E um pouco de fritação também :D
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Quando palavras não são necessárias... 8.0
Um pouco de Blues hoje, afinal, o que seria do Rock sem o Blues?
sexta-feira, 23 de maio de 2014
On The Charts #7: Os 25 anos do The Miracle
E mais um grande disco (um dos meus preferidos também) fez um aniversário importante ontem. Confesso que desde o primeiro dia que eu criei essa seção de aniversários de disco, pensei quando o traria pro blog.
The Miracle, o penúltimo lançamento do Queen com Freddie Mercury em vida, e o antepenúltimo da banda, pura, limpa e sem misturas. O disco que retomou o respeito que a banda tinha (e que foi perdido após o Flash Gordon OST, Hot Space - embora eu não critique tanto esse disco, como podem ver aqui - e talvez possamos incluir The Works aqui. Mas por que o Miracle tem essa importância toda? Bom, vejamos a situação geral.

1986 foi o último ano que os fãs sortudos puderam ver o Queen ao vivo. A banda lançou o mediano A Kind Of Magic (sempre de cabeça nos sintetizadores e bateria eletrônica, como foi a tônica dos 80), e caiu na estrada. A Magic Tour foi a turnê mais "ostentação" do Queen. Uma porrada de equipamento, um palco gigante, só shows em estádios. 26 shows. De longe, não foram os melhores da carreira do Queen. Wembley, por exemplo, foi emblemático, mas Freddie, infelizmente, "matou" muitos agudos, cantando oitavas abaixo para sua cansada voz aguentar. A banda dava sinais de que deveria diminuir o ritmo, fazer os shows com maiores intervalos de tempo. Em vez disso, preferiram parar de vez.
Essa decisão fez com que todos duvidassem do futuro da banda, ainda mais depois dos boatos que já rolavam e que Freddie desmentia nos próprios shows. Somamos a isso as tragédias na vida de Brian May, Roger Taylor formando o The Cross, que tocou junto enquanto o Queen tirou essas "férias" e o diagnóstico de Freddie em 1987. Isso tudo teve uma influência muito grande no som do Queen nos anos posteriores, afinal, obviamente, a banda ia conseguir carta branca no estúdio de novo. Sem obrigações, sem turnês. Só ter a oportunidade de se manterem unidos e fazer música até Freddie partir. Mas chega de enrolação, vamos ao disco.
The Miracle começa com Party. Talvez a música mais fraca do disco, mas não porque ela é ruim. O disco em geral é muito bom, inclusive as músicas injustiçadas. Party tem um trabalho bem interessante de backing vocals. Freddie (e a banda) cantam aqui sobre uma puta festa que tava rolando. Sexo, guerra de comida e... é isso aí. Ao longo dos seus curtos dois minutos e vinte segundos de duração, May faz algumas poucas, mas precisas intervenções, e Deacon manda bem no baixo. E, quando parece que a tal festa vai acabar...

"Who said that my party was all over?" pergunta Freddie, emendando logo na segunda música, Khashoggi's Ship. Sonzaço. Primeira música mais pesada do disco, conta com um belo riff de Brian e a precisa batida de Roger. Na versão do Deep Cuts, adaptaram o início, colocando 4 voltas de bateria sozinha na introdução. No final, a música, que já era pesada, ganha velocidade, terminando de forma sensacional.
Após esse belo início, vem a sequência de clássicos do disco. Primeiro a faixa título, com sua esperançosa letra e instrumental matador. Como se não bastasse, a banda ainda adicionou duas seções distintas no final. O clipe dela é um dos melhores do Queen. Se bem que a maioria dos clipes do The Miracle estão bem afiados. Seguindo no disco, I Want It All. O grande clássico do disco. Uma das melhores e mais geniais músicas do Queen. Um riff fodástico de Brian, vocal sujo de Mercury e, no meio, muita velocidade, com May fritando como nunca. Uma curiosidade é que a única música na história do Queen que Roger usa pedal duplo no bumbo é essa.

