segunda-feira, 12 de maio de 2014

Especial Titãs #5: Os integrantes (Parte 1)

Bom, depois de 3 dias sem postagem, voltei pra terminar o especial. Ainda teremos mais uma, sobre o novo disco, a segunda parte dessa aqui e o Quinta Underground, parte 2. Hoje é só uma passada rápida na carreira dos integrantes. No caso dessa postagem, os quatro que saíram. Os quatro atuais ficam pra próxima.

Arnaldo perdeu o espírito dos Titãs quando começou
a pentear o cabelo.
Arnaldo Antunes - O "louco". Criativo e irreverente, nasceu em 2 de Setembro de 1960, São Paulo, capital. Em 1978 ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, largando, posteriormente, pelos Titãs (provavelmente isso influenciou muito em suas letras). Esteve na banda no período de 1982 a 1992, contribuindo em todos os lançamentos da banda nesse período.
Alguns dos maiores sucessos da banda, apesar de não serem cantados por Arnaldo, levam seu crédito na composição. Peças como Família, Bichos Escrotos, Cabeça Dinossauro, Miséria, entre outras, até mesmo quando já não estava mais na banda, como Disneylândia, do Titanomaquia. Após 1992, voltou-se para carreira solo. Participou da turnê do Acústico com os Titãs, e até hoje participa de alguns shows. Sua saída da banda foi amigável.
Lançou em 2002, junto com Marisa Monte e Carlinhos Brown o Tribalistas, trabalho do grupo homônimo, e tem diversos livros publicados, além de já ter sido VJ.

Esclarecidas as dúvidas sobre o
guitarrista gourmet?
Marcelo Fromer - O "quieto"/o "guitarrista gourmet". Nasceu em 3 de Dezembro de 1961, São Paulo, capital. Antes de entrar nos Titãs. foi integrante do Trio Mamão e as Mamonetes, onde tocava junto com Tony Bellotto e Branco Mello. Apesar de ser o menos lembrado do grupo, Fromer tinha um papel essencial. Não só por ser o guitarrista base, mas também por ser um dos grandes responsáveis da parte da harmonia. Muitas canções de sucesso da banda levam seu crédito. Sonífera Ilha, Televisão, AA UU, Homem Primata, Comida, Desordem, Lugar Nenhum, O Pulso, entre outras que não foram sucessos. Provavelmente nunca estava lá pelas letras, mas sim pelo instrumental, que também é uma parte importantíssima da banda.
Esteve nos Titãs no período entre 1982 a 2001. Além disso, era colunista da Folha de S. Paulo junto com Nando Reis, outro são-paulino fanático, e em 1999 lançou seu livro gastronômico Você Tem Fome de Quê?. Teve sua vida abreviada após ser atropelado por um motoqueiro enquanto praticava cooper.

Foi osso achar uma foto decente do Nando.
Nando Reis - O "ruivo". Nasceu em 12 de Janeiro de 1963, São Paulo, capital. Caçula dos Titãs, era originalmente vocalista e, quando Miklos cantava, baixista. Prova disso é que só umas 4 músicas tinham o baixo tocado por ele no debut. Esse número aumentou para 8 no Televisão e, a partir do Cabeça Dinossauro, Nando virou o baixista oficial. Seu timbre característico, agudo, obriga os companheiros de banda a cantarem suas músicas, como Família e Marvin, alguns tons abaixo. Infelizmente, seu comprometimento com a banda a partir de 1992 foi muito pequeno, comparado com a carreira solo. Isso porque, diferentemente de Arnaldo, que anunciou logo quando quis sair, Nando permaneceu na banda como uma carta fora do baralho desde o Titanomaquia, de 1993, até sua saída oficial, em 2002.
A prova disso é que poucas canções (ou quase nenhuma) suas foram sucesso nos discos seguintes, diferente de Igreja, Homem Primata (que leva sua assinatura na composição), Diversão (mesmo caso de Homem Primata), entre outras. Talvez Turnê, que leva sua assinatura, e O Mundo É Bão, Sebastião! (e isso porque essa última é tocada até hoje em seus shows).
Enfim, no meio da turnê do A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, Nando largou da banda, deixando seus colegas meio putos com essa situação. Tanto é verdade, que até hoje sua relação com a banda não é tão amigável quanto a de Charles ou Arnaldo. Charles, estando 4 anos fora dos Titãs, já participou de dois shows. Nando, só de um. E isso, porque tinha show solo e não quis adiar. Atualmente, segue sua bem sucedida carreira solo com sua banda, Os Infernais, cantando suas canções extremamente românticas. Beeem parecidinho com o mesmo cara que falava "amor, quero te ver cagar" nos Titãs, não?

