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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Uns minutos de sua atenção, por favor #5: 2112





Bom, depois de alguma enrolação, finalmente estamos aqui para voltar com os épicos. E, de cara, falando dessa maravilha. Só, antes, peço desculpas por atrasar uns dias essa postagem, mas não é nada que influencie muito no planejamento do mês. Tanto que, até agora, não tivemos mais do que dois dias sem uma postagem. Considerando os meses anteriores, onde tivemos, por exemplo, 2 postagens em 14 dias, isso é uma vitória, e os números refletem isso. Bem, como não estamos aqui pra discutir os números do blog em abril (não ainda, pelo menos), vamos ao que interessa.

2112 é a faixa de abertura do álbum homônimo, o quarto de estúdio do Rush, lançado em 1976. Ocupando o lado A inteiro do disco, seus 22 minutos nos fazem viajar, uma imersão na atmosfera da história criada por Peart e ilustrada com a música de Lee e Lifeson. E, apesar de ter toda essa atmosfera anti comercial, foi um sucesso na época, pelo menos no meio dos ouvintes (a crítica que se foda). Fruto da teimosia da banda, verdade seja dita. Após o lançamento de Caress of Steel - e a repercussão um tanto quanto negativa do disco, por suas músicas longas, de 12 e 20 minutos, e seu pouco potencial comercial - os empresários queriam um som mais direto, que pudesse ser comercializado mais facilmente, músicas curtas, esse tipo de coisa. Eis que a banda resolveu bater o pé e entregou esse disco à gravadora. Eles mesmos falam, hoje em dia, que essa ousadia poderia ter custado a continuidade da banda, mas, se fosse para o Rush acabar, seria por convicção deles, fazendo a música que eles tinham em mente. No final, podemos dizer que essa perseverança teve sua recompensa.

Iniciamos nossa viagem de sete paradas com Overture. Uma das sequências mais emblemáticas da história da banda (e do rock também, por que não?), seus primeiros 40 segundos são apenas uma introdução do que vem por aí... um vento, a expectativa, e lá vem a banda. Aquela velha sequência de acordes de Lifeson, seguida por Lee e Peart com maestria. Duas voltas, uma com a guitarra normal e outra com chorus. Logo após temos aquele solinho, seguido pelo resto da banda da mesma maneira que o início da música, e Peart entra pra valer, com aquela levada clássica nos tons, além de ouvirmos a voz de Geddy como outro instrumento, apenas em vocalizações. Depois disso, mais uma quebrada, agora Lifeson manda mais duas sequências de acordes diferentes e, lá pelos três minutos, chegamos ao solo. São quatro voltas de um andamento mais calmo, enquanto Lifeson manda um daqueles solos que só ele sabe fazer. Depois disso, a banda entra naquela seção famosa da música, que Alex brinca com a plateia ao vivo. Ele manda quase todo o riff e deixa o último acorde pra galera gritar. E, para encerrar a primeira parte, ao final dessa última sequência, voltamos aos três acordes lá do início (dó, sol e ré), que fecharam a sequência inicial. Eles também finalizam a primeira parte da música, seguidos de um mi, repetido 5 vezes, e um trovão/explosão. Então Geddy canta a única linha de letra dessa primeira parte, "And the meek shall inherit the Earth", e entramos em The Temples of Syrinx.

Olhando essa minha descrição ou ouvindo a música pela primeira vez, essa primeira parte parece impossivelmente complexa. Eu também achava isso antigamente, mas, depois que tu te acostuma, tu sabe cada sequência que vem depois. Quando eu vou fazer um som com a gurizada da minha banda, sempre rola uma brincadeira com Overture, e sempre sai direitinho. No próprio documentário do Rush, Beyond the Lighted Stage, músicos que sempre foram fãs da banda falam que era uma música incrivelmente simples, mas o que tornava ela tão mítica era a ousadia e a grandiosidade da composição. Bem, vamos continuar a viagem.

