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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

On the Charts #31: Os 45 anos do Animals


Bom, cá estou eu aqui, novamente, para falar de mais um clássico aniversariando nesse mês de janeiro. E, convenhamos, este aqui também é daqueles de sentar, colocar no toca discos e apreciar. Para essa jornada, peço que me acompanhem mais uma vez. 

Pra quem não sabe, na última sexta-feira, dia 21 de janeiro, Animals, do Pink Floyd, completou 45 anos de lançamento. E, justiça seja feita, se alguns dos trabalhos do Floyd mostravam uma força criativa mais pronunciada de David Gilmour, esse disco é muito mais a cara de Roger Waters (aqui, inclusive, começou um certo "desconforto" dos outros membros da banda com a "ditadura" de Waters quanto ao processo criativo da banda. Entretanto, pelo menos em relação a esta bolacha e seu sucessor, The Wall - na minha opinião, em menor escala, musicalmente, mas em maior escala artisticamente). 

Fábrica que estampa a capa do disco
Animals possui uma estrutura interessante. Sendo uma releitura do clássico livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, lançado em 1945, Waters faz uma crítica ao capitalismo e, através das três músicas principais do disco, realiza uma separação de classes: os cães, predadores, os porcos, despóticos, e as ovelhas, que obedecem a tudo sem questionar. As três possuem mais de 10 minutos de duração, com elaboradas e diferentes introduções, passagens, solos e etc. Completam o disco Pigs on the Wing, partes 1 e 2, pequenas seções contendo apenas violão e voz, com pouco mais de um minuto de duração, que abrem e fecham o disco. Abordaremos mais detalhadamente tudo isso enquanto colocamos a agulha na bolacha e iniciamos nossa audição, então bora. 

Começamos a nossa jornada por Pigs On the Wing 1. Apesar de extremamente simples, com pouco mais de um minuto de duração, a fórmula de violão e voz, com um manso vocal de Waters, convence. Não há muita coisa a enaltecer musicalmente, pelo fato de ser uma canção realmente simples, mas sabemos que menos é mais. Interessante ressaltar, entretanto, que a fórmula utilizada seria repetida e aprimorada em Mother, um dos destaques do disco seguinte, The Wall. O tempo é parecido, bem como a progressão de acordes. Vejo muito desta música (e de sua segunda parte, ao final do disco) em Mother. Em outras músicas da banda, também, mas mais pronunciadamente em Mother.

Na sequência, temos Dogs, 17 minutos de uma das melhores músicas do Floyd, ocupando todo o restante do lado A do disco. Dentre os muitos épicos do Pink Floyd, vejo uma estrutura mais bem definida nesta aqui, diferente de outros clássicos, como Echoes e Shine on you Crazy Diamond. Amo essas outras músicas, bem como praticamente todas as músicas longas da banda, mas sinto que havia mais improvisação, esticando um pouco mais as músicas. Echoes, por exemplo, possui uma versão editada na qual 7 minutos foram cortados, sem alterar muita coisa em sua estrutura. Em Dogs isso é impossível. Há muitos solos e seções instrumentais, mas enxergo nela um trabalho mais bem amarrado, tal qual o Rush fazia em suas músicas épicas, como Cygnus Book-II: Hemispheres, por exemplo. São 18 minutos que não sentimos passar, tamanha a naturalidade com a qual a banda alonga a faixa. 

Dogs possivelmente se diferencia um pouco das duas músicas seguintes também por ser uma ideia mais antiga. Ainda em 1974 a banda já tocava ao vivo uma primeira versão do que viria a ser este clássico, chamada You've Got to Be Crazy. Provavelmente, pela época e tudo mais, o clima na banda ainda era mais amistoso e Waters e Gilmour conseguiam compor e inserir suas ideias numa boa (ou algo próximo a isso, pelo menos).