Fechando o Lado A, The Invisible Man. Também é tida como uma das mais fracas do disco, mas eu discordo. Essa música tem um groove incrível. O baixo de Deacon está demais, o solo de May melhor ainda. Aliás, mais um solo muito rápido, pra quem acha que o Brian não era foda. Originalmente, o nome do disco era pra ser The Invisible Man mas, segundo Roger Taylor, três semanas antes do lançamento, mudaram pra The Miracle.
Abrindo o Lado B, Breakthru. Ainda que o baixo seja em sua maioria sintetizador, Deacon também tem seus momentos aqui. Apesar disso, quem brilha aqui é Mercury e May. Mais uma performance inspirada. O clipe dessa música também é muito legal. Interessante ressaltar que a introdução de Breakthru, feita com muito backing vocal, era outra música, A New Life Is Born. Se conhece mais ou menos um minuto e meio dessa demo.

Logo após, uma desconhecida, pra acalmar o coração. Rain Must Fall, uma música meio... estranha. A letra não é das mais inspiradas, a bateria eletrônica é quadrada demais.O baixo, porém é pulsante. Certamente colocaria uma das músicas que ficou de fora no disco, no lugar. Seguindo, Scandal. Outra ótima performance de Freddie e de Roger também. A banda soube explorar muito bem a equalização, sendo que boa parte do som da bateria é seu eco.
My Baby Does Me é a penúltima música do disco. É meio... muito estranha. Mas ela tem um feeling demais também. O baixo, os solinhos de Brian, a precisão entre guitarra e baixo. Só ouvindo pra entender. Aliás, falando em ouvindo pra entender...
Was It All Worth It. Sou suspeito pra falar, mas é uma música completa, é a melhor do disco, sem sombra de dúvidas. Começa de leve, e entra a porrada logo depois. No meio, uma seção de "bizarrices", quase música orquestrada, bom, sem palavras. Os fãs da banda me desculpem a ousadia... não, foda-se, sou muito fã deles também, posso falar tranquilamente. É a Bohemian Rhapsody da banda nos anos 80, guardadas as proporções, claro. Pra fechar o disco e, como era a probabilidade à época, a carreira do Queen com chave de ouro. Isso porque, se analisarmos sua letra, ela já tem um tom de despedida. Nada tão triste como The Show Must Go On, mas impactante também. Isso tudo porque a previsão era que Freddie não passaria do Natal de 1989. Incrivelmente, ele viveu até Novembro de 1991. E sim, Freddie, valeu a pena. Não tenha dúvidas disso.
The Miracle poderia ter sido um disco duplo. Pra quem não sabe, tem boas músicas que ficaram de fora. Outras demos, igualmente boas, sequer ganharam uma versão final. Confiram aqui.
The Miracle, o penúltimo lançamento do Queen com Freddie Mercury em vida, e o antepenúltimo da banda, pura, limpa e sem misturas. O disco que retomou o respeito que a banda tinha (e que foi perdido após o Flash Gordon OST, Hot Space - embora eu não critique tanto esse disco, como podem ver aqui - e talvez possamos incluir The Works aqui. Mas por que o Miracle tem essa importância toda? Bom, vejamos a situação geral.

1986 foi o último ano que os fãs sortudos puderam ver o Queen ao vivo. A banda lançou o mediano A Kind Of Magic (sempre de cabeça nos sintetizadores e bateria eletrônica, como foi a tônica dos 80), e caiu na estrada. A Magic Tour foi a turnê mais "ostentação" do Queen. Uma porrada de equipamento, um palco gigante, só shows em estádios. 26 shows. De longe, não foram os melhores da carreira do Queen. Wembley, por exemplo, foi emblemático, mas Freddie, infelizmente, "matou" muitos agudos, cantando oitavas abaixo para sua cansada voz aguentar. A banda dava sinais de que deveria diminuir o ritmo, fazer os shows com maiores intervalos de tempo. Em vez disso, preferiram parar de vez.