Próxima parada, The Temples of Syrinx. Uma das partes mais curtas da suíte, mas uma das mais conhecidas também. Isso porque geralmente ela e sua antecessora são as únicas partes tocadas ao vivo pela banda nas turnês mais recentes (até, na turnê do Clockwork Angels, o Gran Finale foi tocado, mas normalmente isso não ocorre). A banda já entra nessa parte quebrando tudo, aquela sequência de acordes lá do início volta, Peart sempre fazendo magia com as mãos, no final de cada volta. Geddy entra gritando a letra, nos apresentando a sociedade da música. Basicamente, uma sociedade manipulada, como a do 1984, mas em vez do Big Brother, aqui temos os sacerdotes do Templo de Syrinx, controlando "as palavras que vocês ouvem, as músicas que vocês cantam" e defendem que "é um por todos e todos por um, mas sem perguntar como ou por quê". No refrão, a clássica frase "We are the priests of the Temples of Syrinx", seguida de coisas como "todas as dádivas da vida são mantidas dentro de nossas muralhas".

Na segunda estrofe, pode-se encontrar talvez uma crítica ao comunismo, não sei bem dizer. Frases como "Olhe o mundo que fizemos, igualdade é o nosso lema" e "segure a Estrela Vermelha orgulhosamente no alto" podem dar a entender isso, que há uma suposta igualdade, mas quem governa tem conhecimento de outras situações escondidas do povo em geral, configurando uma manipulação. Vale lembrar que em 1976 ainda estávamos no contexto da Guerra Fria e que, como foi dito pelo próprio compositor da letra, uma das inspirações de Peart para criar a história foi Ayn Rand. Pra quem não tá ligado, google it.

E, após o segundo refrão, terminamos The Temples of Syrinx com um dedilhado no violão. A partir daqui, as sequências de luz e sombra da música ficam muito mais pronunciadas. Começando por Discovery, a seção seguinte. É uma das minhas preferidas, por todo o contexto que ela traz consigo. Começamos ela com um som de água corrente e alguns toques nas cordas de uma guitarra. Nesse momento, eu sempre me perguntava "que porra é essa, o Lifeson tá afinando a guitarra no meio da música?". A resposta é SIM. E, quando eu descobri o porquê, eu fiquei boquiaberto, na real. Digamos que isso é a demonstração mais clara que posso conceber de metalinguagem em uma música.

Versão deluxe do disco
Por que isso? Bom, no documentário sobre a criação desse disco, a banda explica o motivo dessa parte da canção. Basicamente, o protagonista da história, nesse momento, chega em uma caverna (captou o porquê do som da água correndo? Então, ainda vai ficar mais mindblowing). Eis que o nosso herói encontra uma guitarra escondida na caverna. Adivinha só qual é a primeira coisa que ele faz ao encontrar a guitarra? Sim, ele afina ela. Ou seja, a metalinguagem da coisa tá justamente aí, no fato de, durante a música, a história contar que alguém entrou numa caverna, encontrou uma guitarra e afinou ela - sendo que a afinação da guitarra na música é simplesmente Lifeson afinando sua guitarra. A partir daí, as duas músicas "se encontram", porque a composição do Rush, nesse momento, passa a ser o belo som que o protagonista tira da guitarra, na caverna. E quando eu digo belo, é belo mesmo, é o primeiro momento que tu sente uma alegria na representação da banda, o nome Discovery não poderia ser mais apropriado.

Nesse momento, o protagonista está maravilhado com sua descoberta, experimentando vários acordes e fazendo várias reflexões sobre isso, primeiro descrevendo o instrumento, comparando seu som com sons da natureza, as sensações que esses sons transmitem, tudo com um fundo de alegria, de felicidade. Ao final dessa parte, ele fala sobre a ansiedade de compartilhar essa descoberta, como as pessoas ficariam felizes de "ver essa luz" e terem a chance de fazer sua própria música, e como os sacerdotes louvariam seu nome naquela noite.

