (depende se são simples ou duplos... no caso, os duplos serão o Innuendo, o Made in Heaven e o Queen II). O preço do box tá salgado sim, lógico, mas... são 15 discos de estúdio, ao todo, 18 vinis de qualidade, importados, com o livro, com um box caprichado, bem bonito. Vai sair aqui no Brasil por umas 1000 dilmas, mas faz parte. Bem na boa, depois desse lançamento, acredito que vou ter que comprar um bom toca discos, uma caixa de som potente e esse box. Não necessariamente nessa ordem. 


sexta-feira, 3 de julho de 2015

On the Charts #27: Os 35 anos do The Game

Sim, após mais ou menos cinco meses (e nove On the Charts), temos outro disco aniversariante do Queen. E a regra é clara: postagem boa do Queen tem que fazer sucesso, então já sabem ;) como é melhor eu não me enrolar muito por aqui, pra não dar preguiça de continuar a postagem, já vamos de cara ao que interessa.

The Game é o oitavo disco de estúdio do Queen, lançado em 30 de junho de 1980. Desde sua duração até sua sonoridade, passando pelas composições, é um disco que deixa muito claro o rumo do tipo de música que o Queen faria nos anos 80. É um divisor de águas da carreira da banda. Apesar de ser o primeiro lançamento a não conter a frase "No synthesizers!" na capa/verso, não chega a ser algo como o Hot Space, onde o som foi completamente tomado pelos sintetizadores. Aqui eles jogam a favor da banda, servindo como efeitos sonoros, mais um recurso para ser utilizado no estúdio. E, por outro lado, a banda já não tem aquela coisa da pompa, da classe, da pretensão dos lançamentos setentistas, como A Night at the Opera, News of the World e outros. Não é à toa que a crítica da Rolling Stone (apesar deles historicamente terem sido meio pau no cu com a banda enquanto estava na ativa) elogia muito The Game, afirmando que "é bom ouvir um disco do Queen que contenha canções, não hinos". E, realmente, a acessibilidade do disco, a facilidade de digerir suas canções é imensamente superior aos lançamentos anteriores. Até mesmo o Jazz, que já tinha uma pequena mudança no som, em direção a essa faceta mais pop. 

Quanto a vendagens... bem, essa maior acessibilidade do som se reflete em números também. The Game é o disco mais vendido do Queen nos EUA, com quatro milhões de cópias comercializadas, além de ser o único número 1 da banda nos 200 da Billboard. Foi gravado no Musicland Studios, em Munique, entre junho e julho de 1979 e entre fevereiro e maio de 1980, e produzido por Reinhold Mack (o cara que ficaria conhecido por estragar o som da banda no Hot Space). Eu, particularmente, aprecio muito esse disco, justamente pelo fato do melhor (não confundam com o maior) registro ao vivo da banda - o Rock Montreal - ter sido feito com um setlist baseado majoritariamente em músicas desse disco, e pelo fato de, até aqui, a discografia do Queen ser irretocável. Mas o resto da discografia deixemos para outro dia. 

Começamos os trabalhos com Play the Game. Aqui o sintetizador já dá o ar da graça... aliás, os primeiros 15 segundos são SÓ de sintetizador, até, abruptamente, Freddie entrar, voz e piano, com a bela letra dessa música. Uma melodia bem simples, mas cativante, repleta de backing vocals sensacionais, como de costume. Deacon é quem manda muito bem nesse som, durante as estrofes fazendo uma progressão oitavada, seguindo o vocal de Freddie. Aliás, apesar do resultado da música ser muito bom, a versão ao vivo, principalmente do Rock Montreal, é muito melhor, mais viva e menos engessada (acostumem-se com essa minha afirmação sobre as versões ao vivo... produção do Mack). A ideia de começar com um "solo" de piano caberia inclusive na versão de estúdio, em vez do sintetizador. Mas, como disse ali em cima, o resultado é sensacional, pois, apesar de, nesse começo, ainda não parecer esse novo Queen que eu falei, a música é mais enxuta, mais fácil de digerir, mesmo tendo uma certa pompa.

Mas não dura muito essa impressão. Mal termina Play The Game, em fade out, e já entra uma batida reta, um riff sensacional de May e Deacon. E sim, a exemplo da primeira música... ao vivo Dragon Attack é melhor. Mas ela é beeeem alterada ao vivo, porque em estúdio temos muitos overdubs, de bateria inclusive. Uma novidade, pra mim (percebi só agora mesmo), que o baixo não para durante as estrofes. Achei que ficava apenas Mercury e Taylor, mas não, láááá no fundo, bem baixinho, Deacon segue com a linha. Aliás, Deacon manda bem demais aqui de novo. Depois do "mini solo" de Roger, ele que dá uma soladinha sensacional, manja muito o menino Deacon. Depois temos o solo de May, que começa mais ou menos a 2:30 e vai até o fim da música. Dragon Attack, no fundo, tem um quê de improviso, por isso que ao vivo eles reduziam um pouco ela.

Another One Bites the Dust é a terceira música. Bem, é um clássico, dispensa maiores explicações, certo? Errado. Por pouco, essa música não ficou DE FORA do The Game. A banda achava que era apenas uma zueira, sem maiores intenções. Até que rolou o encontro com Michael Jackson e essa música foi apresentada pra ele. Basicamente, Michael não conseguia acreditar que a banda não queria incluí-la no disco. E, com o faro apurado pro sucesso como Michael tinha, ele estava certo. Quando à música em si, é uma das linhas de baixo mais simples que Deacon criou no Queen, assim como uma das mais cativantes. Com a presença mais discreta da guitarra, limpa, fazendo poucas intervenções, e a bateria com fita tape, abafando mais o som da caixa (coisa que o Roger odiava, inclusive), é o baixo quem comanda a música, e o faz com maestria. O grave de Another One Bites the Dust é pulsante, o tempo todo. Aliás, a ideia da banda de apostar num "solo sem solo" no meio, apenas com a bateria e os efeitos também tem seu valor. Em estúdio não é nada de destaque, mas ao vivo permitia que a banda brincasse com a plateia.