Essa decisão fez com que todos duvidassem do futuro da banda, ainda mais depois dos boatos que já rolavam e que Freddie desmentia nos próprios shows. Somamos a isso as tragédias na vida de Brian May, Roger Taylor formando o The Cross, que tocou junto enquanto o Queen tirou essas "férias" e o diagnóstico de Freddie em 1987. Isso tudo teve uma influência muito grande no som do Queen nos anos posteriores, afinal, obviamente, a banda ia conseguir carta branca no estúdio de novo. Sem obrigações, sem turnês. Só ter a oportunidade de se manterem unidos e fazer música até Freddie partir. Mas chega de enrolação, vamos ao disco.The Miracle começa com Party. Talvez a música mais fraca do disco, mas não porque ela é ruim. O disco em geral é muito bom, inclusive as músicas injustiçadas. Party tem um trabalho bem interessante de backing vocals. Freddie (e a banda) cantam aqui sobre uma puta festa que tava rolando. Sexo, guerra de comida e... é isso aí. Ao longo dos seus curtos dois minutos e vinte segundos de duração, May faz algumas poucas, mas precisas intervenções, e Deacon manda bem no baixo. E, quando parece que a tal festa vai acabar...

"Who said that my party was all over?" pergunta Freddie, emendando logo na segunda música, Khashoggi's Ship. Sonzaço. Primeira música mais pesada do disco, conta com um belo riff de Brian e a precisa batida de Roger. Na versão do Deep Cuts, adaptaram o início, colocando 4 voltas de bateria sozinha na introdução. No final, a música, que já era pesada, ganha velocidade, terminando de forma sensacional.
Após esse belo início, vem a sequência de clássicos do disco. Primeiro a faixa título, com sua esperançosa letra e instrumental matador. Como se não bastasse, a banda ainda adicionou duas seções distintas no final. O clipe dela é um dos melhores do Queen. Se bem que a maioria dos clipes do The Miracle estão bem afiados. Seguindo no disco, I Want It All. O grande clássico do disco. Uma das melhores e mais geniais músicas do Queen. Um riff fodástico de Brian, vocal sujo de Mercury e, no meio, muita velocidade, com May fritando como nunca. Uma curiosidade é que a única música na história do Queen que Roger usa pedal duplo no bumbo é essa.

Fechando o Lado A, The Invisible Man. Também é tida como uma das mais fracas do disco, mas eu discordo. Essa música tem um groove incrível. O baixo de Deacon está demais, o solo de May melhor ainda. Aliás, mais um solo muito rápido, pra quem acha que o Brian não era foda. Originalmente, o nome do disco era pra ser The Invisible Man mas, segundo Roger Taylor, três semanas antes do lançamento, mudaram pra The Miracle.
Abrindo o Lado B, Breakthru. Ainda que o baixo seja em sua maioria sintetizador, Deacon também tem seus momentos aqui. Apesar disso, quem brilha aqui é Mercury e May. Mais uma performance inspirada. O clipe dessa música também é muito legal. Interessante ressaltar que a introdução de Breakthru, feita com muito backing vocal, era outra música, A New Life Is Born. Se conhece mais ou menos um minuto e meio dessa demo.

Logo após, uma desconhecida, pra acalmar o coração. Rain Must Fall, uma música meio... estranha. A letra não é das mais inspiradas, a bateria eletrônica é quadrada demais.O baixo, porém é pulsante. Certamente colocaria uma das músicas que ficou de fora no disco, no lugar. Seguindo, Scandal. Outra ótima performance de Freddie e de Roger também. A banda soube explorar muito bem a equalização, sendo que boa parte do som da bateria é seu eco.
My Baby Does Me é a penúltima música do disco. É meio... muito estranha. Mas ela tem um feeling demais também. O baixo, os solinhos de Brian, a precisão entre guitarra e baixo. Só ouvindo pra entender. Aliás, falando em ouvindo pra entender...