Mas não é bem assim que funciona naquela sociedade. A volta um tanto quanto abrupta do peso à música já nos indica que estamos entrando em uma nova seção, Presentation. Instrumentalmente, é uma das partes mais ricas da música, jogando muito com essa coisa de pergunta e resposta (Geddy soa sensacional no baixo, a propósito). E como funciona isso? Bem, primeiro temos uma estrofe leve, Geddy canta suavemente falando sobre a razão dele ir diretamente até os sacerdotes - algo bem unusual. Ele fala que encontrou essa maravilha antiga e queria mostrá-la a eles, que ouvissem a sua música, pois "aqui há algo mais forte que a vida, irá tocar vocês". Ingênuo, o protagonista não percebe que não é bem esse o interesse deles.

Para a resposta dos sacerdotes, seca e áspera, entra o peso novamente e Geddy grita, em um tom altíssimo. "Já conhecemos, não é nada novo, apenas uma perda de tempo. Não precisamos de coisas antigas, nosso mundo vai bem" é a resposta ouvida. Nessa parte mais pesada é que Peart simplesmente quebra tudo, sensacional a variedade de viradas e etc que ele faz aqui. Geddy insiste mais uma vez, não acredita no que os sacerdotes dizem, insiste mais uma vez para que eles ouçam sua música, mas ouve simplesmente que não deve incomodar novamente os sacerdotes, eles têm mais o que fazer. Para o final dessa seção, uma volta de um dos riffs das partes anteriores, um solo sensacional de Lifeson e, é claro, Peart e Lee quebrando tudo na cozinha.

Oracle: The Dream é a quinta parte. Mais curta da suíte, com apenas dois minutos, é também a menos lembrada. Foi tocada ao vivo apenas na turnê do Test For Echo. Por tabela, isso significa que 2112 foi ter a sua primeira versão completa ao vivo apenas 20 anos depois de seu lançamento. É uma pena, pois é uma seção que não fica devendo nada para as outras. Inicialmente, temos um efeito mais "espacial" na guitarra de Lifeson e Geddy canta a primeira estrofe, falando sobre o fato de estar voltando pra casa e ter caído no sono no meio da rua. Peart entra, e a banda segue o instrumental conforme as linhas vocais vão aparecendo. Aqui o protagonista descreve seu sonho, onde um oráculo lhe mostrava um futuro, onde a raça antiga voltaria para romper com os Templos (basicamente, romper com essa sociedade manipulatória que se estabeleceu).

Vinil do relançamento com o holograma. 
Eis que chegamos em Soliloquy, penúltima parte. O barulho da água volta, como em Presentation, acompanhado apenas de Lifeson e Geddy. Aqui, o protagonista reflete sobre seu sonho. Aquelas belas imagens, de um mundo diferente do que vivia, ainda estão frescas em sua memória, e ele não queria voltar à realidade que o cerca. Essa parte da música é um belo indicativo do que vai acontecer no final. Na segunda estrofe, Geddy sobe o tom para um altíssimo agudo, além de contar com a entrada de Peart na música. Depois da segunda estrofe, temos um belíssimo solo de Lifeson, mais duas linhas de vocal e entramos no Gran Finale.

A última parte é iniciada por Lifeson, puxando mais um de seus grandes riffs, Peart segue em uma batida mais reta e essa tendência segue por quase um minuto, até que o break anuncia o último riff da música, aquele que a banda fica duelando entre si durante várias voltas, com inúmeras viradas de Peart. A "tensão" vai aumentando gradativamente até que chegamos ao final da última parte, onde, após uma progressão de acordes, a banda quebra tudo em um big ending, enquanto soa ao fundo a clássica frase "attention, all planets of the Solar Federation. We have assumed control". E assim termina essa obra-prima.

Foto de uma das partes
da história em quadrinhos de 2112.
Como nem mesmo a banda acreditava no tamanho do sucesso que 2112 faria, na época foi um lançamento comum. Com o passar dos anos, e a percepção de que 2112 é um disco especial, muito querido pelos fãs, a banda caprichou em alguns relançamentos. Um dos últimos, que Geddy até fez propaganda no That Metal Show, conta com história em quadrinhos da suíte, vinil que mostra um holograma quando está rodando, enfim, o capricho que um clássico desses merecia desde o início.