Sobre os aspectos musicais, iniciamos Dogs com violão e os "desesperados" vocais de David Gilmour. Aliás, sobre isso, Dogs é a única música do disco em que Gilmour contribuiu com a composição e vocais. Coincidência ou não, é a melhor música dentre as cinco da bolacha. Após alguns versos nessa temática mais agitada, mais desesperada, a banda entra em uma ponte para a seção do primeiro solo, que inicia após pouco mais de 3:30. Com guitarras dobradas e tudo que temos direito no melhor estilo Gilmouriano, o solo é simplesmente memorável. Construído (e muito bem construído, diga-se de passagem), mas, ao mesmo tempo, sem ocupar todo o espaço, assim permitindo que toda a banda se destaque, Gilmour desenha um solo de um pouco mais do que um minuto, no qual a temática meio desesperada pode ser sentida através das notas de sua guitarra. 

Eis que, após esse primeiro solo, temos uma pequena seção na qual a música altera um pouco o feeling, tornando-se mais "relaxada", um pouco mais Floydiana, por assim dizer. Aquela levada típica de Nick Mason, o baixo de Waters trabalhando muito bem com as pausas, Wright afiadíssimo nos teclados, como de costume, e Gilmour volta para um segundo solo, agora um pouco mais voltado para esse feeling diferente no qual a banda entrou. Após mais um belo solo, temos mais alguns versos e entramos na seção mais "improvisada", por assim dizer. 

Após Gilmour cantar "Dragged down by Stone", a última palavra fica repetindo incessantemente (e, a cada repetição, os efeitos aumentam, cada vez mais aproximando a palavra de um latido), enquanto a banda entra em uma seção que inicia praticamente sem bateria, com Mason apenas marcando o tempo no prato de condução. Aqui, meus amigos, eu recomendo fortemente o fone de ouvido. Apesar da banda estar jogando muito com a sombra, num primeiro momento, são muitas nuances. Todos os instrumentos estão fazendo algo interessante aqui, seja a levada um pouco diferente que Mason nos apresenta, seja Wright solando nas teclas, enfim. Aqui, apesar de ser uma seção de 4 minutos, eu acho bem na medida, sem ficar enjoativa. A banda utiliza, aqui, a mesma progressão de acordes do início da música. 

Não à toa, é claro. Ao final desta parte, o violão entra novamente e a música praticamente recomeça, desta vez com Waters nos vocais. Neste momento, já estamos viajando há 12 minutos junto com a banda, e simplesmente não sentimos passar. Waters canta sua estrofe, a banda repete a estrutura daquele primeiro solo e, quando iríamos entrar novamente naquela seção um pouco mais calma, a banda vem com tudo para finalizar este clássico, com uma seção ainda mais "desesperada" (coisa que Waters sabe fazer com maestria). Até pensava em dedicar uma postagem inteira de épicos para Dogs, mas eu me empolguei tanto aqui que acho que não precisa. Clássico absoluto. 


Encarte do disco
Iniciando o lado B, temos Pigs (Three Different Ones). Confesso que esta aqui também me pega bastante, é MUITO boa. Se Dogs tinha uma assinatura forte de Gilmour, Pigs é TOTALMENTE Waters. Um pouco mais curta ("só" 11 minutos), inicia c
om um belíssimo trabalho de Wright no teclado (o que só evidencia a falta que esse monstro faz), com Waters acompanhando em um pequeno "solo" de baixo. Pigs é um dos melhores trabalhos de Waters nas quatro cordas. Além disso, o vocal é gritado, raivoso, wateriano. Do jeito que ele gosta de fazer. A letra transmite uma raiva, uma forma de protesto contra o capitalismo, utilizando-se da metáfora orwelliana dos porcos, que são os comantantes da revolução dos bichos e que, após a revolução, se tornam o novo inimigo, pegando para si muitos dos privilégios. Como falam no livro, alguns animais são mais iguais que os outros. 

Enfim, aqui tudo se desenvolve um pouco mais rápido. Waters canta algumas estrofes e, antes dos quatro minutos, já estamos em uma riquíssima seção instrumental, na qual o grande destaque é Wright, que faz um trabalho sensacional não só utilizando seu instrumento da forma convencional, mas também emulando efeitos que lembram o som emitido pelos porcos, intencionalmente distorcido e de forma a causar o "desconforto" no ouvinte. É uma ambientação perfeita, muito bem construída. Após esse solo (de uns três minutos), a música também praticamente reinicia, de sua introdução, com o teclado e o baixo, para mais uma última estrofe e refrão, e sua finalização, desta vez com Gilmour solando de forma feroz, com uma guitarra bem distorcida, até o final da música, em fade out. É outro puta som, sem sombra de dúvidas. 