Terminada essa parte mais funk do disco, com duas músicas mais suingadas em sequência, temos meio que uma power ballad em sequência: Need Your Loving Tonight. Não é uma baladinha melosa, como Love of My Life, mas não é um rock mais pesado. Fica num meio termo. É outra música extremamente simples, aprendi os acordes dela com facilidade uma época. A letra, mesmo sendo meio triste, falando de um amor perdido, não consegue se sobrepor à melodia, temos meio que um paradoxo aqui. Mais ou menos o que acontece com Bad Moon Rising, do Creedence. O solo de May é "simples pero cumplidor", Roger e Deacon fazem uma batida mais reta, adequada, e os backing vocals aqui são sensacionais.

Fechando o lado A, Crazy Little Thing Called Love. Outro clássico incontestável, outra música extremamente simples. Pudera, foi composta por Mercury, que, segundo palavras do próprio (quando ia anunciar essa música no show), "sabia dois ou três acordes quando o Queen começou. 10 anos depois, ele continuou sabendo esses mesmos dois ou três acordes, então compôs essa música". Aliás, essa não é a única história engraçada dessa música. Segundo as lendas de estúdio, Freddie a compôs no banheiro, coisa de 10 minutos, e chamou Roger e John para irem direto ao estúdio. Segundo Freddie, "queria terminar logo antes que Brian chegasse, senão tudo ficaria demorado demais". Tinha que ser o Brian e suas 45840375897069 tracks de guitarra simultâneas.

Musicalmente, ela é bem simples, o que faz todo o sentido, afinal, é uma grande homenagem ao Rockabilly. Em estúdio, ela é um pouco mais engessada. Nada de novo aqui, já percebemos que é esse o padrão do som no disco, e faz parte, não que seja um grande demérito. Destaque pra performance mais grave de Freddie e pro solo de Brian. Existem algumas curiosidades interessantes que essa música nos proporcionou. A primeira, que já foi citada, é que temos aqui o debut de Mercury nas seis cordas (não sei se em algum momento da carreira do Queen ele volta a tocar alguma coisa de guitarra/violão em estúdio, pelo menos ao vivo eu tenho certeza que não). A segunda é que Brian, ao vivo, toca o solo dessa música com uma Telecaster preta, o que me leva a pensar que o solo também foi gravado com ela, por causa do timbre, que em nada lembra a Red Special. A terceira é Freddie foi quem fez o primeiro solo de Crazy Little Thing Called Love, mas a versão foi perdida, então Brian teve que criar outro.

O lado B inicia com Rock It (Prime Jive). Música mais longa do disco, com 4:30, começa com Freddie cantando, Brian num dedilhado e John acompanhando, uma morosidade, parece que não vai rolar nada demais... até que Roger entra e a porrada pega. Certamente é a música mais pesada e rápida do disco, rockzão mesmo. Inclusive é Roger quem canta ela, o que explica muita coisa. É uma música divertida, mas não é um grande destaque. Também, perto das concorrentes de antes, tudo fica mais complicado. E essa tendência se mantém durante quase todo o lado B, onde temos músicas muito boas, mas sem o apelo comercial do início do disco. Anyway, são músicas muito boas.

Don't Try Suicide é uma delas. Com uma cara meio de jam, conduzida, no início, por palmas e pelo baixo de Deacon, tem uma letra muito baseada em aliteração, repetição de frases e tal. Não é uma música de se ouvir muito seguido, ela enjoa mais fácil. Mas a ironia da letra é sensacional. Como eu li em outro site, tem uma pitada de Alice Cooper. Quando ao instrumental, ele joga bastante com essas paradas de luz e sombra. A ponte, no meio, é bem maneira, com um toque de Rockabilly também, seguida de uma parte muito maneira de pergunta/resposta entre Freddie e o backing vocal. E termina do mesmo jeito que começou, baixo, palmas e um fade out.

Já Sail Away Sweet Sister é totalmente Brian May. Composta e cantada por ele, é uma homenagem à irmã que ele nunca teve. Além dessa fina ironia, é uma balada simplesmente sensacional, uma das melhores do Queen. A melodia triste combina totalmente com o vocal melódico (ou de emo velho, como eu já ouvi gente dizer xD) de Brian. Daquelas baladas que só Brian sabia fazer, assim como o solo dela. Interessante ressaltar a classe do baixo de Deacon, que sabia como ninguém oitavar quando necessário.

E, mal terminamos essa balada, bem melódica, sentimental e esse tipo de coisa, e Roger começa uma série de batidas com um flanger bem maroto na sua batera. Coming Soon é outro rockzão, ao estilo de Prime Jive, mas um pouco mais engessado. Roger abusa aqui dos tambores, principalmente do surdo. É uma música curta, bem maneira. Quem faz intervenções sensacionais ao final de cada verso é Brian, tão maneiras quanto o solo, que não é nenhum primor, em relação à velocidade, mas tem um feeling demais. O legal que dá pra perceber direitinho as diversas brincadeiras que a banda faz com efeitos sonoros durante a música. Pena que nunca foi tocada ao vivo, assim como as duas anteriores.

Save Me, a música que fecha o disco, foi tocada durante a turnê do The Game e durante a turnê do Hot Space também. A exemplo de Need Your Loving Tonight, a letra é sobre um amor perdido, uma ilusão e tal. Mas nesse caso, a melodia é também muito sentimental, acompanhando a letra. Esse par forma, sem dúvida, uma das baladas mais bonitas que a banda já criou, com pitadas daquele Queen antigo, dos anos 70, como as tracks dobradas de guitarra. Ouvindo ela, nota-se a interpretação mais que realista de Freddie, de quem sofre por um amor. E por que não dizer que isso ultrapassa a interpretação? Sabemos que uma das maiores frustrações de Freddie foi a de não conseguir encontrar um verdadeiro amor, a de, digamos, "não saber amar". E, ao vivo, as versões de Save Me eram ainda mais legais, porque quem começava ao piano era Brian, e só trocava o posto com Freddie logo antes do solo.