Policial aposentado... aushuahsuhauha
Charles Gavin - O "motor". Nasceu em 9 de Julho de 1960, São Paulo, capital. Foi o único membro dos Titãs que entrou depois do lançamento do primeiro disco. Antes, havia tocado com Ira! e RPM. Ira!, aliás, foi o destino de André Jung, o fraco batera que tocou nos Titãs entre 1982 a 1984. Charles ficou na banda de 1985 a 2010. Saiu porque já se sentia deprimido com essa rotina de discos e turnês (segundo ele, "é muito difícil envelhecer numa banda de rock"). Na real, acho que ele tava deprimido com os discos merda que a banda lançou em 2003 e 2009, porque seguiu carreira na música sem problemas.
Apesar de (como, injustamente, a maioria dos bateristas) não ser muito lembrado, Charles tinha seu estilo próprio, com rapidez, destreza e, quando necessário, sobriedade. Aliás, falando em sobriedade, ele era o caretão dos Titãs nos anos 80 e 90. Ele mesmo fala no documentário da banda "meu primeiro drink, minha primeira vodka foi com 31 anos. Antes disso era só suco de laranja". Branco respondeu "é, não sei como ele entrou na banda". xD
Além disso, Charles também era importante nas composições. Acredito que poucos sabem, mas ele compôs SOZINHO Estado Violência. Uma das melhores músicas da banda. Além disso, outros sucessos como Desordem, Lugar Nenhum, Flores, Tudo o Que Você Quiser e Turnê levam sua assinatura na composição.
Atualmente, Charles toca com o Panamericana, um supergrupo nacional que também conta com Dé Palmeira, antigo baixista do Barão Vermelho, e Dado Villa-Lobos, antigo guitarrista da Legião Urbana. Tão pra lançar um disco esse ano, com versões em português de clássicos argentinos e uruguaios. Além disso, apresenta o Som do Vinil no Canal Brasil, com discos clássicos da música nacional.

Bom, acho que era isso. Amanhã, um perfil dos membros remanescentes da banda. Além disso, ainda vai ter a segunda parte do Quinta Underground e, pra fechar o especial, resenha do disco novo. Não esqueçam de curtir a página do blog no facebook. Valeu!


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Especial Titãs #4 - Quinta Underground #22: Titãs (1ª Parte)

E o nosso especial segue, agora com um velho conhecido do blog, que anda adormecido. Como todas as bandas, o Titãs também é uma banda que tem ótimas músicas pouco lembradas. Como a história da carreira completa da banda vocês podem encontrar nas três postagens anteriores, vou direto ao ponto.

Babi Índio e Balada Para John e Yoko (1984 - Titãs)

Confesso que escolher músicas boas desconhecidas do debut da banda não é tarefa fácil. Nem o arranjo das conhecidas era decente. Todos sabem que as versões de sucesso de Marvin, Sonífera Ilha, Go Back, Toda Cor e Querem Meu Sangue são as que vieram depois, com um maior amadurecimento musical da banda. Mas tem duas músicas que até podem soar bobas, mas são legaizinhas.

Babí Índio - Mais ou menos grudenta. Além disso, Branco manda bem aqui.

Balada Para John e Yoko - A letra é uma bosta, mas vale pelo instrumental, bem fiel à original.

Pavimentação, Tudo Vai Passar, O Homem Cinza e Autonomia (1985 - Televisão)

Já aqui é mais fácil de falar alguma coisa. A banda mostrou uma bela evolução no seu segundo disco, ainda que não tivesse atingido um ponto máximo (e que pra mim também não aconteceu no Cabeça Dinossauro. A banda só ficou craque mesmo nos arranjos a partir do Jesus Não Tem Dentes). Além disso, muitas músicas desse disco ficaram paradas no tempo, ou foram tocadas até poucos anos depois do lançamento e esquecidas.

Pavimentação - Um bom exemplo do que eu disse antes. Não foi lançada em single, mas foi tocada até início dos anos 90. Hoje em dia, ninguém lembra dela. Injustiça. Já a TERRÍVEL Dona Nenê eles andaram tocando até ano passado.

Tudo Vai Passar - Pela letra, uma baladinha. Pelo instrumental, um rockzinho. Bem legalzinho.

O Homem Cinza - Uma das melhores músicas dos Titãs. Queria que o Nando tivesse tocado ela no show que ele fez aqui em Porto Alegre. Acredito que sequer tenha sido tocada ao vivo, o que é um crime. Tem uma divertida letra e um arranjo sensacional.

Autonomia - Um riff decididamente punk. A letra, sobre o dilema entre jovens, pais e a autonomia. E, de brinde, um Miklos com voz de Sérgio Britto, o que acontece às vezes em estúdio, de ambos os lados.