E, uma última opinião sobre a música é que... mesmo sendo batido, é necessário dizer que 2112 é uma música que nasceu clássica. Toda a sua composição, meticulosamente calculada, os efeitos, a imersão na história. Arrisco dizer que, se fosse lançada em CD, num ousado projeto de disco de uma música só, não seria cansativo. Até mesmo porque o Rush sempre soube fazer músicas muito longas com maestria. E, por incrível que pareça, 2112 parece passar muito rápido a partir de pouco mais de sua metade. Até a sua quarta parte a história transcorre de maneira fluida. A partir da quinta, tenho a impressão que a banda poderia até mesmo ter alongado a suíte em alguns minutos. Mas assim já tá maravilhoso. Peço agora mais 20 minutos de sua atenção (se é que não estão nesse momento ouvindo a música enquanto leem a postagem)... com vocês, 2112!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Uns minutos de sua atenção, por favor #4: April

Sim, depois de muito tempo prometendo, a série está de volta. Espero que com o sucesso que ela tinha antes.

Como entramos em Abril, e tem uma música muuuuito boa que fala sobre o assunto, resolvi trazer ela pra cá. Certamente vocês já me viram falar algumas vezes nela, então não será nenhuma surpresa. Ainda assim, acho que ela merece um lugar nessa série. Aliás, como vocês sabem, pra fazer parte dessa série, a música tem que ter um "quê" de progressivo (senão, muitas músicas do Neil Young, Rush e outros, que fazem naturalmente músicas longas, mas "normais", poderiam entrar). Mas chega de enrolação.

Pra quem não conhece, o Deep Purple teve uma fase bem progressivo-psicodélica no começo. Longos solos de órgão, versões arrastadas para clássicos de Hendrix e Beatles e muito chiado nas gravações. Afinal, são os anos 60, bicho.

Tá, parei,

A formação era Blackmore, Paice e Lord, claro, acrescidos de Nick Simper no baixo e Rod Evans nos vocais. Aquele Rod Evans, lembram? Da treta do Falso Deep Purple. Quem perdeu, dê uma conferida aqui, é uma das primeiras postagens da história do blog. Vale a pena ver, é uma história bem interessante.

Continuando... o ano era 1969. O Purple tentava uma última cartada com essa formação, a Mk I (secretamente, Ian Gillan e Roger Glover já ensaiavam com Blackmore, Paice e Lord. Ainda em 1969, eles entrariam pro Deep Purple, tendo como primeiro registro oficial o Concerto For Group and Orchestra. Já falei dele também, só clicar aqui). Depois de um interessante disco de estreia (olha só, por acaso também falei dele aqui, por causa dos 45 anos. Quem quiser ver, clique aqui

O Deep Purple dos primórdios: Blackmore, Lord, Simper, Paice e Evans
), e de um não tão interessante segundo álbum, viria o terceiro - homônimo - que faria ainda menos sucesso, acredito que, inclusive, contribuindo para o final da Mk I.

Ainda assim, não ter feito sucesso não significa que ele seja um disco ruim. Sinceramente, as primeiras 7 músicas do disco, pra mim, são mais do mesmo, boas músicas, mas muito arrastadas e viajadas. A pérola do disco está no final. Por causa dela, esse disco tem um ponto forte. Por causa dela, essa quarta postagem da série está acontecendo.

Mas o que tem de mais em April, além dos 12 minutos e 10 segundos?