Finalizando a trinca de épicos, temos Sheep. Apesar de sempre ter considerado ela como a mais fraca das três, também é uma música com bastante pegada. Ela inicia leve, com o teclado de Wright fazendo um pequeno solo, mas quando entra a banda toda, o som é forte. A levada de Mason aqui é pra frene, lembra um pouco o seu trabalho em One of These Days, do Meddle. Basicamente, não é uma música ruim, longe disso. Mas, das três, ela é a menos impactante, talvez por vir na esteira de duas músicas MUITO boas anteriormente. Sinto que ela é a mais "sem rumo" na sua seção instrumental no meio, por assim dizer. Não que não seja relativamente bem estruturada, mas não impacta como Dogs e Pigs (coincidentemente, as ovelhas, no livro, são os animais com menos personalidade... não sei se foi intencional, mas vai saber). 

Falando em coincidência, os últimos dois minutos da música são de destaque. Coincidentemente onde a guitarra de Gilmour está em evidência em uma espécie de riff criado para esse final, acompanhado de algumas viradas de Mason, que, apesar de simples, sempre são um destaque, considerando que Mason é um adepto quase extremo do "menos é mais". 

Por fim, após esses quase 40 minutos de intensidade, muita música boa e alguns clássicos, chegamos em Pigs on the Wing 2. Instrumentalmente, ela é praticamente igual à primeira, mas possui uma letra diferente. Não há muito o que dizer, ficam as palavras da primeira parte. Gosto de ressaltar que, após essa atmosfera mais pesada das músicas centrais, e suas letras, é interessante a ideia da banda de finalizar com um pouco mais de leveza. É um final muito bom para um disco quase perfeito. 

Uma coisa que lamento até hoje é o fato da banda não ter feito uma versão de Animals para aquela coleção Immersion, que foi lançada em 2011. Lembro que, à época, teci uma espécie de crítica, como se fosse um caça níquel e etc. E talvez seja, ok. Mas o capricho com o qual o Floyd trata sua obra é digno de aplauso, e, considerando a sequência de seus quatro clássicos absolutos (Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall) e o relançamento de três deles nessa coleção, me pergunto por que não pensaram em fazer o mesmo para o Animals, ainda mais considerando que é um disco de forte apelo conceitual e visual (eles poderiam incluir um porquinho inflável no boxset 😂). Mas acabou passando, infelizmente. Fazer o quê?

Enfim, por hoje era isso, pessoal. Apesar de ter começado com dois On the Charts mais típicos do Nata, de bandas consagradas do rock e tudo mais, teremos um próximo que vai explodir a cabeça de vocês 😵). Vocês não perdem por esperar. Até lá! 


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Novidades nem tão novas

Temos que deixar algumas marcas no blog, acontecimentos importantes (não vamos falar sobre morte).

1. A suposta turnê do cara que faz playback Roger Waters para 2016 e a anunciação de um novo álbum, deixando então escapar uma música.



2. Bowie chegando com disco novo. The Next Day foi muito bom, com uma capa genial. Esperaremos o aniversário do Camaleão para ser lançado Blackstar.

3. A possível reunião capitalista e polêmica do Guns N' Roses. Pode ser bom para os fãs, mas a grana pra eles será melhor ainda. Vamos ver até quando isso vai...