Infelizmente, não consegui um vídeo com o disco completo, vou deixar o link pra playlist no canal do Queen :D

Bom, acredito que já me estendi demais por aqui, ainda mais considerando que The Game é o disco mais curto da banda (só ganha do Flash Gordon OST), mas é um disco que merece uma detalhada "ficha", assim como normalmente faço com os lançamentos do Queen. Por hoje era isso, galera. Ouvi dizer que o Leão tá preparando uma postagenzinha maneira sobre o Rainbow, daquela série dele. Quando vai sair eu não sei, mas talvez agora fim de semana. Eu ainda tenho mais uma prova na facul, por isso vou pensar primeiro no planejamento do mês, afinal, depois é férias, e aí vai ter postagem afu. Por enquanto, o negócio é física.

Quem gostou da postagem, por favor, não esqueça de compartilhar com os amigos, curtir nossa página no face, nos seguir no twitter. São pequenos gestos, mas que nos ajudam muito. Valeu!  

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Quando palavras não são necessárias... 21

Galera, sei que o negócio tá indo de mal a pior nesse mês, realmente não estou conseguindo postar porque tem teste, prova, esse tipo de coisa. Peço desculpas. Mas vou tentar aumentar um pouco a frequência, mesmo que com postagens mais simples. E já que a tônica é de postagens simples, vamos lá, sem enrolação... ahh, tem uma temática, só pra avisar. 





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

On the Charts #18: Os 40 anos do Sheer Heart Attack

Sim, depois de três, TRÊS meses atrasando essa postagem, finalmente vai sair. Como fã de Queen, me sinto um tanto quanto envergonhado por isso, e peço que os outros fãs me desculpem pela negligência, mas não foi só preguiça. Acredito que, se não fosse o vestibular (também), ela sairia mais ou menos perto do seu aniversário real. Bem, vamos ao que interessa. 

Sheer Heart Attack é o terceiro disco de estúdio do Queen, lançado em 8 de novembro de 1974. Marcado por uma reafirmação da sonoridade do segundo disco, de março do mesmo ano, mostra um grande amadurecimento musical da banda, inclusive pelo fato de, finalmente, o disco conter singles de sucesso: Killer Queen e Now I'm Here. Predominado por músicas curtas (a maioria entre dois e três minutos), soa como um prenúncio do que aconteceria um ano depois, no clássico A Night at the Opera. Como já ouvi falar por aí, "o Queen do Sheer Heart Attack é o Queen do A Night at the Opera sem dinheiro". Nada mais que a verdade. Essa era justamente a época que a banda fazia disco em cima de disco, shows diários (às vezes, dois shows por noite, o que contribuiu bastante para o desenvolvimento dos nódulos na garganta de Freddie Mercury), e a grana simplesmente não entrava, porque o rato que eles contrataram como empresário roubava tudo. A música de abertura do A Night, Death on Two Legs, fala sobre isso. Mas essa é outra história, que vai ficar pro fim desse ano. O disco de hoje é outro, então vamos a ele. 

Fundo do CD na versão remasterizada de 2011
Sheer Heart Attack inicia com Brighton Rock. Música mais longa do disco, com cinco minutos, começa devagar, com uma introdução circense, parece uma situação de rua (inclusive alguém assobia "I Don't Like to Be Beside the Seaside". Pra quem não sabe, essa canção popular fecha o Queen II, sendo cantada bem no finalzinho de Seven Seas of Rhye), e depois vai engrenando. Conta com um acelerado ritmo conduzido por Roger Taylor, com um belo uso do prato de condução, vocais em falsete de Freddie, e o principal: um longo solo de guitarra de Brian May. Esse "solo de Brighton Rock" ficou famoso, justamente por ser um momento onde apenas temos a guitarra, toda a música para. Na Magic Tour, por exemplo, uma das músicas do Live At Wembley leva justamente esse nome citado antes. E do que se trata? Um solo de 9 minutos de Brian, com passagens muito similares às da música original. 

Após esse belo começo, temos Killer Queen, fazendo um grande contraste com a música anterior. Sinceramente, se tivesse que citar uma música que tem a cara do Queen, seria essa, e não Bohemian Rhapsody. Enquanto temos guitarras fortes e rápidas em Brighton Rock, aqui temos MUITO piano, uma guitarra que faz as vezes de orquestra (principalmente no solo), um baixo pulsante, muita harmonia vocal, enfim. Uma música com "classe", digamos. O clipe mostra bem isso, que Killer Queen é uma música de... precisão, que não admite improvisos.

Contracapa original. Tu percebe que o negócio tava
feio quando a capa e a contracapa usam a mesma foto...
Seguindo, temos uma das sacadas geniais do Queen: três músicas curtas que, juntas, formam uma música de mais ou menos sete minutos (pra quem não sabe, o Dream Theater fez um cover dessa medley). Começamos com Tenement Funster, cantada por Roger Taylor. Diferente das duas primeiras. Não é acelerada, mas conta com uma bela guitarra, mais roqueira. O próprio Roger canta "oh, gimme a good guitar" durante seus versos. Geralmente as músicas dele são assim. Além disso, essa música tem uma atmosfera mais sombria que é incrível. Mesmo assim, sombria mas nem metade do que é Flick of the Wrist, música que segue a medley. Tanto na sua letra, quanto na entonação de Freddie, passando pelo instrumental, essa música é incrivelmente sinistra. Destaque pro trabalho de May e Taylor durante o solo, e, é claro, as harmonias vocais, sempre presentes. 

Como que para aliviar toda essa tensão das primeiras duas partes da medley, temos Lily of the Valley, com apenas 1:40, mas que são mais que suficientes para Freddie deixar à mostra toda sua genialidade, predominando sua voz e piano durante a maior parte da música. A letra, pra quem não percebe a sutil referência, fala em "king of Rhye", que nos leva para Seven Seas of Rhye. Se não me engano, também há uma referência a My Fairy King, do primeiro álbum. É por esse tipo de coisa que eu falo que o Queen dos anos 70 é insuperável. É uma pena que a fase de sucesso tenha sido justamente os anos 80. 