Was It All Worth It. Sou suspeito pra falar, mas é uma música completa, é a melhor do disco, sem sombra de dúvidas. Começa de leve, e entra a porrada logo depois. No meio, uma seção de "bizarrices", quase música orquestrada, bom, sem palavras. Os fãs da banda me desculpem a ousadia... não, foda-se, sou muito fã deles também, posso falar tranquilamente. É a Bohemian Rhapsody da banda nos anos 80, guardadas as proporções, claro. Pra fechar o disco e, como era a probabilidade à época, a carreira do Queen com chave de ouro. Isso porque, se analisarmos sua letra, ela já tem um tom de despedida. Nada tão triste como The Show Must Go On, mas impactante também. Isso tudo porque a previsão era que Freddie não passaria do Natal de 1989. Incrivelmente, ele viveu até Novembro de 1991. E sim, Freddie, valeu a pena. Não tenha dúvidas disso.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
On The Charts #6: Os 45 anos do Everybody Knows This is Nowhere
Exatamente semana passada, 14 de maio, completaram-se 45 anos de um dos maiores clássicos de Neil Young. Everybody Knows This Is Nowhere, apesar de ser o segundo disco do compositor canadense, foi o primeiro a contar com a Crazy Horse, fiel escudeira até os dias de hoje. Com certeza isso fez o disco ter mais cara de "disco do Neil Young". Mais pesado que seu Debut, conta com uma qualidade de gravação superior também. Temos aqui um belo resumo do que Young viria a fazer nos 45 anos seguintes: hard rock, country elétrico e acústico e duas músicas com cerca de 10 minutos, abrindo espaço para longos improvisos.
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| Contra capa do disco |
Round & Round (It Won't Be Long) inicia a sequência de músicas mais longas do disco. Apesar de não ser uma das músicas mais longas do disco, tem quase 6 minutos. 6 minutos de um country acústico, triste e claro como se Young cantasse ele na sua janela de casa. Impressionante a qualidade de gravação dessa música. Quem canta o backing vocal é Robin Lane. Pra fechar o Lado A, a primeira música de quase 10 minutos: a CLÁSSICA Down By The River. Um belo riff de guitarra, baixo pulsante, muitos solos. Só acho que o bateria podia investir numas viradas de vez em quando, mas não é muito a dele. Bom, é isso... solos. Pra quem curte um improviso, é um prato cheio. É tipo a versão de I Heard It Through the Grapevine do Creedence.
Abrindo o Lado B, The Losing End (When You're On), uma música que nos leva pro country. O tremolo dá um toque sensacional pra guitarra. Apesar de não ser tão lembrada, é uma bela música. Boa de ouvir, também é de fácil assimilação. Neil mostra todo seu feeling aqui, com um solo muito afudê. Já Running Dry (Rquiem for the Rockets) vai um pouco pelo caminho oposto. Um pouco triste, tanto na letra quanto no instrumental, conta com um também triste violino ao longo de seus 5 minutos e meio. A linha vocal de Young, no início das estrofes, me lembrou vagamente o "my girl, my girl" de Where Did You Sleep Last Night?. Seus últimos dois minutos são de um solo de violino e guitarra, com um feeling incrível. Talvez seja a música mais "experimental" do disco, brincando com diversos efeitos de guitarra. Provavelmente por isso seja a menos lembrada.Pra fechar o disco com chave de ouro, a maior música do disco, Cowgirl In The Sand. Young começa palhetando algumas cordas sozinho, parecendo que nos daria mais uma música leve. Eis que entra bateria e baixo, e a música ganha velocidade (e mais um enfurecido solo de Young). Neil começa a cantar e a banda, consequentemente, segura um pouco a onda. Depois de uma estrofe, o peso pega de novo e temos mais um longo improviso. E como quase todas as músicas do disco, sua simplicidade é cativante. Logo após o solo, voltamos para mais uma estrofe, outro longo solo, outra estrofe e o último solo, encerrando o disco.