A Face do Destruidor, Tô Cansado e Dívidas (1986 - Cabeça Dinossauro)

É realmente difícil encontrar músicas desconhecidas num disco tocado à exaustão, por isso peguei as que foram menos tocadas até hoje ao vivo.

A Face do Destruidor - Mais como uma brincadeira mesmo, onde experimentaram uns efeitos de reverter a track instrumental e etc. Até era tocada nos anos 90 com um arranjo mais "normal", mas na turnê de 25 anos do Cabeça, eles tocaram ela como tem que ser.

Tô Cansado - Uma das três músicas do Branco no disco. Duas estão aqui, e a outra é a faixa título. Difícil entender porque não gosto tanto assim dele?

Dívidas - Pelos dados no setlist.fm, muito provavelmente ela foi pouco tocada na época do lançamento do disco e foi mais lembrada agora, quando eles tocaram o disco na íntegra. É uma boa música, é meio que um ska. Tipicamente paulista, falando de economia :D

Corações e Mentes, Infelizmente, Mentiras e Armas Pra Lutar (1987 - Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas)

Tão difícil quanto escolher as do Cabeça é escolher as desse disco. Fora os quatro hits, o resto do disco se divide em músicas que soam mais como vinhetas quase sem letra (pra quem não é fã soa como uma encheção de linguiça do caralho), e outras mais, digamos, "normais".

Corações e Mentes - Uma música que já existia antes do disco ser lançado. Era tocada na turnê do Cabeça Dinossauro e, inexplicavelmente, saiu do setlist depois do lançamento do Jesus. Com um ótimo andamento, cheia de efeitos eletrônicos, mas soando natural. Seria épico ver ela ao vivo hoje em dia.

Infelizmente - Aqui temos um exemplo das "músicas vinheta". Nando reis segura praticamente duas notas em toda a música, que dura apenas um minuto e meio. A história que Sérgio canta durante ela, porém, é interessante.

Mentiras - Cantada por Sérgio, e não por Miklos, como pensava antigamente, curta, mas pesada.

Armas Pra Lutar - Branco quase cuspindo os pulmões pra fora nessa música. Nem fudendo que eles tocam ela hoje em dia, ele não tem mais fôlego pra cantar assim.

Miséria, Racio Símio, O Camelo e o Dromedário, Palavras, Medo, Faculdade e Deus e o Diabo (1989 - Õ Blésq Blom)

Esse disco sofre do caso muito comum de uma ou duas músicas serem hits tão grandes que o resto fica ofuscado. Eu até não ia incluir Miséria aqui, por ter sido single e estar em evidência na época do acústico, mas aí eu parei pra pensar e... bom, já faz tempo pra cacete desde o acústico. Já 32 Dentes eu deixei de fora porque eles andaram tocando ela na turnê do Inédito.

Miséria - Uma Diversão aprimorada. Com letra forte, o jogo de "ping-pong" dos sintetizadores de bateria entre os lados do falante são cativantes. Os teclados, idem. Acredito que esse seja o disco mais inteligente dos Titãs em relação a letra. A parceria definitiva entre Titãs e Liminha.

Racio Símio - Cantada por Nando Reis, mostra divertidas afirmações do dia-a-dia, como "é dos carecas que elas gostam mais", "a soma do quadrado dos catetos é o quadrado da hipotenusa" e "quem come prego sabe o cu que tem".

O Camelo e o Dromedário - Uma das músicas mais zuadas da banda. Cantada por Miklos. O baixo do Nando tá sensacional aqui.

Palavras - Um jogo de palavras sobre... palavras. Coisas do Sérgio.

Medo - Reta, rápida e berrada por Arnaldo. Dá uma sensação de velocidade e claustrofobia.

Faculdade - A outra música do disco cantada por Nando. Faz um divertido jogo de palavras com vocábulos tipo o do título da música.

Deus e o Diabo - Mais uma das "maluquices eletrônicas" da banda. O solo parece uma metralhadora espacial ou algo do tipo. Mas é muito foda.

Bom, era isso. Aliás, por hoje era isso. Prometi 4 e entreguei 3. É a vida :P mas não estaria certo se o Quinta Underground saísse na sexta mais uma vez.

Especial Titãs #3: A banda (Parte 3)

Como eu disse antes, agora a coisa começa a desandar. Depois de quase 15 anos tocando, fazendo sucesso, suportando a saída de um dos principais compositores e membros da banda sem perder o prestígio, eis que os Titãs têm a ideia "genial" de fazer um acústico.

UM ACÚSTICO. O símbolo da modinha, do "se vendeu" e otras cositas más. E o Titãs vestiu a camiseta como nenhuma outra banda. Por que isso?