É isso. Eu acho.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #9: David Gilmour em Porto Alegre (Parte 2 - Bruna)

Eram 15 minutos prometidos. Gilmour chegou em 10. Escureceu a Arena, e começou aquele barulho extremamente familiar. Era Astronomy Domine. Foi a música que eu mais pirei, eu gritava loucamente. Nossa, esperei por muito tempo e ela chegou. Não queria que acabasse mais. 
A LU CI NAN TE! Shine On You Crazy Diamond teve a mesma recepção que Wish You Were Here. Geral cantando. Exceto aquele pessoal que tirava selfies, que filmava o show inteiro. Estavam ali só pra dizer que ''foram num show importante''. Fat Old Sun dá sono. Atom Heart Mother é um disco bom, mas essa música é um sonífero, o ar bucólico é um sonífero - Matou meus ânimos que foram exaltados com Astronomy Domine. Coming Back to Life foi bacaninha e só, mas The Girl in the Yellow Dress foi do caralho. Baita música, baita músicos, baita projeção. Today foi bacaninha e só. Sorrow foi do caralho, mas Run Like Hell foi do caralho master. AH! E PESSOAL, NÃO É ANOTHER BRICK, ok?! Decepcionante... Um grande grupo cantou e curtiu, apresentação boa. Anote: Astronomy, Shine, The Girl, Sorrow e Run... MELHORES DA SEGUNDA PARTE! A segunda parte foi melhor que a primeira também.
Esse copinho era mais fácil de conseguir
e ele desafia a gravidade.
E pra terminar, Time/Breathe dando tristeza e alegria. Geral curtiu, mas queria mais. E encerrar com Comfortably Numb foi a chave de ouro. Ficamos satisfeitos, saímos com saudade. Queríamos sempre mais e mais. Depois, quando terminou, ficamos esperando ganhar um copo bonitinho que SÓ QUEM ERA DA PARTE DOS $ GANHARAM. Eles ficaram na nossa frente e muitos deles eram ridículos. Estavam ali só pra dizer que foram num show de um cara famoso. A maioria nem assistia o show. E assim, me despedi do pessoal, sem o copinho preto bonitinho, mas com boas lembranças e amizades.

Pontos Positivos:
1. Pessoal receptivo;
2. Começar segunda parte com Astronomy Domine;
3. Terminar com Comfortably Numb;
4. Algumas projeções, como em Money e The Girl in the Yellow Dress;
5. Ter um músico brasileiro na banda;
6. Pontualidade do Gilmour;
7. Humildade e carisma do mesmo;
8. Voz do Gilmour. Ele não usa playback. 
9. Solos do Gilmour.
10. A banda. Bem representada.
11. O espaço. A Arena tem uma ótima estrutura para shows.

Pontos Negativos:
1. Banheiro químico feminino (2) na fila. Porque só mulher mija. Além disso, pessoal furava a fila com facilidade.
2. Pessoal que furou a fila, jogou fumaça de droga na cara de gente nada a ver, atrapalhou quem queria ver o show porque estava filmando ou tirando selfie...
3. O estupro do preço de quem consumia lá dentro.
4. O espaço desnecessário que sobrou na área dos ricos e finos na nossa frente.
5. A falta de duas telas laterais, para projetar o show.
6. O não aproveitamento do espaço. Um palco central não seria uma má ideia, já que não tinha projeção do show.
7. Começar com músicas somente dele, ao invés de mesclar o Pink Floyd com o David Gilmour.
8. Run Like Hell não sendo reconhecida.
9. Fat Old Sun e a falta de café nessa música para manter o povo acordado.
10. O estupro financeiro para estudante INGRESSO, CARTEIRA DA UNE, FRETE (e quem não teve o endereço reconhecido, pagou 2 fretes, tipo eu. Seria mais válido ter pago uma inteira.).

Devo ter esquecido de detalhes, mas ok. Minha postagem simples termina por aqui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Aconteceu em Porto Alegre #8: David Gilmour em Porto Alegre (Parte 1 - Bruna)

Relatos do magnífico show de 2015 na íntegra:

Eu imaginava o quanto seria louco ir num show de grande porte baseado no que os meus amigos falavam. Ate então, louco era ir num show dos Titãs no bar Opinião ou no Cachorro Grande no Parque da Redenção.  Então, assim que eu tinha recebido meu mísero salário de pesquisadora, fui encarar uma fila enorme de tiozões na loja. Eu precisava comprar logo aquele ingresso e iria sozinha. Comprei pista, era o que dava no meu orçamento. Então, meu primeiro show internacional. Eu sentia medo, porque iria me separar do pessoal. Eu ficaria sozinha. O calor estava insuportável e eu já tinha bebido um tanto até ali. Eu estava um pouco tonta com aquilo tudo e com receio de me torrar no Sol. Fora isso, eu precisava ficar perto do banheiro. Quando cheguei à fila, me deparei com um grupo de guris de Santa Catarina atrás de mim e na minha frente, um tiozão com o seu filho (que é guitarrista, isso eu lembro vagamente). Já fiz amizade com o pessoal. Bebemos mais um pouco, dividimos o protetor solar, a gente revezava pra cuidar o lugar na fila enquanto alguém ia ao banheiro e ainda nos ofereceram água. Pessoal muito gente boa. Fora isso, achei meio ridículo colocar dois banheiros químicos femininos na fila e numa localização na qual as pessoas não iam ao banheiro e sim furavam a fila. Então, entramos todos correndo pra pegar um melhor lugar. Foi doido. Eu achei um lugar bem na frente. Fiquei horas de pé e depois sentada, ouvindo músicas legais. Fiquei sozinha. Não interagi com ninguém, eu estava cansada. E dai? Eu ia ver o Gilmour! Então chegou – do nada – o Duca Leindecker. Foi bem fraquinho o show. Ele cantou sucessos como Pinhal, Do Nosso Tempo, Dia Especial, O Amanhã Colorido e Girassóis. Só quem cantava era eu e mais um pingo de gente. Claro, para o cara foi um baita momento, mas para nós, foi bem fraquinho. Ele até tentou interagir com o pessoal e tudo, mas não. Acho que muita gente não o conhecia. Então, ficamos lá, esperando e chega também do nada o David. Chegou uns 10 minutos antes, que amor! Chega ele com toda a humildade do mundo. O estádio é lindo (mesmo eu sendo colorada), mas com o Gilmour ficou muito mais legal. 

Antes de começar a falar sobre o show, dois pontos:
1.       Sou uma pessoa baixa. Custava dar um espacinho pra mim? Não, é preferível ficar na frente de todo mundo com a mão levantada pra filmar o show. Tinha gente que mal via o show, mal sabia algumas músicas... Mas passou só tirando selfie. Sério, ridículo. Ainda bem que fiz amizade com uma galera de Florianópolis e de Santa Maria. Consegui um espaço e não fui encoxada.
2.       Fume sua maconha, mas não bafore na nossa cara. Obrigada, de nada.
Não quero ser chata, mas respeito é bom.

Então, Gilmour abre com músicas que só quem é fã mesmo saberia. Deu pra ver que o pessoal estava ali pra ouvir as mais conhecidas do Pink Floyd e não as músicas propriamente dele.
5 A.M. foi chapante. Foi o momento de curtir aqueles – APOTEÓTICOS solos, que engata logo com a mais ‘’dançante’’ Rattle That Lock. O pessoal curtiu muito o vídeo que foi projetado. Muitas pessoas não conhecem esse lado do Gimour, só as mais famosinhas e talvez tenham ido no show para ver essas mesmo. Mas antes de rotular, chamar de poser, há algo positivo: Geral que desconhecia curtiu e com certeza agora, vai ouvir mais o Gilmour. Faces Of Stone soou mais desconhecida ainda. Acho que começar com músicas não tão famosinhas, sabe... Três tacadas de uma só vez, deixou o pessoal entediado e ansioso. Menos eu e uma minoria que conheciam as músicas, que tivemos tempo de ouvir. Ah, preciso falar de Wish You Were Here? LÁGRIMAS ROLARAM! Eu estava com um grupo de pessoas, metade Porto Alegre, metade Santa Maria, metade Florianópolis e o sentimento foi unânime. Era um coro, o coração palpitava. Foi a música que mais tocou o público. Juro que A Boat Lies Waiting e The Blue eu não lembro muito visualmente, mas eu curti. Nossa, ambas são lindas musicalmente. Na hora, eu lembro de estar meio extasiada com as músicas, eu fechava muito os olhos para somente ouvir e sentir o quanto era boa a sensação que as músicas traziam. Não há explicação.