CD remaster de 2011
Fechando o lado A, temos Now I'm Here. Provavelmente a mais roqueira do disco inteiro, ficou conhecida por sua possibilidade de brincar, jogar bastante com o público durante a introdução, nos shows, coisa que Freddie sempre fez com maestria. O final também, com a famosa reprise. Sempre achei as versões ao vivo superiores à de estúdio, por serem um pouco mais rápidas e pesadas. O auge dessas versões, sem dúvida, foi o Rock Montreal. Bom, isso não é novidade, a turnê do The Game foi, disparadamente, a melhor época para se ver um show do Queen, tanto em relação a setlist quanto performance da banda. Pra quem ainda não acredita em mim, só conferir aqui

Pra quem não conhece esse disco (ou está ouvindo num volume alto), certamente leva um cagaço daqueles quando começa o lado B. In the Lap of the Gods começa com um altíssimo grito de Roger Taylor. Se vocês acham que o "for me" clássico de Bohemian Rhapsody é impressionante, ouçam essa música. Roger grita como nunca aqui (e reproduzia fielmente ao vivo). O único problema dessa música é que, a partir de 1:40, o refrão repete ad eternum, ou, pelo menos, até o fim de seus 3:20, o que fica meio... chato. Apesar disso, o importante, pelo que percebi, não é reparar no refrão, mas no que acontece atrás dele. Os solos de May, os gritos de Roger, enfim. Apesar de ser um pouco mais fraca que as anteriores, é uma boa música. 

CD bônus de 2011
Stone Cold Crazy surge a seguir para acordar o vivente da morosidade do fim de Lap of the Gods. Tá tudo indo bonitinho, até que entra uma verdadeira porrada no disco. Rápida, pesada, alguns dizem até que é uma precursora do metal. Com a cara do Queen, claro. Se querem ver a versão metal dela, sugiro a do Metallica, ficou animal também. E, quando tu pensa que vem outra porrada, chega Dear Friends, mais um momento de Freddie e seu piano. Com apenas 1:07, é a música mais curta do disco, e uma das mais sentimentais. Sua diminuta letra, com apenas duas estrofes, nos faz refletir sobre muita coisa em relação a sucesso, fracasso, início e fim. 

Seguindo, temos Misfire. Uma das músicas menos conhecidas do disco (e do Queen também), mas importantíssima. Além de ter uma atmosfera muito feliz, é a primeira composição assinada apenas por John Deacon. A partir daqui, só melhora, chegando, já no disco seguinte, em um verdadeiro clássico como You're My Best Friend. Uma curiosidade interessante é que todas as guitarras foram tocadas por Deacon também, porque Brian estava se recuperando de uma hepatite. Aliás, a doença de Brian fez com que o Queen cancelasse o resto da turnê de seu segundo disco e entrasse em estúdio com apenas três membros. A saída que a banda encontrou foi "reservar" os espaços para Brian, nas músicas. Engraçado que, inclusive, rolava um medo por parte do Brian que fossem substituir ele. Do outro lado, a banda só pensava em quando ele voltaria. 
Seguindo nesse clima de felicidade, Bring Back that Leroy Brown. Com uma performance exuberante de todos os membros da banda, especialmente Deacon (tocando double bass com uma pegada totalmente anos 50) e May com seu incansável banjo no fundo da música. Sensacional, só o que digo. Em pouco mais de dois minutos, uma riqueza de detalhes impressionante. E, quando pensamos que vai engrenar esse lado agitado, vem She Makes Me (Stormtrooper in Stilettoes).

Cantada por Brian May, She Makes Me não é um destaque do disco, nem de longe, mas é boa para viajar. Sua morosidade, misturada ao melódico vocal de May e seu violão dão uma sensação de melancolia ímpar. Bem, ímpar não. Só Brian conseguia esse efeito com tanta maestria. 39 e Long Away comprovam isso facilmente. O único porém é que, apesar do final dar margem a várias interpretações, deixa a música meio cansativa. Ela poderia acabar uns 30 segundos antes que seria o ideal.

Para fechar o disco, In the Lap of the Gods... Revisited. Nome quase igual, mas uma música completamente diferente. A única semelhança que ela tem com sua "irmã" é o fato do refrão também repetir demais no final. Mesmo assim, é uma música sensacional. Foi relembrada pela banda apenas em 1986, após anos sem ser tocada ao vivo. Nos anos 70, era a música que fechava o show, e com méritos. Ela tem uma pegada de We Are The Champions, muito impactante e tal, feita para fazer o público cantar. Só acho a explosão do final completamente desnecessária. Não faz sentido nenhum aquilo ali.

Bom, eras isso. Finalmente saiu a tão prometida postagem dos 40 anos desse clássico, mais que merecida. Uma última curiosidade é que a música que dá título a esse disco não entrou nele, só foi aparecer lá em 1977, no News of the World. Aliás, ela até andou ganhando clipe fan made. Mudando de assunto, talvez saia outra postagem hoje, não sei ainda. Todo caso, essa aqui tá, modéstia à parte, sensacional. Acho que valeu a pena esperar. Outro On the Charts que vai ser foda é o do Permanent Waves. Não sei se tão ligados, na virada de 2014 pra 2015 ele completou 35 anos. Vai aparecer por aqui, é claro.  

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Notícia: Novos clipes da nova leva de discos de novembro

Passei rapidinho aqui pra trazer alguns dos clipes que tão rolando pra algumas músicas do Sonic Highways, do Foo Fighters, do Rock or Bust, novo do AC/DC, que sai no fim de novembro/início de dezembro, e do Queen Forever também. Do The Endless River, ainda não saíram os clipes bônus da edição especial. Fiquei curioso, mas não espero ter que comprar a edição essa, que provavelmente vai sair por uma grana preta. O Floyd podia ser um pouco menos mercenário e disponibilizar no canal do Youtube. Enfim, chega de papo, vamos às músicas.