Simplesmente porque todas as bandas que fazem essa palhaçada esse tipo de show, vão lá, fazem o show e era isso. Charlie Brown Jr, as bandas gaúchas, o Engenheiros do Hawaii, todos eles. Menos os Titãs. A ÚNICA banda que eu conheço que fez uma "Turnê Acústico MTV" foram os Titãs. Durante final de 1996, 1997 e um pedaço de 1998, quem queria ver a banda, aquela mesma, dona de hits como Polícia, Lugar Nenhum, Bichos Escrotos, ia se decepcionar profundamente.

E uma das coisas que mais dá raiva da banda é isso. A maneira que eles trataram o Acústico. Como se não bastasse, um ano depois, em 1998, lançaram o Volume Dois, adivinhem só? Uma coletânea de regravações de hits anteriores. Apesar de conter uma versão interessante de domingo (preguiçosa como o próprio) e o já citado (na primeira postagem) rearranjo de Sonífera Ilha, é um disco dispensável. Ainda por cima, veio nesse disco o cover de É Preciso Saber Viver, que dá uma mostra de como a banda está acomodada e satisfeita com a situação, afinal, a grana segue entrando.

Titãs sem Nando: um quinteto
E é bem como diz na página da banda na wikipédia. "Novos fãs, novas críticas". Enquanto as donas de casa e mulheres em geral, atraídas por esse lado baladinha da banda, viraram fãs deles, os seus verdadeiros fãs, que queriam ver as porradas de sempre no palco, simplesmente pegaram nojo dessa fase da banda. Comigo não é diferente. Pra mim, a ordem cronológica dos discos de estúdio da banda vai até o Domingo e dali pula direto pro A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana. Mas continuando na década de 90, como se não bastassem todas essas cagadas, a banda grava o As Dez Mais, que, até a época, era o pior disco da banda, disparado. Só o cover de Aluga-se se salva.

Seguem-se mais shows entre 1999, 2000 e 2001. Eis que a banda para pra gravar o novo disco e, durante os últimos ensaios antes de entrar em estúdio pra gravar, Marcelo Fromer é atropelado por um motoqueiro e morre dois dias depois. As imagens de Marcelo no seu último ensaio com a banda, acertando as guitarras em O Mundo é Bão, Sebastião!, estão inclusive no documentário A Vida Até Parece Uma Festa.

Não é preciso ser um gênio pra imaginar que a perda de Marcelo fez muita falta pros Titãs. Primeiro, porque ele era o responsável pelas harmonias, junto com Bellotto. Segundo, porque era um irmão deles que tinha partido. É como Bellotto diz no documentário: "a gente, quando cria uma banda, tem aquela coisa do sonho juvenil, e que não envelhece nunca. Aí, quando você vê, o cara morreu, não tem mais volta.". Terceiro, a banda ficaria sem guitarrista base. E o quarto e último motivo é que a morte de Fromer, juntamente com a de Cássia Eller, alguns meses depois, seriam o "estopim", o motivo que faltava, pro Nando sair da banda, o que ocorreu em 2002, no meio da turnê do disco.

Isso representou o fim dos Titãs, como eles eram antigamente. A não ser que um dia eles voltem a tocar juntos, todos os 7 (e ainda assim com Miklos tendo que assumir uma das guitarras), aquele Titãs do octeto, com três vocalistas, enchendo o palco, não existe mais. Tudo isso por causa da morte de Fromer. Se ele estivesse vivo, muito provavelmente o Nando ainda ficaria na banda mais uns anos e talvez o Charles não tivesse saído. Na pior das hipóteses, seria um sexteto sem músicos contratados.

Mas como a vida segue, saiu em 2001 o A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. E é com profunda infelicidade que eu digo que o único sucesso do disco foi Epitáfio, e um pequeno destaque para a faixa título e Isso. A música que fez os Titãs virarem escravos dos seus fãs, pelo menos até mais ou menos 2010. Epitáfio teve um efeito tão devastador que é mais conhecida que os clássicos do Cabeça Dinossauro. E não é por ser a música que é. Com certeza é uma das letras mais bonitas sobre a vida e a banda a gravou por estar abalada com a morte do Marcelo. Só que... não é o Titãs que todos se acostumaram. Além disso, é um disco mais fraco porque deveria ter, no máximo 12 músicas. O fato de ter 16 fez entrar músicas ruins.
Pior capa da história da banda:
sim ou claro?
Em 2003 veio o Como Estão Vocês?. Sem comentários. Mais uma vez, outra baladinha foi sucesso. O "Epitáfio" da vez foi Enquanto Houver Sol, que até tema de novela foi. O resto do disco é fraco, e olha que contou com a produção do Liminha. Nem isso melhorou o disco. Dois anos depois, saiu o Ao Vivo MTV, elétrico, bem gravado, redondinho, com belos solos... porque contou com Emerson Villani na guitarra e Lee Marcucci no baixo. Aí veio mais uma turnê gigante, que já emendou numa turnê com os Paralamas e, quando se pensava que não podia piorar, sai o Sacos Plásticos, disco mais fraco da banda até hoje, e sai o Charles da banda também.