Basicamente, April é um esboço, uma "versão de bolso" do que passava na mente de Lord e que alguns meses depois viraria o Concerto. Uma fusão inigualável de orquestra e hard rock onde, durante os primeiros oito minutos (divididos em dois "movimentos" bem distintos - o primeiro, um longo solo de Blackmore, acústico e elétrico, e o segundo, uma peça para uma orquestra de 12 peças, composta por Lord mas onde nenhum membro do Purple toca), o ouvinte é presenteado com um tema muito puxado pra um "medieval" (me lembra algumas coisas do Jethro Tull), e nos últimos quatro, entramos em um rockzão, bem anos 60. Evans, nessa última parte, faz sua participação na música, cantando uma pessimista letra sobre o mês de Abril. Bom, não vou ficar me alongando por aqui.

Quero 12 minutinhos de sua atenção, por favor... apresento-lhes April.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Uns minutos de sua atenção, por favor #3: La Villa Strangiato

Bom, quem não conhece aquela vinheta clássica do Cartoon Network? Infelizmente não encontrei o vídeo, mas se você pegou os bons tempos do Cartoon e vai ler essa postagem até o final, sabe do que eu to falando... e se eu dissesse que esse tema das vinhetas se chama Monsters? Bizarro, não? Mas sim, é exatamente esse o tema dessa postagem.

Trocando em miúdos, a trilha sonora dessa vinheta do CN foi retirada de uma das músicas mais clássicas do Rush e do Rock em geral. Estou falando de La Villa Strangiato, nove minutos e meio de absoluto deleite dos ouvidos. E o mais incrível é saber como essa peça foi criada. Segue abaixo um trecho de uma postagem sobre essa música, do blog (agora site) Consultoria do Rock:

"La Villa Strangiato" é uma longa peça inteiramente instrumental divida em 12 (!) partes. Com o subtítulo de "An Exercise in Self-Indulgence", ela foi inspirada justamente em sonhos que Lifeson estava tendo com personagens como Pernalonga, Gaguinho e também em canções alemãs que ele ouvia quando criança. 

Bom, acho que isso já explica, né? Agora vamos à música


A primeira parte, chamanda "Buenas Noches, Mein Froinds", é a abertura da música, com Lifeson tocando leves acordes no violão, seguidos de um solo muito, mas MUITO rápido e desembocando em um acorde forte. Entramos, então, em "To sleep, perchance to dream...", onde Lifeson usa a guitarra, repentindo várias vezes uma sequência de notas, enquanto Geddy Lee cria camadas de som com seu teclado. Peart entra com uma marcação mais ou menos complicada, e depois de umas 4 voltas troca essa marcação para a marcação mais impossível das baterias do Rush, junto com Anthem. A música vai ganhando força, Geddy passa para o baixo e, depois de repetir 4 vezes uma mesma frase com a guitarra distorcida, entramos em "Strangiato Theme", o verdadeiro "riff" da música, se é que ela tem realmente um. 


Aqui Lifeson brinca com as notas, Geddy o acompanha no baixo e Peart faz parecer fácil a marcação intrincada, cheia de aberturas de chimbal. Depois de duas repetições do Strangiato Theme, entramos em "A Lerxst In Wonderland", onde começa uma seção pesada, cheia de tempos trocados, e que entra depois em uma marcação lenta, extremamente difícil na bateria, onde Lifeson começa solando lentamente. Essa é a seção mais longa da música, com 2 minutos e meio. Após um tempo, o solo começa a crescer, e ficar mais rápido. 


Entramos em mais uma sequência de notas, feitas com palm mute, enquanto Neil Peart marca o tempo no prato de condução. Quando Peart passa para o China e Lifeson adiciona peso ao riff, é a deixa para entrar na seção seguinte, "Monsters!", que como já dito anteriormente, é idêntica à vinheta utilizada no Cartoon Network dos velhos tempos. É um simpático riff de apenas 20 segundos, seguido por "The Ghost of the Aragon".


Não que a música já não fosse difícil o suficiente, mas a partir dessa parte o Rush resolveu ignorar afu. Trocas ferozes de tempo, solos e mais solos, viradas intermináveis na bateria... não é à toa que a música original foi gravada em três partes pois, segundo a própria banda, "eles haviam criado algo acima do nível técnico deles à época". 