Everybody Knows é Neil Young "at best". Nada de músicas chatas, complicadas ou pesadas demais, com aqueles solos de parkinson de uma nota só. É feeling puro, é country, é hard rock. Pra agradar gregos e troianos. A questão importante do disco é essa. Não tem música ruim. O disco pode não agradar por completo alguém que goste de Neil Young, mas alguma música do disco vai cativar a pessoa.
Bom, era isso. Parabéns pelos 45 anos desse discaço. Amanhã, outro bom disco completa 25 anos. Sabem qual é?
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Especial Titãs #8 - Quinta Underground #23: Titãs (2ª Parte)
Prometi que não faria mais isso de postar um Quinta Underground na sexta, mas sempre tem que ter um bug, puta que pariu também. Troço chato.
Bom, continuando... essa é a última postagem do especial dos Titãs, que fez bastante sucesso até, especialmente a primeira postagem e a resenha do Nheengatu, que já são as duas mais vistas de Maio. E, na real, era pra resenha ser a última postagem do especial, mas não consegui fazer todo o Quinta Underground semana passada. Mas chega de enrolação e vamos terminar logo o especial.
O Fácil É o Certo, Filantrópico, Cabeça, Eu Vezes Eu, Flat-Cemitério-Apartamento, Não é Por Não Falar e Se Você Está Aqui (1991 - Tudo Ao Mesmo Tempo Agora)
Saia de Mim foi o único sucesso. Já Obrigado e Clitóris, as únicas que foram tocadas posteriormente. Eu Não Sei Fazer Música, foi recuperada muitos anos depois e voltou pros setlists. Agora, cantada por Miklos, ganhou até mesmo um cover de Maria Bethânia. Somamos a elas a fraca Uma Coisa de Cada Vez e a terrível Isso Para Mim É Perfume, temos as músicas que não fazem parte das "injustiçadas".
Fora a mixagem irregular e a simplicidade exagerada de algumas músicas (a contribuição das dorgas pro disco), Tudo Ao Mesmo Tempo Agora tem músicas boas, mas foi ofuscado pela crítica, que só olhou pras letras mais "podres" do disco.
O Fácil É o Certo - Como disse na postagem sobre a carreira deles, Sérgio, que nesse disco fez as melhores letras, retirou esse provérbio dos ensinamentos de Chung Tsu, pensador chinês do Século III a.C. Aposto que se fosse o Renato Russo fazendo essa citação, pagariam o maior pau, mas a música é dos Titãs.
Filantrópico - Uma boa oportunidade de conferir o vocal do Branco antes que a falta de fôlego pegasse ele. A letra é sobre as obrigações éticas e morais do ser humano de ser generoso e altruísta com os outros, em detrimento de sua própria paz de espírito. Como diz ele na música, "acumulando raiva e rancor".
Cabeça - Um bom instrumental, com um show à parte de Charles na batera, e na letra resta a dúvida... de qual cabeça Miklos está falando? Depois de analisar melhor a letra, concluí que pode não ser a de baixo, como se pensa.
Eu Vezes Eu - Um instrumental pesado, mas mais limpo que os outros do disco. Mais uma letra de Sérgio, um pouco mais reflexiva e filosófica.
Flat-Cemitério-Apartamento - Mais uma das tantas brincadeiras de Branco com as contradições.
Não É Por Não Falar - Apesar do teclado bem estranho, é uma boa música. A letra aqui soa mais como um jogo de palavras do que qualquer outra coisa.
Se Você Está Aqui - Sinceramente, Nando não fez uma letra que prestasse nesse disco. Mas o instrumental dela é um dos melhores do disco. Acho que só perde pra Saia de Mim.
Disneylândia, Estados Alterados da Mente, Agonizando, Fazer O Quê?, Tempo Pra Gastar, Dissertação do Papa Sobre O Crime Seguida de Orgia.
Titanomaquia tem muitas músicas boas e pesadas. Difícil escolher as que se destacam, porque o disco tem uma unidade muito grande. Só o que sei é que as que foram tocadas recentemente não entram, porque não são injustiçadas.