Money foi projetada também. A sensação foi como Wish You Were Here. DELIRANTE! Muitos gritos, pessoal dançando e cantando. E gente: QUE SAXOFONISTA! Um moço brasileiro muito fofo, João de Macedo exalou talento.  Foi uma das melhores músicas daquela noite. Us and Them do clássico Dark Side Of The Moon e High Hopes do Division Bell foram também muito aclamadas. Entre elas havia In Any Tongue, uma música bem ''que som, senhores!''. Eu não lembrava dela e eu nunca lembro muito dela, mas gosto toda a vez que ouço. Não lembro de nada tão especial no show quando tocaram essas músicas, exceto High Hopes - Fui conversando com muitas pessoas e também era uma das músicas mais esperadas do show.

Depois... Ele anunciou uma pausa de 15 minutos. Quem disse que eu iria sair do lugar? Não, fiquei me distraindo com o pessoal na minha volta, que estavam maravilhados com tudo aquilo. A sensação de dor nas pernas, de bexiga cheia e de fome passaram rapidinho. Primeira parte foi boa, mas eu não esperava que a segunda parte seria muito melhor.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Resenha #14: Pink Floyd - Meddle


Retire o que eu disse sobre Atom Heart Mother: Meddle é o melhor. Será? Até quando? Por enquanto, é o melhor pra mim. Ele é decisivo no rompimento da psicodelia dos anos 60. Meddle, do verbo ''interferir'' - e isso vem retratado nas ondas da capa sobrepostas que são como ondas de energia (sim, tanto físico quanto espiritual) ou até mesmo, ondas sonoras (deduzo isso, porque aparece uma orelha submersa, se bem que a ideia inicial era pra ser um ânus de macaco, o que não agradou muito a banda). É profundo e com intensa personalidade sonora, que marcou assim o nome da banda em si e claro, abandonando algo mais Syd Barrett.

One of These Days inicia com aquele vento que leva até o seu cachorro, se você deixar. Surgindo o baixo instigante, é aí que surge a energia da música. A música é inteiramente instrumental, exceto com a aparição de um ''One of these days I'm going to cut you into little pieces'', algo muito The Wall. Quando chega em no final de 2 min., aí começa o êxtase, como se fosse um helicóptero, algo muito Dark Side Of The Moon. A virada da bateria e surge o conjunto, que se segue até o final. Delirante! Ah, não se esqueça que essa música tem uma aparição em Doctor Who (amo)!

A Pillow of Winds tem aquele início meio árcade, quase um Fat Old Sun, só que com um ar sombrio. No início dos dois minutos, percebe-se algo mais indiano, até surgir algum instrumento de percussão e reforçar esse climão. Entre três minutos, refuta o ar sombrio, para voltar a leveza. O nome da música é inspirado em um jogo que a banda jogava quando estava em turnê - Mahjong. Fearless entrou até mesmo no hino do Liverpool com um ''you'll never walk alone''. É uma mescla do feliz com o melancólico. Fusão marcante...

San Tropez (virou meu despertador) tem melodia feliz. Um pouco romântica, com diversos signos ocultos e um pouco triste, enfadonha... Seamus é um cão. Sério. E ele canta com o Gilmour. (Se você tiver muitos cachorros, não coloque em sua casa). No Live At Pompeii tem uma versão com os barulhinhos de uma cadela de raça Borzoi.

Então, se lembra daqueles ventos da primeira música? Elas aparecerão novamente em Echoes. A canção é tão instigante que tem relação com o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick (aquele cara do Laranja Mecânica). Dizem que depois do refrão, há semelhanças entre O Fantasma da Ópera - Plágio ou não, não sei...As ligações são tantas que antes dos gritos da baleia ou ''mulher gorda'', é possível ouvir em 11:52 barulhos que aparecem num episódio do Chaves, chamado ''O Caçador de Lagartixas''. QUANDO EU DIGO QUE ESSE É O MELHOR ÁLBUM...

E essa é uma resenha super simples e rápida do melhor álbum do Pink Floyd. Voltaremos...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Quando palavras não são necessárias...15

Nossa série mensal está de volta :D como aqui o negócio não é de muito papo, vamos ao que interessa


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mais The Endless River pra vocês...