Aí veio um ponto de virada importante na história da banda. Na minha opinião, é um somatório de fatores. Primeiro que a "água bateu na bunda" quando eles viram que até o Charles saiu. Segundo que, logo depois, em 2011, o Cabeça Dinossauro completou 25 anos e ganhou aquela turnê onde foi tocado na íntegra junto com uma maioria de clássicos antigos. Ali a banda percebeu que é isso que o pessoal quer. Titãs das antigas. Parece que tudo isso fez a banda voltar pros eixos.

E a tendência do novo disco, Nheengatu, é exatamente essa. Porrada em cima de porrada e era isso. Todos esperamos que seja assim. Agora é esperar pelo disco e ver qual é.
A banda atualmente


Especial Titãs #2: A banda (Parte 2)

Paramos mais ou menos em 1989. A banda, que recém tinha lançado o novo Õ Blésq Blom, estava no auge. Sucesso, shows lotados, convites para tocar em festivais, premiações (ok, é Troféu Imprensa mas conta :D) dentre outras coisas. Aqui embaixo temos um show da banda no Estúdio Transamérica, antes do lançamento do disco, para a divulgação de algumas músicas. Clássico.


Eis que então, sem razão aparente, os Titãs rompem a parceria com Liminha. Nada com inimizade ou algo assim, eles simplesmente quiseram produzir o próprio disco. Ousado? Com certeza. Uma boa ideia? Nem tanto. Temos que considerar todo o cenário por trás disso. Assim como era o auge da banda nos palcos, também o era nas drogas. Além disso, o mercado fonográfico daqui (que manda e desmanda no sucesso do momento - nos anos 80 foi o rock, nos 90 o sertanejo e nos 2000 o pop sem graça de cantoras como Kelly Key e etc.; atualmente, a Globo o mercado força a barra pro lado da Anitta) já tava enveredando pro lado do sertanejo, como dito antes.

E, assim, enquanto todo mundo esperava por mais um trabalho da banda na linha dos três anteriores, vem o Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. O disco mais sujo, agressivo, polêmico E CRITICADO da banda. Afinal, como diria um ditado por aí "o crítico é aquele cara que é broxa e que também tenta broxar os outros. Se não o consegue, ao menos impede que o outro tenha orgasmos". Assim como Legião Urbana, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso simplesmente SUMIRAM na década de 90, os Titãs não estavam exatamente em evidência e, se estavam, não era por boas palavras da crítica.

Bom, a Legião nem tanto, mas foi bem criticada com o seu O Descobrimento do Brasil. Já o Paralamas e o Barão, sem dúvida alguma, morreram abraçados no tipo de música que faziam nos anos 80 - que, naquela década, fazia sucesso. E TODO mundo sabe que a crítica ADORA destruir uma banda. Olha o que eles fizeram com o Rush e Queen no início da carreira. Até mesmo o Led Zeppelin no seu primeiro disco.

Mas, e o motivo desse "ódio" todo pelo Tudo Ao Mesmo Tempo Agora? Acho que nem mesmo a banda se abalou com isso, pois o disco aparece pra vender até hoje em lojas. Eu mesmo comprei uma cópia, e estou com ela aqui na mão. Posso dizer, basicamente, que por causa de TRÊS (talvez quatro ou cinco) das quinze músicas do disco, que são realmente escrachadas e escatológicas nas letras, o disco foi completamente detonado. Clitóris, Isso Para Mim É Perfume e Saia de Mim. Talvez também possamos incluir Cabeça.

Coincidência ou não, Clitóris foi a música mais tocada do disco durante os shows da banda. Até 1996 ela ainda aparecia no setlist. Já Saia de Mim é o verdadeiro clássico do disco. Pesada, com um belo riff de guitarra, baixo e bateria afiadíssimos, e Arnaldo cuspindo a letra nos microfones. Com certeza, até mesmo uma das melhores músicas da banda. Pros detratores do disco, só lhes digo uma coisa: ouçam todo o disco. Claro que tem algumas músicas que são realmente ruins, não estou aqui para dizer que é o melhor disco da carreira da banda. Com certeza, dentre os 3 anteriores, esse e o Titanomaquia, seu sucessor, ele é o mais fraco. Mas, além de tudo, é um Titãs que nunca mais veríamos. Pelo menos até agora. E pra quem acha que o disco só tem letra ruim, primeiro analise a fundo Saia de Mim. A música é simplesmente mais do que uma coisa física, dá pra entender nas entrelinhas que Arnaldo quer dizer outra coisa. Sem falar que é querida pelos fãs até hoje. No show de 2012, dos 30 anos da banda, que participaram Charles, Arnaldo e Nando, os fãs pediram essa música pra ele.