Se vocês perceberem algo estranho no baterista... sim, não é o Phil Rudd. Ele não apareceu nem na photoshoot da banda pro disco, nem na gravação do clipe


Bom, era isso... coisa bem rápida mesmo, que eu ando na correria aqui. Mais pro fim da semana saem umas postagens mais elaboradas. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Notícia: Foo Fighters no Brasil e a nova picaretagem do Queen

Típico da lei de murphy. Num ano não vem ninguém pra cá  (o que sobrou do Guns não conta), no outro vem todo mundo. Se a especulação em torno de uma vinda dos Stones a Porto Alegre, para fevereiro de 2015, está muito forte, o Foo Fighters se antecipou e anunciou sua nova turnê, (que provavelmente vai promover o novo álbum da banda, Sonic Highways, previsto pra novembro) passando pela América do Sul no início de 2015. As datas são 21 (Porto Alegre), 23 (São Paulo), 25 (Rio de Janeiro) e 28 de Janeiro (Belo Horizonte).

O que eu acho disso? Deve ser um baita show, na real. É só não vir com frescurinha de ingresso custando o olho da cara que lota fácil. Acho que uns 180 pila pela pista tá mais do que bem pago, é meio que o padrão. Iria no show, tranquilamente, mas a prioridade é os Stones. Se eles vierem mesmo, Grohl e sua trupe que me desculpem, mas vou ter que ir ver os velhinhos.



A segunda notícia do dia é aquela que já andou pelo blog algumas vezes, lembra? Aqui, aqui e aqui também. Infelizmente Brian May provou mais uma vez por que tem a fama que tem. Quando ele falou em "músicas inéditas do Queen", todos ficaram tipo "legal, um disco nos moldes do Made In Heaven talvez", tanto que ele disse que eram "encontramos um monte de coisas não lançadas, músicas inéditas. São 3, 4 ou 5, talvez mais, não importa", o que nos levava a pensar que pudessem existir outras, compondo, pelo menos, um EP de inéditas.


Pois bem. Qual não foi minha decepção ao ver o tracklist do "novo álbum". Comecei a ler e pensava comigo mesmo sobre o que lia...

- "Let Me In Your Heart Again... não conheço, legal, começou bem."
- "Love Kills... hum, o Queen vai arrumar essa música do Freddie, como fez com I Was Born To Love You e Made In Heaven."
- "There Must be More to Life Than This, o famoso dueto com Michael Jackson... legal'

Até aí, de três músicas, apenas uma era uma música do Queen inédita, mas as outras duas eram aceitáveis, nesse sentido. Eis que começa a minha decepção. Continuei olhando o tracklist e lá veio... It's A Hard Life, Love of My Life, These Are the Days Of Our Lives, Who Wants to Live Forever, Somebody To Love, etc.

Logo após, uma "edição deluxe", dupla, que tinha outras 16 músicas, NENHUMA inédita. Naquele momento eu fiquei tipo "puta que pariu, Brian. Tanta demo do Queen rolando por aí e tu me vem com TRÊS inéditas?". Espero muito que algumas dessas músicas já lançadas sejam, na real, versões alternativas, talvez demos. Ninguém mais quer saber de coletânea do Queen, de boas.

sábado, 13 de setembro de 2014

Quando palavras não são necessárias...11

Mais um mês, mais uma postagem de instrumentais. E hoje o bagulho tá loco :D fico pensando, 11 postagens já, e, por mais simples que sejam, dão continuidade ao trabalho do blog e fazem sucesso. Enfim, todos sabem que aqui não é lugar de papo, então...


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Parabéns ao Ilustríssimo: Geezer Butler/Roger Taylor/Geddy Lee


Primeiramente, gostaria de agradecer as 43 mil views. Apesar do momento ser de menos tempo pra postar no blog, os leitores continuam entrando e aprovando o nosso conteúdo, isso é o que importa :D


Segundo... sim. Três aniversariantes, assim, sem cuspe. Tudo pra poder tirar o atraso dessas três postagens, porque tem muita coisa pra ir pro blog. Tem muito disco aniversariante, tem resenha pra fazer, show histórico, enfim. Sendo assim, vamos lá. Começando pelo primeiro aniversariante dos três.

Geezer completou 65 anos de muito espancamento de baixo no último dia 17. Com o aniversário dele, faço a vocês uma recomendação. Quem acha que Black Sabbath se resume a Ozzy ou Iommi, por favor, deem uma conferida na carreira solo desse MONSTRO que é o Butler. Só pesquisar pela GZR, sua banda, no youtube. Aposto que não vão se arrepender. Bom, o que mais posso dizer? Pra felicidade geral dos fãs de Sabbath, Ozzy (e provavelmente Butler e Iommi, já que podemos deduzir que estão de acordo com o que o Príncipe das Trevas disse) falou que não necessariamente essa é a última turnê do Sabbath. Eles ficaram muito felizes com o resultado do disco, então provavelmente vai rolar algo novo mais pra frente. E, realmente, não teria por que não ficar. 13 foi número 1 na Billboard 200, além de sucesso de vendas.



Roger apagou as 65 velinhas também, mas no último dia 26, junto com o Jagger (no mesmo dia, não na mesma festa, por favor auhsuahsu). Lançou um disco solo no fim do ano passado, atualmente se encontra em turnê com o Brian May, o Adam Lambert (confesso que não achei tão ruim assim, o Adam tá aprendendo a cantar um pouco) e... acho que eras isso. Pra quem quiser conferir uma postagem mais completa do aniversário do Roger... é, ele eu nunca fiz nada muito específico. Mas né, nem precisaria, todo mundo conhece sua trajetória na música, desde o Queen, passando pelo The Cross e chegando nos álbuns solo.



E essa cara de "AHHHH, QUE DELÍCIA, CARA"?
Por último, mas não menos importante, Geddy Lee. 61 anos ontem. E, como sempre, tocando muito baixo/teclado. A voz não é mais a mesma, mas ele ainda manda muito bem. Como atração em relação a ele e o Rush, lembro vocês que o trio canadense cogita ir pra estrada ano que vem, em comemoração aos 40/41 anos de banda. Podia rolar umas comemorações de 40 anos dos primeiros discos, sei lá, umas músicas antigas que ficaram pra trás no tempo. In the Mood, Best I Can, assim, só sugerindo :D
Além disso, pra quem não conhece, Geddy tem um único álbum solo, gravado e lançado na época que o Rush estava em hiato por causa das duas devastadoras perdas que Neil Peart sofreu. Deixo pra vocês, aqui embaixo, My Favourite Headache.