Disneylândia - Titãs falando de globalização antes de aparecer em qualquer sitezinho por aí. Caiu no ENEM do ano passado, e é uma das preferidas dos professores de Sociologia para debater o tema da globalização.
Estados Alterados da Mente - Coisas do Branco. Mas o instrumental é muito foda.
Agonizando - A música mais metal dos Titãs. Nunca mais eles vão fazer algo tão pesado quanto isso. Beira o grindcore.
Fazer O Quê? - Depois de uma introdução que parece mais uma sonoplastia, daquelas cenas dramáticas de filme, tipo a Marcha Imperial, mais peso.
Tempo Pra Gastar - Apesar de pesada, ela soa até um pouco funkeada, mais leve que as outras do disco.
Dissertação do Papa Sobre O Crime Seguida de Orgia - Ao melhor estilo Disneylândia, Violência, entre outras, Branco narra aqui várias situações de crime, assassinato, violência, etc.
Tudo em Dia, Eu Não Vou Dizer Nada (Além do Que Estou Dizendo), O Caroço da Cabeça, Qualquer Negócio
É muito difícil encontrar músicas realmente injustiçadas no Domingo. Fora os sucessos, o disco é composto em sua maioria por músicas medianas. Bem medianas, por sinal. Esse disco me soa como um Chinese Democracy dos Titãs. Faltou criatividade, sobrou produção e o resultado não foi nem perto do que foi o Titanomaquia. Ainda assim, temos umas joias no meio.
Tudo Em Dia - Contribuição de Arnaldo. Não poderia deixar de ser uma música foda.
Eu Não Vou Dizer Nada (Além do Que Estou Dizendo) - A leveza que faltou nos discos anteriores. Mesmo o disco todo sendo uma porrada, falta uma musiquinha no meio, que seja um pouco mais funkeada, pra dar um tempo na loucura. Tipo Canalha, no Nheengatu.
O Caroço Da Cabeça - Cantada por Nando, tem o toque Paralamas do Sucesso que veio junto com a participação de Herbert Vianna na música.
Qualquer Negócio - Formada por conhecidas frases do comércio e da vida em geral, como "o que os olhos não veem, o coração não sente". É uma reflexão interessante. Ahh, Branco, como sempre, entra no meio e narra umas bostas. Branco também cita algumas frases da música no início do clipe de Isso.
Bônus - Vamos Ao Trabalho e Cuidado Com Você
Sinceramente, os discos que vieram depois são tão fracos que vale a pena somente separar as músicas que prestam e colocar como um bônus. E esses são os únicos dois lampejos de "Titãs das antigas" que vi no A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana. Aliás, Vamos Ao Trabalho é um baita bote, porque o disco começa com ela, e quando parece que a coisa vai pegar preço, vem a faixa título, que é boa, mas muuuuito popzinha. E aí só vai ladeira abaixo. E pra fechar o disco, Cuidado Com Você ainda dá uma levantada na coisa, talvez até dando uma esperança pro próximo disco. E aí vem o Como Estão Vocês?, pra enterrar de vez as esperanças. Ainda bem que com o Nheengatu, a banda vai recuperar seu respeito perdido na estrada.
Bom, continuando... essa é a última postagem do especial dos Titãs, que fez bastante sucesso até, especialmente a primeira postagem e a resenha do Nheengatu, que já são as duas mais vistas de Maio. E, na real, era pra resenha ser a última postagem do especial, mas não consegui fazer todo o Quinta Underground semana passada. Mas chega de enrolação e vamos terminar logo o especial.