Sem falar nas demais músicas do disco. Estou com o encarte dele aqui na mão, olha o que diz embaixo da letra de O Fácil É o Certo: "a frase "O Fácil É o Certo" é atribuída a Chung Tsu, pensador chinês do Século III A.C.". E aí? Será que o disco é só falta de criatividade e por isso as letras são todas ruins? Só mais um exemplo. Agora, que tem uma letra muito interessante, recebeu cover de Maria Bethânia. Já na parte instrumental, fora a mixagem, por conta da banda, e que não ficou "grandes coisa", temos aqui alguns dos melhores trabalhos, principalmente de Charles e Nando. Se Você Está Aqui, as já citadas Clitóris, Saia de Mim, O Fácil é o Certo e Cabeça. Enfim, apesar de ser tido como fracasso, o disco vendeu 150 mil cópias e ao vivo, a banda atingia o seu auge, com um show só com porradas. A única exceção era Família e Marvin.

A banda pós 1992, sem Arnaldo
Falando em shows, a apresentação da banda no Hollywood Rock em 1992 foi sensacional. Uma das últimas com Arnaldo, que saiu em Dezembro. Segundo a banda, no documentário, eles já estavam ensaiando pra gravar o Titanomaquia, e Arnaldo parecia meio perdido. Perguntaram pra ele o que era e ele achava que tava na hora de sair da banda e tal. Eles discutiram se era realmente o que o Arnaldo queria, se já tava bem pensado. Quem sabe ele voltava no outro dia com a ideia mais decidida. Pois então, ele voltou e realmente disse que era o que ele queria. Ele também diz no documentário que não tinha nada a ver com o disco anterior, que ele tava dentro da proposta do peso e tal, mas que não tinha mais a disponibilidade pra fazer tudo que ele queria e, se algo tinha que sair da equação, seria os Titãs. E tanto é verdade isso que até hoje Arnaldo ainda aparece em alguns shows da banda pra dar uma canja. Disparadamente ele é o que mais aparece nos shows, comparado com Nando. Não podemos ter uma ideia boa sobre o Charles porque temos só 4 anos de sua saída.

Eis que chega 1993 e, com ele, Titanomaquia. O disco mais pesado da banda, beirando, às vezes, Heavy Metal e Grindcore. Apesar de continuar, pelo menos, despercebido pela crítica e mercado, pois não era o que eles queriam promover, o disco fez mais sucesso, talvez por terem pegado um pouco mais leve nas letras. Mas só um pouco mesmo. Com produção a cargo de Jack Endino (sim, aquele mesmo que produziu o Nirvana no início da carreira), o som ficou polido e bem resolvido. O disco teve dois sucessos grandes, com Será que É Isso que Eu Necessito?, uma porrada cantada por Sérgio, e Nem Sempre se Pode Ser Deus, cantada por Branco (quando ele ainda tinha fôlego pra gritar). Se essas músicas tem alguma relação com as críticas do trabalho anterior? Provavelmente.

Ainda temos três músicas compostas em parceria com Arnaldo, quando ele ainda estava na banda: Disneylândia, que trata sobre globalização (e apareceu no ENEM 2013), Hereditário, como sempre, o ponto fraco do disco, composta também pelo Nando, que já se mostrava fora dos Titãs desde essa época (e só não foi macho o suficiente pra sair quando quis, ficando mais uns 10 anos na banda, e aí sim, saindo no meio de uma turnê, o que causou um desgaste entre ele e o resto da banda) e Taxidermia, uma outra boa música, mas que não fez tanto sucesso. Aqui, o show registrado no Olympia em 1993 (eu ainda torço pra que deem um tratamento decente pra esses shows e lancem eles direito).

Depois disso, mais uma turnê, outra apresentação no Hollywood Rock, agora o de 1994, umas férias no fim do ano e, em 1995, outro disco. Menos pesado, menos sujo e agressivo, menos cativante, menos tudo: Domingo. Apesar de conter o último grande clássico da banda, a faixa título, é um disco bem inferior ao Titanomaquia. Outros sucessos foram Eu Não Aguento, Turnê e Tudo o Que Você Quiser. Isso tudo não é à toa. Ainda que a banda soubesse fazer boas músicas e fizesse relativo sucesso, o entrosamento, de longe, não era mais o mesmo dos bons tempos. Não tinham mais Arnaldo, e praticamente não tinham mais Nando, que estava em "uma amizade colorida com a MPB". Isso fez com que ele se afastasse muito da banda, muitas vezes tendo contato apenas com Marcelo Fromer. Suas composições, a partir daí, começaram a ser apenas suas, sem a parceria dos outros membros, como era o normal. Aí a coisa começou a desandar.