 Enfim, parabéns a esses três mitos, muitos anos de vida!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O tempo na música


Mais uma daquelas postagens de pouco conteúdo escrito e mais música. Ultimamente tem sido assim porque me falta um pouco de inspiração, mas eu penso nesses temas que geram postagens rápidas. Na de hoje, estava pensando na aula sobre o tempo. Mas não o tempo tipo chuva ou sol, ou o tempo da música como a batida, e sim o nosso tempo, o que estamos perdendo o tempo todo, o que vemos passar, inexorável. E, quando me dei conta, percebi que muitas bandas também falam sobre ele.



Talvez saiam mais postagens com outras músicas relacionadas a essa filosofia sobre o nosso tempo... por enquanto, é isso :D

quinta-feira, 29 de maio de 2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

On The Charts #7: Os 25 anos do The Miracle

E mais um grande disco (um dos meus preferidos também) fez um aniversário importante ontem. Confesso que desde o primeiro dia que eu criei essa seção de aniversários de disco, pensei quando o traria pro blog.

The Miracle, o penúltimo lançamento do Queen com Freddie Mercury em vida, e o antepenúltimo da banda, pura, limpa e sem misturas. O disco que retomou o respeito que a banda tinha (e que foi perdido após o Flash Gordon OST, Hot Space - embora eu não critique tanto esse disco, como podem ver aqui - e talvez possamos incluir The Works aqui. Mas por que o Miracle tem essa importância toda? Bom, vejamos a situação geral.

1986 foi o último ano que os fãs sortudos puderam ver o Queen ao vivo. A banda lançou o mediano A Kind Of Magic (sempre de cabeça nos sintetizadores e bateria eletrônica, como foi a tônica dos 80), e caiu na estrada. A Magic Tour foi a turnê mais "ostentação" do Queen. Uma porrada de equipamento, um palco gigante, só shows em estádios. 26 shows. De longe, não foram os melhores da carreira do Queen. Wembley, por exemplo, foi emblemático, mas Freddie, infelizmente, "matou" muitos agudos, cantando oitavas abaixo para sua cansada voz aguentar. A banda dava sinais de que deveria diminuir o ritmo, fazer os shows com maiores intervalos de tempo. Em vez disso, preferiram parar de vez.

Essa decisão fez com que todos duvidassem do futuro da banda, ainda mais depois dos boatos que já rolavam e que Freddie desmentia nos próprios shows. Somamos a isso as tragédias na vida de Brian May, Roger Taylor formando o The Cross, que tocou junto enquanto o Queen tirou essas "férias" e o diagnóstico de Freddie em 1987. Isso tudo teve uma influência muito grande no som do Queen nos anos posteriores, afinal, obviamente, a banda ia conseguir carta branca no estúdio de novo. Sem obrigações, sem turnês. Só ter a oportunidade de se manterem unidos e fazer música até Freddie partir. Mas chega de enrolação, vamos ao disco.

The Miracle começa com Party. Talvez a música mais fraca do disco, mas não porque ela é ruim. O disco em geral é muito bom, inclusive as músicas injustiçadas. Party tem um trabalho bem interessante de backing vocals. Freddie (e a banda) cantam aqui sobre uma puta festa que tava rolando. Sexo, guerra de comida e... é isso aí. Ao longo dos seus curtos dois minutos e vinte segundos de duração, May faz algumas poucas, mas precisas intervenções, e Deacon manda bem no baixo. E, quando parece que a tal festa vai acabar...

"Who said that my party was all over?" pergunta Freddie, emendando logo na segunda música, Khashoggi's Ship. Sonzaço. Primeira música mais pesada do disco, conta com um belo riff de Brian e a precisa batida de Roger. Na versão do Deep Cuts, adaptaram o início, colocando 4 voltas de bateria sozinha na introdução. No final, a música, que já era pesada, ganha velocidade, terminando de forma sensacional.

Após esse belo início, vem a sequência de clássicos do disco. Primeiro a faixa título, com sua esperançosa letra e instrumental matador. Como se não bastasse, a banda ainda adicionou duas seções distintas no final. O clipe dela é um dos melhores do Queen. Se bem que a maioria dos clipes do The Miracle estão bem afiados. Seguindo no disco, I Want It All. O grande clássico do disco. Uma das melhores e mais geniais músicas do Queen. Um riff fodástico de Brian, vocal sujo de Mercury e, no meio, muita velocidade, com May fritando como nunca. Uma curiosidade é que a única música na história do Queen que Roger usa pedal duplo no bumbo é essa.

Fechando o Lado A, The Invisible Man. Também é tida como uma das mais fracas do disco, mas eu discordo. Essa música tem um groove incrível. O baixo de Deacon está demais, o solo de May melhor ainda. Aliás, mais um solo muito rápido, pra quem acha que o Brian não era foda. Originalmente, o nome do disco era pra ser The Invisible Man mas, segundo Roger Taylor, três semanas antes do lançamento, mudaram pra The Miracle.

Abrindo o Lado B, Breakthru. Ainda que o baixo seja em sua maioria sintetizador, Deacon também tem seus momentos aqui. Apesar disso, quem brilha aqui é Mercury e May. Mais uma performance inspirada. O clipe dessa música também é muito legal. Interessante ressaltar que a introdução de Breakthru, feita com muito backing vocal, era outra música, A New Life Is Born. Se conhece mais ou menos um minuto e meio dessa demo.

Logo após, uma desconhecida, pra acalmar o coração. Rain Must Fall, uma música meio... estranha. A letra não é das mais inspiradas, a bateria eletrônica é quadrada demais.O baixo, porém é pulsante. Certamente colocaria uma das músicas que ficou de fora no disco, no lugar. Seguindo, Scandal. Outra ótima performance de Freddie e de Roger também. A banda soube explorar muito bem a equalização, sendo que boa parte do som da bateria é seu eco.

My Baby Does Me é a penúltima música do disco. É meio... muito estranha. Mas ela tem um feeling demais também. O baixo, os solinhos de Brian, a precisão entre guitarra e baixo. Só ouvindo pra entender. Aliás, falando em ouvindo pra entender...