Danforth and Pape, seção seguinte, só confirma o que eu disse anteriormente, mais solo de Lifeson, Geddy ignorando no baixo e Peart fazendo mais uma complicada marcação. Como sugere o nome, "The Waltz of the Shreves" é uma pesada valsa, um dos poucos momentos da música onde dá para acompanhar o tempo, mesmo que não seja um batido 4/4. Após essas repetições de 3 acordes, entramos em "Never Turn Your Back On A Monster!", a seção mais curta da música. Trata-se do riff de "Monsters!" com outro andamento. Mas pra quem sente saudade dessa parte, sem problemas, pois a seção seguinte é a reprise de "Monsters!" xD Interessante lembrar que, como no Rush In Rio, depois Never Turn Your Back On A Monster, a banda fazia uma pausa, com uma marcação de Peart e Lee para Lifeson improvisar o que desse na telha, sempre arrancando sorrisos da plateia.

Depois da reprise de Monsters!, temos outra reprise, agora a de Strangiato Theme. Como previsível, é uma repetição do tema do início da música. A diferença é que ele começa em um acorde mais acima nessa parte. Repete-se o tema duas vezes e A Farewell to Things, última parte da música, dá fim a uma das maiores peças já criadas no Rock. Enfim, indescritível, só ouvindo a música pra entender. Então sem mais delongas... agora, 9 minutinhos de sua atenção, por favor... com vocês, LA VILLA STRANGIATO:


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uns minutos de sua atenção, por favor #2 : When the Wild Wind Blows

A segunda postagem do temático traz um "épico contemporâneo". Lançada em 2010, no The Final Frontier, belo trabalho do Iron Maiden, de 2010, com seus 11 minutos, é a melhor música do disco.
O Maiden é daquelas bandas que tem uma característica que é enaltecida pelos fãs e criticada pelos detratores: nunca mudou sua sonoridade, seu direcionamento musical. E talvez seja uma boa característica mesmo, pois enquanto bandas como Queen e Rush conseguiram fazer sucesso mudando seu som, outras, como The Beatles e Linkin Park, eu acho uma bela merda (por exemplo, a fase psicodélica dos Beatles). Nunca esqueçam uma coisa: é MINHA opinião. Se não concorda, beleza, não precisa me xingar, não to aqui pra agradar a todos. Teve um cara que tentou isso há uns 2 mil anos e acabou crucificado...

Mas voltando à música. Tiveram fãs que compararam essa música do Maiden até com a clássica Rime Of The Ancient Mariner. São sim semelhantes, não só pela sua duração, mas pelas trocas de tempo. Curiosamente, eu curto mais When The Wild Wind Blows, ela tem as seções mais "organizadas", Rime fica meio cansativa dependendo da situação.
Quanto à letra, When The Wild Wind Blows é uma narração do momento que descobrem que o mundo vai acabar. Depois de uma introdução, a qual se repete no final, chegamos ao riff principal da música. Aqui, Bruce Dickinson entra com a primeira estrofe,

Have you heard what they said on the news today
Have you heard what is coming to us all?
That the world as we know it will be coming to an end
Have you heard, have you heard?

,onde ele pergunta ao ouvinte da música se já sabe das notícias, se ele já sabe que o mundo como o conhecemos está chegando a um final.

Após isso, segue a música. Vem segunda, terceira e quarta estrofe na mesma situação. Então temos uma paradinha e bateria e guitarra distorcida entram, dando aquele peso à música. Passam-se mais umas estrofes nesse peso e, quando Bruce canta "Getting ready when the wild wind blows", todos param e Nicko muda o tempo da música na bateria, seguido pelo resto da banda. Temos mais uma estrofe e o primeiro solo, que desemboca em outro riff da música. Nesse momento, riff e solos se alternam, até chegarmos numa parada, que dura duas voltas e a bateria volta a fazer a marcação normal.