Mas vamos deixar isso pra próxima postagem, sobre os tempos difíceis da banda.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Especial Titãs #1: A banda (Parte 1)

Agora que meu computador voltou, posso postar tranquilamente com a frequência de antes. E diferentemente do show do Sabbath, que o especial ficou incompleto, e do show do Titãs ano passado, que não teve especial, só um show histórico em homenagem, a chegada do disco novo da banda, Nheengatu, vai ter uma cobertura especial aqui no Nata. Nessa semana que antecede o lançamento do disco, marcado pro dia 12, vou fazer um apanhado geral sobre esses 32 anos de carreira.

O Titãs surgiu em São Paulo, em 1982. A maioria de seus integrantes já se conhecia no Colégio Equipe, no final da década de 70. Desde alguns anos antes da formação, algumas figuras ali já tinham algumas bandas, como o Trio Mamão e as Mamonetes, formado por Marcelo Fromer, Tony Bellotto e Branco Mello; Arnaldo Antunes e Paulo Miklos eram integrantes da banda Performática; Nando Reis era percussionista da Sossega Leão; Sérgio Britto e Marcelo Fromer também se apresentaram como calouros no Chacrinha.

Antes de gravar o primeiro disco, a banda tinha nove integrantes (não se perca nas contas): Arnaldo Antunes, André Jung, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Nando Reis, Branco Mello, Sérgio Britto e Ciro Pessoa. Seis eram vocalistas. Destes, Arnaldo, Ciro e Branco eram apenas vocalistas. Britto cantava e, quando não cantava, tocava teclado (até hoje é assim). Tony Bellotto e Marcelo Fromer eram os guitarristas. André Jung, o baterista. Pro baixo, Miklos e Nando revezavam: enquanto um cantava, o outro pegava o baixo. O primeiro show dos Titãs do Iê-Iê (posteriormente o nome mudaria apenas pra Titãs) foi no dia 28 de Setembro de 1982, no SESC Pompeia.

Nessa primeira fase da banda, o visual era um ponto forte (até porque musicalmente eles estavam longe ainda de serem uma boa banda. Nando ainda não sabia se o negócio dele era ou não o baixo, os arranjos eram muito simplórios e o baterista, André Jung, era especialmente fraco), contando com, por exemplo, ternos coloridos (uma cor pra cada integrante), ou roupas praticamente iguais. Exemplos disso são as apresentações da banda no programa do Chacrinha e da Hebe, respectivamente. A música? Sonífera Ilha, um dos primeiros sucessos da banda.

Depois de algumas apresentações, Ciro Pessoa deixou a banda. Segundo os próprios Titãs, justo quando estavam começando a fazer sucesso. Então, agora como um octeto, a banda entrou em estúdio para gravar seu Debut, lançado em agosto de 1984. Apesar de ter três clássicos da banda - Go Back, Marvin e Sonífera Ilha - o disco não fez tanto sucesso. Marvin e Go Back foram rearranjadas no disco Go Back, registro do show da banda no Festival de Montreux de 1988, numa versão muito melhor trabalhada. Sonífera ilha receberia o mesmo tratamento no Volume Dois, de 1998. Outras músicas também fizeram algum sucesso, como Toda Cor e Querem Meu Sangue. Interessante ressaltar que muitas músicas do disco são versões "cover" da banda para outras músicas de fora (mesmo que a letra seja original, é notória a semelhança): Marvin veio de Patches, Querem Meu Sangue veio de The Harder They Come, e Balada para John e Yoko... bem, acho que não preciso esclarecer. Interessante ressaltar que aqui, diferente de todos os outros discos da banda, as músicas com o vocal do Arnaldo são as mais fracas e não tem um maior destaque.

Depois do debut, veio praticamente uma troca de bateristas entre Titãs e Ira!: sai André Jung e entra Charles Gavin. Apesar da banda dizer no seu documentário, A Vida Até Parece uma Festa, que não foi nada pessoal e esse tipo de coisa, Jung era ruim pra cacete. Com Charles, veio Televisão, segundo disco. Vou deixar pra falar melhor sobre esse disco num Quinta Underground deles, mas a real é que tem músicas muito boas que não foram sucesso. E falando em sucesso, aqui Arnaldo já mostra uma maior maturidade nas músicas que ele canta e nas composições em geral. A faixa título, maior sucesso, é dele. Outra que fez sucesso (mas ficou melhor depois de ser rearranjada também) foi Pavimentação.