Was It All Worth It. Sou suspeito pra falar, mas é uma música completa, é a melhor do disco, sem sombra de dúvidas. Começa de leve, e entra a porrada logo depois. No meio, uma seção de "bizarrices", quase música orquestrada, bom, sem palavras. Os fãs da banda me desculpem a ousadia... não, foda-se, sou muito fã deles também, posso falar tranquilamente. É a Bohemian Rhapsody da banda nos anos 80, guardadas as proporções, claro. Pra fechar o disco e, como era a probabilidade à época, a carreira do Queen com chave de ouro. Isso porque, se analisarmos sua letra, ela já tem um tom de despedida. Nada tão triste como The Show Must Go On, mas impactante também. Isso tudo porque a previsão era que Freddie não passaria do Natal de 1989. Incrivelmente, ele viveu até Novembro de 1991. E sim, Freddie, valeu a pena. Não tenha dúvidas disso.

The Miracle poderia ter sido um disco duplo. Pra quem não sabe, tem boas músicas que ficaram de fora. Outras demos, igualmente boas, sequer ganharam uma versão final. Confiram aqui.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Notícia: Peripécias de Brian Money ( versão 2014)

Quando eu penso que o Paul Rodgers poderia voltar...indo direto ao ponto, em uma nova coletiva de imprensa, o Queen anunciou duas coisas:
Pôster da turnê
Vou ser direto (com a notícia que não me interessa): O Brian May e o Roger Taylor (porque eu ME RECUSO a chamar isso de Queen... pelo menos tudo que veio depois de 1997) vão cair na estrada de novo com o Adam Lambert. É isso. 19 datas, turnezinha nos EUA e Canadá pra encher o bolso e pegar os trouxas mais desesperados (que TEM que ver Brian e Roger ao vivo uma vez na vida). Sinceramente, não pagaria mais de 100 reais num ingresso desses. Como sei que não vai custar isso, não me encaixo nos "mais desesperados". Se fosse o Paul Rodgers, como disse lá em cima, pagaria mais.

Pra quem quiser avaliar se vale a pena um show deles, vídeo abaixo.

Agora, quanto à notícia que interessa... bom, já apareceu no blog (só clicar aqui e aqui), é só uma confirmação. O QUEEN (Brian, Roger, John e Freddie - esses dois últimos, nas demos originais. Não sei se vão manter o baixo do John ou vão regravar), por meio de - adivinhem só - Brian e Roger, confirmou sim que estão procurando por novas faixas de estúdio para um lançamento futuro. Como disse Brian no vídeo "sei lá, talvez duas, talvez três, talvez quatro ou cinco, mas o que importa é que tem material de qualidade". Agora é esperar pra ver.

Pra quem quiser ver na página oficial do Brian no facebook, só ir no link abaixo.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=754691827877417&set=a.596858203660781.1073741828.575281589151776&type=1&theater

E pra quem não conhece algumas demos misteriosas do Queen, fiz uma série de postagens sobre isso, dividida em 3 partes (1 - 2 - 3)

segunda-feira, 10 de março de 2014

On The Charts #4: Os 40 anos do Queen II


Bom, já me expliquei sobre não ter postado no dia, vamos aos finalmentes. O Queen II é o segundo disco de estúdio do Queen, lançado em 8 de Março de 1974. Oito meses depois do lançamento do debut, esse é o disco que começa a indicar a vertente que o Queen manteria... pelo menos até o fim dos anos 70. 
Acho que talvez possa considerar sim esse como um disco conceitual. Disco que caiu no gosto de caras como Axl Rose, Steve Vai e outros, traz em suas músicas (e nos lados do vinil) um contraste entre o preto e o branco. Alguns exemplos? O Lado A (ou White Side, no disco), todo composto por Brian May (exceção feita a Roger Taylor, com The Loser In The End), com canções mais leves e com um ar esperançoso. Já o Lado B (Black Side), todo composto por Freddie Mercury, possui um conteúdo de uma densidade maior, algo mais pesado, mas não no sentido rocker da palavra. Enfim, só ouvindo pra entender. 
Outra demonstração dessa contradição é o fato de terem as músicas White Queen (As It Began) no White Side, e The March Of The Black Queen no Black Side. Além disso, a capa do disco é clássica, e serviu de inspiração pra tomadas de clipes como Bohemian Rhapsody e One Vision, e tem que ressaltar a evolução da qualidade do som, muito mais limpo do que na gravação do debut. Mesmo com a banda caprichando nos overdubs. Esses foram duramente criticados, com alguns críticos dizendo coisas como "de nada adianta a banda colocar "No Synthesizers!" na contracapa do disco, se temos tantos overdubs que daria na mesma". Ainda assim, o White Side teve mais aprovação. Inclusive, pro meu gosto, o White Side é mais agradável de se ouvir. O lado de Freddie não é em qualquer dia que dá pra se ouvir, requer muito mais vontade e atenção, talvez. Bom, acho que era isso, vamos às músicas.
Encarte
O disco inicia com Procession. Fazendo um belo jogo de lado esquerdo e lado direito, e acompanhado, por Roger Taylor, de batidas que lembram um coração batendo, Brian May faz uma pequena introdução, de pouco mais de um minuto, com a cara do Queen. Algo que lembra um pouco... realeza. Era a primeira vez que o Queen fazia algo parecido com isso, e se repetiria nos próximos álbuns (os primeiros 20 segundos de Brighton Rock, que lembram algum tipo de atração circense, a introdução de piano de Death On Two Legs e a "A Day At The Races Intro", dentro de Tie Your Mother Down - uma mistura do riff de White Man e a progressão do final de Teo Torriatte, dando ao disco uma impressão de ser um ciclo). Ahh, além de tudo isso, uma versão mais simples dela já abria os shows do Queen há algum tempo, e continuaria abrindo até 1976, se não me engano. Curiosidade: Brian May gravou a guitarra nessa faixa utilizando o Deacy Amp - amplificador feito pelo John Deacon. 