Coisinha rápida de novo... estava eu, no youtube, pesquisando uns vídeos aleatórios do Floyd, quando me deparo com isso aqui:


Eu encontrei todos os outros extras também, mas os mercenários bloquearam pra cá xD Bom, eras Wilson, só achei que deveria compartilhar essa felicidade com vocês...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Videozinho do unboxing do The Endless River

Mais uma vez aqui, pra outra postagem rápida... adivinhem só? O magnata dos boxsets lá no youtube (pra quem não sabe do que se trata, clicar aqui, aqui e aqui) apareceu de novo, com mais um boxzinho... a edição especial do The Endless River. Novamente, seguindo o padrão Pink Floyd de picaretagem qualidade, o box tá lindo demais e, sim, se fosse magnata, compraria sem pensar duas vezes. Bom, chega de papo, deem uma olhada aqui:


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Resenha #10: Pink Floyd - Atom Heart Mother



Atom Heart Mother (refere-se a uma curiosa experiência médica, onde foi implantado um coração artificial numa mulher grávida) foi gravado em 1970 (depois do episódio Syd Barrett) nos estúdios do Abbey Road (sim, o mesmo destacado pelos Beatles) e é famosa pela capa da vaquinha de raça mista (diferentes das vaquinhas da contracapa). Tirar a foto dela custou cerca de mil libras (que eu não to afim de contar em reais). Tudo isso para tirar a foto da vaquinha.

Pelo menos não tiraram a foto das nossas bundas e colocaram na capa.

A música Atom Heart Mother é uma mescla de várias partes instrumentais. É como o desenho Fantasia da Disney. Um início que soa feliz e voador, presente nos sopros de metais (Father's Shout)... Um meio com um violoncelo trágico (Breast Milky e Mother Fore, com o órgão) ao fundo e um solo de guitarra triste aos poucos introduzindo a parte sombria dos vocais (Funky Dung) que soa como uma ''invocação demoníaca''.


Brincadeiras a parte, a música mexe com os sentidos. Até chegar ao ''teclado grilo'', ao ''Here's a loud announcement'' e uma ''conha'' braba. É a parte mais experimental (Mind Your Throats, Please). Finalizando com Remergence, ou seja, ''SILENCE IN THE STUDIO''. É a junção de toda a viagem musical anterior. E assim, acaba a história.



If é uma música aparentemente calma e recheada de questões existenciais e cheia de possibilidades, com uma carga de covardia e arrependimento. Foi tocada somente uma vez, ao vivo, em 16 de julho de 1970.

Summer ' 68 é minha música favorita do álbum. Por quê? Porque é uma música verdadeira, inesperada e a letra retrata a vida dele depois de ''conhecer uma garota'', a vida fugaz, o tédio...É carregado de melancolia, fuga da realidade e um quê de raiva. Só que tudo é aliviado musicalmente: O início leve (como um encontro de uma pessoa, um acontecimento recente) e o final com um bombardeio instrumental de metais destacando, assim, a parte mais expressiva da música. Ou seja, é uma música que depende da letra: É COMO VIVER O NARRADOR. Eu não sei mais o que falo, só sei dizer -> EXPERIMENTE A SENSAÇÃO DE JUNTAR LETRA E MÚSICA <- Sem mais...


Fat Old Sun fede a arcadismo. Veja essa versão:



Alan's Psychedelic Breakfast é relatado por Alan Stiles (roadie da banda), ou seja, é sobre os cafés da manhã dele, ele comendo...São três partes: Rise and Shine (o cara falando), Sunny Side Up (Gilmour inteiramente no instrumental) e Morning Glory (destacando o piano de Wright e baixo do Waters).




E o que eu acho do disco? Eu confesso que é um dos meus favoritos, por ser musicalmente complexo, experimental (que deu certo) e por ter letras significativas (ou não,rsrs...mas que pelo menos, mexem com o imaginário de qualquer pessoa). Sem mais, encerro por hoje.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Boxsets... picaretagem ou capricho?