O Fácil É o Certo, Filantrópico, Cabeça, Eu Vezes Eu, Flat-Cemitério-Apartamento, Não é Por Não Falar e Se Você Está Aqui (1991 - Tudo Ao Mesmo Tempo Agora)
Saia de Mim foi o único sucesso. Já Obrigado e Clitóris, as únicas que foram tocadas posteriormente. Eu Não Sei Fazer Música, foi recuperada muitos anos depois e voltou pros setlists. Agora, cantada por Miklos, ganhou até mesmo um cover de Maria Bethânia. Somamos a elas a fraca Uma Coisa de Cada Vez e a terrível Isso Para Mim É Perfume, temos as músicas que não fazem parte das "injustiçadas".
Fora a mixagem irregular e a simplicidade exagerada de algumas músicas (a contribuição das dorgas pro disco), Tudo Ao Mesmo Tempo Agora tem músicas boas, mas foi ofuscado pela crítica, que só olhou pras letras mais "podres" do disco.
O Fácil É o Certo - Como disse na postagem sobre a carreira deles, Sérgio, que nesse disco fez as melhores letras, retirou esse provérbio dos ensinamentos de Chung Tsu, pensador chinês do Século III a.C. Aposto que se fosse o Renato Russo fazendo essa citação, pagariam o maior pau, mas a música é dos Titãs.
Filantrópico - Uma boa oportunidade de conferir o vocal do Branco antes que a falta de fôlego pegasse ele. A letra é sobre as obrigações éticas e morais do ser humano de ser generoso e altruísta com os outros, em detrimento de sua própria paz de espírito. Como diz ele na música, "acumulando raiva e rancor".
Cabeça - Um bom instrumental, com um show à parte de Charles na batera, e na letra resta a dúvida... de qual cabeça Miklos está falando? Depois de analisar melhor a letra, concluí que pode não ser a de baixo, como se pensa.
Eu Vezes Eu - Um instrumental pesado, mas mais limpo que os outros do disco. Mais uma letra de Sérgio, um pouco mais reflexiva e filosófica.
Flat-Cemitério-Apartamento - Mais uma das tantas brincadeiras de Branco com as contradições.
Não É Por Não Falar - Apesar do teclado bem estranho, é uma boa música. A letra aqui soa mais como um jogo de palavras do que qualquer outra coisa.
Se Você Está Aqui - Sinceramente, Nando não fez uma letra que prestasse nesse disco. Mas o instrumental dela é um dos melhores do disco. Acho que só perde pra Saia de Mim.
Disneylândia, Estados Alterados da Mente, Agonizando, Fazer O Quê?, Tempo Pra Gastar, Dissertação do Papa Sobre O Crime Seguida de Orgia.
Titanomaquia tem muitas músicas boas e pesadas. Difícil escolher as que se destacam, porque o disco tem uma unidade muito grande. Só o que sei é que as que foram tocadas recentemente não entram, porque não são injustiçadas.
Disneylândia - Titãs falando de globalização antes de aparecer em qualquer sitezinho por aí. Caiu no ENEM do ano passado, e é uma das preferidas dos professores de Sociologia para debater o tema da globalização.
Estados Alterados da Mente - Coisas do Branco. Mas o instrumental é muito foda.
Agonizando - A música mais metal dos Titãs. Nunca mais eles vão fazer algo tão pesado quanto isso. Beira o grindcore.
Fazer O Quê? - Depois de uma introdução que parece mais uma sonoplastia, daquelas cenas dramáticas de filme, tipo a Marcha Imperial, mais peso.
Tempo Pra Gastar - Apesar de pesada, ela soa até um pouco funkeada, mais leve que as outras do disco.
Dissertação do Papa Sobre O Crime Seguida de Orgia - Ao melhor estilo Disneylândia, Violência, entre outras, Branco narra aqui várias situações de crime, assassinato, violência, etc.
Tudo em Dia, Eu Não Vou Dizer Nada (Além do Que Estou Dizendo), O Caroço da Cabeça, Qualquer Negócio
É muito difícil encontrar músicas realmente injustiçadas no Domingo. Fora os sucessos, o disco é composto em sua maioria por músicas medianas. Bem medianas, por sinal. Esse disco me soa como um Chinese Democracy dos Titãs. Faltou criatividade, sobrou produção e o resultado não foi nem perto do que foi o Titanomaquia. Ainda assim, temos umas joias no meio.