Seguindo, emendamos direto em Father To Son, uma faixa pesada, com algumas paradas e seções diferentes, e com o destaque de John Deacon, gastando no baixo. Entre 4:25 e 4:40, uma última seção leve, com licks de baixo do Deacon, antes de uma parada e o refrão, que se repete até o fim da música, junto 
com um solo de Brian May. Aqui o Deacy Amp também foi utilizado. 

Enquanto é segurada uma última nota, entramos em White Queen (As It Began). Uma das melhores músicas do Queen. Uma pena que a banda tenha "renegado" o material dos primeiros discos, nas turnês dos anos 80. A única música do Queen II que foi tocada (parcial) em alguma turnê depois da Jazz Tour foi Seven Seas Of Rhye. Voltando a White Queen, lá por 1:30, uma seção pesada, uma espécie de "refrão". Entre aspas mesmo, porque a letra não se repete em nenhuma seção. E então, após mais uma estrofe, o solo de Brian May, com violão (acredito). E então repetimos aquela seção do "refrão" e entra a Red Special na parada. Brian disse que a inspiração veio do livro The White Goddess, junto com uma garota que Brian tinha como "perfeita" (aposto que tinha chulé e ele nem desconfiava). 

Então, nas duas últimas músicas do White Side, temos uma folga do vocal de Freddie. Some Day One Day, uma faixa bem mais leve. Cantada por Brian, que como sempre, demonstra uma sensibilidade impressionante, tanto na letra como na performance vocal, é uma faixa pouquíssimo lembrada, talvez por causa da qualidade das duas anteriores. Destaque também para Deacon, fazendo bonito no baixo. 

Roger tem sua vez em The Loser In The End, única faixa que leva seu crédito. Típico das faixas do Roger, sua letra não é nada filosófica ou algo do tipo, é mais rockzão despreocupado mesmo. Fala, basicamente, sobre uma mãe que está sofrendo pelo fato do filho sair de casa. Além disso, o violão distorcido e a introdução de bateria são demais, assim como o vocal rasgado de Roger. Ahh, e o Roger dá uma enlouquecida legal no final da música. 

Abrindo o Lado B, Ogre Battle, uma das canções mais pesadas do Queen. E, por incrível que pareça, composta por Freddie. Não é das minhas preferidas do disco, mas é boa. Tem um começo onde, pelo que parece, reverteram as fitas de gravação. Misturado a isso, entra, num fade in, a música, agora no "sentido" certo. Na real, essa música foi composta por Freddie (inclusive na parte de guitarra), em 1972, mas a banda preferiu esperar por um disco onde tivesse mais liberdade de gravação. Seguindo, temos The Fairy Feller's Master-Stroke. 

Inspiração de Freddie:
o quadro The Fairy Feller's Master-Stroke
Se Ogre Battle era uma das mais pesadas, essa é uma das mais piradas. Começa com o último... gongo (?) de Ogre Battle, seguido por som de um... relógio (?), e uma introdução sinistra no... HARPISCHORD? Que PORRA é essa? Bom, acho que deu pra entender. Além disso, tem VÁRIAS trocas de tempo, castanholas (sim, até castanholas), muitos falsetes de Freddie e uma bela atuação de Deacon no baixo. Ahh, e foi inspirada num quadro abstrato. Acho que não precisa mais nada, né? De longe, a música mais difícil do Queen, ainda que boa (porque Body Language e Delilah não são difíceis, mas CHATAS mesmo). Mas dá pra entender, Freddie nos recompensaria com a música seguinte.

No final de Fairy Feller, uma linha de piano, que desacelera e dá a introdução para Nevermore. Assim como Dear Friends, do Sheer Heart Attack, disco seguinte, o principal é Freddie: vocal, piano e efeitos, tudo feito por ele. E essa música é de uma sensibilidade impressionante. A letra fala do pós término de um relacionamento. Mesmo tendo apenas 1:15 de duração, é uma das melhores músicas do disco. 

E então, da mais curta, diretamente pra mais longa. The March Of The Black Queen. Considerada por muitos como a proto-Bohemian Rhapsody. Ótima música, mas difícil também. Não é bem assim pra assimilar. Pra quem não é muito fã das harmonias vocais de Taylor, May e Mercury, vai achar tudo um monte de gritos histéricos. Mas tá tudo lá, trocas de tempo, duração longa, seções pesadas seguidas por partes leves, partes até, operísticas, podemos dizer. E, além disso, a volta, a partir de 4:20 é uma das partes mais fodas da música. Deacon mandando demais, de novo, o baixo pulsando debaixo do monte de camadas de guitarra de May. E quando parece que acabou, tem uma última "despedida", que dá a deixa pra entrada de Funny How Love Is.

Capa portuguesa do single
A mais fraca do disco, devo dizer. Sem mudança de andamento, com uma bateria repetitiva, e vocais altos de Freddie, conseguiu fazer 2:50 serem incrivelmente longos. Mas na vibe do disco, ouve-se tranquilamente. Acredito que o efeito até foi positivo, considerando que a música que vem depois (e que fecha o disco), é uma bela música com a mesma duração, e que alavancou o sucesso do Queen: Seven Seas Of Rhye. 

Provavelmente não tenho nada pra dizer sobre ela, ela é uma versão comercial de tudo que se vê no disco. E por isso que fez sucesso. Enquanto peças de 6 minutos eram longas demais para serem lançadas como single, em pouco menos de três minutos, temos uma mostra da proposta do disco. Muito piano, mudanças de tempo, harmonias vocais, altíssimas, diga-se de passagem, um belo solo do Brian, pra voltar à estrutura do começo. E no final, ainda tem um pedacinho de I Do Like To Be Beside the Seaside. Um fim digno pra um disco genial, do início ao fim.

Queen II foi 5° lugar das paradas do Reino Unido e 49° nos EUA. O primeiro número um do Queen viria apenas com A Night At The Opera. Mas isso é assunto pra 2015. Por hoje é só.


Não sei por que, mas se pegar o link daqui não funciona, por causa dos copyrights e tal. Mas se vocês procurarem essa mesma cópia que tá aqui, vai funcionar no youtube direto O.o