Temos, em Televisão, uma bela evolução. Apesar de não soar como a banda queria, e muito disso por causa da produção de Lulu Santos, a evolução nos arranjos é perceptível. Nando aqui toca baixo em 8 músicas das 11. E a última música, Massacre, em estúdio é meio tosca até, mas dá uma bela mostra do que o Titãs viria a fazer nos anos seguintes. Soma-se a isso o fracasso das vendas, pelo maior interesse da gravadora em promover o Debut do Ultraje a Rigor, Nós Vamos Invadir sua Praia, uma prisão de Tony e Arnaldo por porte e porte e tráfico de heroína, respectivamente (que certamente inspirou Tony a compor Polícia) e a consequente falta de oportunidade de shows, por essa "perda de inocência".

O filho disso tudo foi o Cabeça Dinossauro, clássico absoluto e sinônimo de "Titãs" até hoje. Primeira cria da parceria entre Titãs e Liminha, mostrou do que a banda era capaz.  Toda a raiva, indignação e protesto geraram críticas às mais conhecidas instituições da sociedade: Igreja, Estado (Violência), Polícia, Família (olhando a letra, apesar do reggaezinho, temos uma bela sátira, um estereótipo de família). E, além disso, outros grandes sucessos como AA UU, Bichos Escrotos (tocada nos shows da banda desde 1982, mas que só foi gravada no Cabeça por causa da censura. Falando em censura, a faixa fez tanto sucesso que as rádios até mesmo pagavam a multa para executá-la na versão original, com o verso "vão se fuder"). Porrada também fez bastante sucesso, assim como O Quê. Apesar de ser uma faixa de quase seis minutos, em sua maioria com uma pegada eletrônica, e com uma letra onde se usa, no máximo, umas seis palavras diferentes, ela é muito querida pelos fãs. O groove dela é sensacional.


Ahh, interessante ressaltar que Tony apostou uma garrafa de vinho com Branco que o disco não ia fazer sucesso. Felizmente, ele estava errado e Branco ganhou a aposta. Outra curiosidade é que Cabeça Dinossauro foi o primeiro disco que não contou com foto dos integrantes na capa. Essa tendência o Titãs segue até hoje. Desde esse disco, todos os lançamentos de estúdio que vieram depois não contam com foto dos integrantes, e Nheengatu não será diferente. Aliás, eles também falam sobre isso no documentário do Cabeça, como eles meio que forçaram a barra e se tornaram pioneiros nesse tipo de capa no Brasil.

E assim como foi com Massacre e o Cabeça Dinossauro, O Quê deu uma mostra do que a banda lançaria em 1987. Agora tidos como um dos melhores grupos nacionais, lançaram, novamente em parceria com Liminha, Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas. Com um lado A (ou melhor, Lado J - estratégia da banda para não mostrar em que lado estavam os hits do disco) bem eletrônico e um lado B (ou lado T) nos moldes do Cabeça Dinossauro, vieram mais sucessos: as clássicas Comida e Lugar Nenhum, ambas cantadas por Arnaldo, Diversão, cantada por Miklos e Desordem (que voltou a ser tocada pela banda recentemente), cantada por Sérgio. Outras músicas como a faixa título e Nome Aos Bois (uma espécie de protótipo de O Pulso), ambas cantadas por Nando Reis, foram bem tocadas à época, mas se perderam no tempo.


Após o Jesus, mais uma grande turnê, com direito a shows internacionais e o supracitado show no Montreux Jazz Festival de 1988, que rendeu Go Back. Outro disco que vendeu muito bem, trouxe, como dito antes, versões rearranjadas de Marvin, Go Back, Pavimentação e Massacre. Em 1989 chegou, no final do ano, Õ Blésq Blom, último disco da parceria entre Titãs e Liminha. Para uns, o último sopro de criatividade da banda. Para outros, o momento onde a banda encontrou sua identidade, diferente do Cabeça Dinossauro, que tem uma pegada muito inspirada no Clash e cia.


E, para mais alguns, como o meu caso, mais um ótimo disco, afinal, outros que vieram depois também são bons. O que sabemos é que Õ Blésq Blom rendeu mais alguns clássicos incontestáveis ao setlist da banda ao vivo, como Flores e O Pulso. Ainda temos Miséria e 32 Dentes como clássicos que ficaram mais pra trás. 32 Dentes até voltou pro setlist da banda tempos atrás. Com todo o sucesso dessa trilogia irretocável da banda, o seu sucesso não teria como ser diferente. Em 1991, apresentação no Rock In Rio e mais portas sendo abertas, como Hollywood Rock e etc. Mas isso é papo para outra postagem. Por hoje, vamos parar na crista da onda.