Pra quem não sabe, duas postagens do blog falam sobre o assunto. Quem quiser saber mais, clicar aqui e aqui. Dessa vez, trago para vocês alguns vídeos, do mesmo cara dos unboxings do Why Pink Floyd. Eu comecei a mudar um pouco minha opinião sobre os boxes porque, quando a banda sabe fazer uma edição especial de um disco (e o Pink Floyd sabe bem), fica muito evidente o capricho e o conteúdo artístico que a banda quer incluir em sua música. Assim, o resultado, apesar de caro, é muito interessante. Mas acho que chega de palavras, pois as ibagens, como se diz por aí, valem por mil palavras.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

O tempo na música


Mais uma daquelas postagens de pouco conteúdo escrito e mais música. Ultimamente tem sido assim porque me falta um pouco de inspiração, mas eu penso nesses temas que geram postagens rápidas. Na de hoje, estava pensando na aula sobre o tempo. Mas não o tempo tipo chuva ou sol, ou o tempo da música como a batida, e sim o nosso tempo, o que estamos perdendo o tempo todo, o que vemos passar, inexorável. E, quando me dei conta, percebi que muitas bandas também falam sobre ele.



Talvez saiam mais postagens com outras músicas relacionadas a essa filosofia sobre o nosso tempo... por enquanto, é isso :D

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Quando palavras não são necessárias... 9.0

Apesar de ser um pouco de falta de inspiração, a postagem de hoje é essa simplesmente porque lembrei de umas músicas muito fodas.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Notícia: Disco novo do Pink Floyd

Sim, é exatamente o que você está lendo. Disco novo e do Floyd, sim senhor. Não é um relançamento de catálogo, não é uma coletânea nova, mas sim músicas inéditas.

A notícia foi dada pelo twitter da mulher de David Gilmour. Pelo que se anda dizendo, são sobras de estúdio do regular The Division Bell. Além disso, o que adiantaram é que o disco, pelo jeito, já está com uma boa parte gravada. Foi tudo feito na surdina durante o fim do ano passado. É um disco instrumental, com algumas partes vocais, NÃO contou com a participação de Roger Waters, se chama The Endless River, será lançado em Outubro, e é considerado, pelo menos por quem tá divulgando, o "canto do cisne" de Rick Wright.

Fotinho das sessões
Sinceramente, acredito no potencial de Gilmour e cia., mas temos que lembrar que o auge criativo da banda se foi há muito tempo. Sem dúvidas, será um disco agradável de se ouvir, mas não espero nada muito superior a um The Division Bell. Agora é esperar pelo disco e ver qual é. Mais ou menos o mesmo com o já anunciado novo disco do Queen (sim, não é um disco com o Adam Lambert. Quem não tá por dentro, só clicar aqui).


quinta-feira, 6 de março de 2014

Parabéns ao Ilustríssimo: David Gilmour

Se não me engano, um estreante aqui, como aniversariante, não? Pois é. Já devia ter tido aniversário dele em 2012 ainda, mas sempre esquecia. Hoje não, apesar de ser mais um lembrete.

Hoje, o tio Gilmour (ou Davi Gilmar pro pessoal da desciclopédia) tá fazendo 68 anos. Pelo visto, ele deu uma parada na carreira, e andou se preocupando mais, junto com Waters e Mason, no grande relançamento do material de toda a carreira do Floyd, o Why Pink Floyd? (pra quem não sabe do que se trata, clicar aqui e aqui). Fora isso, uma aparição num show do Waters. O último disco do Gilmour solo foi o On An Island. Aliás, disco aclamado pela crítica, e que gerou o Live In Gdansk (que traz, além do On An Island tocado ao vivo, Echoes na ÍNTEGRA e a presença do saudoso Rick Wright nos teclados. Se não me engano, foi o último trabalho de Wright).

Bom, acho que era isso. Se tivesse mais tempo, faria uma postagem melhor, com mais informações da vida e da carreira do Gilmour, mas ficou em cima da hora. Ano que vem prometo que vai ser uma postagem ajoder. Mas por hoje é só. Parabéns, Gilmour, muitos anos de vida, que continue encantando muitas gerações com as obras primas dos tempos de Floyd e com o teu feeling inigualável. E que tu venha pra Porto Alegre ainda :D