Entramos então na terceira parte da música, onde Nicko faz uma marcação com duas batidas no hihat por tempo, e temos uma base bem pesada, para Bruce continuar revelando sua dramática e apocalíptica letra. Depois de terminar a penúltima estrofe da música, temos o segundo solo, onde temos mais uma troca de tempo, que vai desembocar na mesma melodia do começo da música, e assim Bruce termina a música com a última estrofe. Enfim, tem que ouvir essa maravilha pra entender.
Quero agora 11 minutinhos de sua atenção... com vocês, When The Wild Wind Blows!



Versão ao vivo:



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uns minutos de sua atenção, por favor #1 : Carouselambra

Bom, como prometido, novo temático. Esse vai tratar de épicos, ou músicas longas que são foda mesmo.

Começaremos com uma música nada convencional. Quinta música do irregular In Through The Out Door, oitavo disco de estúdio do Led Zeppelin e último com John Bonham vivo, é uma tecladeira louca. Mas para entender o porquê de tanto teclado, voltemos para o início: a concepção do disco.
Depois do fraco Presence, no qual Jimmy Page teve de tomar as rédeas, devido ao sério acidente de Robert Plant e, por isso, é um disco muito mais pesado, guiado pelas guitarras (é o único disco do Zeppelin que não tem violões, exceto por um inaudível violão acústico em Candy Store Rock), a coisa mudou de figura. Não havia mais um Jimmy Page para "carregar a banda nas costas", já que o guitarrista estava mais afundado nas drogas do que nunca. Coube então a John Paul Jones e Plant essa tarefa. Enquanto Plant, como sempre, foi parte importante do processo criativo, à exceção de Presence, JPJ estava maravilhado com seus brinquedinhos novos: seus teclados.

As 6 capas diferentes do In Through The Out Door : pra o comprador não saber qual era a capa que estava levando, a capa do disco era envolta num saco tipo de pão.
Essa é a razão de, em toda música do In Through The Out Door ter UMA PORRA DE UMA TECLADEIRA, às vezes infernal, devo dizer. Contribuindo para isso, JPJ e Plant gostavam de ensaiar de dia, enquanto que Page e Bonham preferiam a noite. Isso fazia com que os dois apenas completassem a ideia concebida no dia, muito provavelmente atrás de um teclado.
Apesar de todos esses "problemas", In Through The Out Door saiu infinitamente melhor que Presence. Aqui temos uma pauleira desatada (In The Evening), uma mistura louca de ritmos que envolve até samba (Fool In The Rain), um divertido rockabilly (Hot Dog - junto com In The Evening, são os momentos de Page no disco), uma baladinha que, apesar de ser extremamente melosa, é um clássico do Zeppelin (All My Love), duas musiquinhas que não fedem nem cheiram (South Bound Saurez e I'm Gonna Crawl), e a Carouselambra. Sem mais delongas, vamos à música.

Quando eu vi o nome pela primeira vez, pensei que fosse algo macabro, sombrio de verdade. E no começo parece isso. Começamos com uma pesada tecladeira de Paul Jones, em um ritmo rápido onde o baixo, pulsante, também se destaca.
Nos primeiros 4 minutos, temos 3 estrofes assim, com um contratempo entre a segunda e a terceira, e depois da terceira, e após um solo de teclado, a música passa por uma parte com uma guitarra mais proeminente, ainda acelerada, e desemboca em uma parte completamente viajante, lenta, arrastada, com Plant estendendo as palavras. Além disso, a guitarra de Page é muito importante nessa parte, se tem a sensação de que ele está usando o arco de violino, de tão espancada que é a guitarra.
Essa parte, arrastada, que se intercala com aquela que veio imediatamente antes, se estende por uns 3 minutos. E então, depois disso, temos o Led Zeppelin fazendo música de discoteca dos anos 80. Adivinha qual instrumento se destaca e torna isso possível? Acertou, o teclado.

Bom, não tem como descrever muito, só ouvindo para entender a fodalhonice dessa música. Agora, por favor, 10 minutinhos de sua atenção: Com vocês, CAROUSELAMBRA!