Tudo Em Dia - Contribuição de Arnaldo. Não poderia deixar de ser uma música foda.
Eu Não Vou Dizer Nada (Além do Que Estou Dizendo) - A leveza que faltou nos discos anteriores. Mesmo o disco todo sendo uma porrada, falta uma musiquinha no meio, que seja um pouco mais funkeada, pra dar um tempo na loucura. Tipo Canalha, no Nheengatu.
O Caroço Da Cabeça - Cantada por Nando, tem o toque Paralamas do Sucesso que veio junto com a participação de Herbert Vianna na música.
Qualquer Negócio - Formada por conhecidas frases do comércio e da vida em geral, como "o que os olhos não veem, o coração não sente". É uma reflexão interessante. Ahh, Branco, como sempre, entra no meio e narra umas bostas. Branco também cita algumas frases da música no início do clipe de Isso.
Bônus - Vamos Ao Trabalho e Cuidado Com Você
Sinceramente, os discos que vieram depois são tão fracos que vale a pena somente separar as músicas que prestam e colocar como um bônus. E esses são os únicos dois lampejos de "Titãs das antigas" que vi no A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana. Aliás, Vamos Ao Trabalho é um baita bote, porque o disco começa com ela, e quando parece que a coisa vai pegar preço, vem a faixa título, que é boa, mas muuuuito popzinha. E aí só vai ladeira abaixo. E pra fechar o disco, Cuidado Com Você ainda dá uma levantada na coisa, talvez até dando uma esperança pro próximo disco. E aí vem o Como Estão Vocês?, pra enterrar de vez as esperanças. Ainda bem que com o Nheengatu, a banda vai recuperar seu respeito perdido na estrada.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Especial Titãs #7 - Resenha #9: Titãs - Nheengatu
Depois de muita espera, saiu o disco novo dos Titãs. E com ele, voltou o respeito pela banda. Como dito exaustivamente nas últimas seis postagens, a banda estava em um período coxinha de sua história desde o Acústico MTV até o lançamento do Sacos Plásticos. Após isso, a saída de Charles da banda e, segundo eles, "a experiência de tocar o Cabeça Dinossauro na íntegra ao vivo" deram uma balançada nas coisas, e a banda enveredou pelo lado mais pesado novamente.Nheengatu soa quase como um disco conceitual. Muitas letras de teor pesado, críticas, ácidas, que variam desde a chegada dos portugueses do Brasil até os dias atuais, protestos e abuso de poder das forças policiais. Aliás, tema muito bem retratado na música que abre o disco, Fardado. Pesada, com uma estrutura semelhante com Será que É Isso que Eu Necessito? (em relação a estrofes e refrões), faixa de abertura do Titanomaquia, de 1993. Fardado também é cantada por Sérgio Britto, que predomina nos vocais durante do disco. São seis músicas cantadas por ele, contra quatro de Miklos e quatro de Branco. Além da faixa de abertura, outras três não foram tocadas durante a turnê do Titãs Inédito: Cadáver Sobre Cadáver, Pedofilia e o belo cover da banda para Canalha, de Walter Franco.
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| Versão |
A quarta música do disco é uma velha conhecida dos frequentadores dos shows da banda. Fala, Renata, com uma letra incrivelmente simples, pode ser interpretada como uma crítica à futilidade das conversas das pessoas. Pesada em sua essência, tem uma seção no meio de um solinho de teclado onde a levada lembra até um, sei lá, forró. Não é das minhas preferidas, mas é legalzinha até.
Após Fala, Renata, temos a sequência de músicas que eram desconhecidas do público. Cadáver Sobre Cadáver apresenta uma parceria de Miklos com... Arnaldo Antunes na composição. Sim, até hoje a banda visita Arnaldo pra fazer umas músicas junto com ele. E se pararmos pra pensar, é a música que tem a cara dele mesmo. A letra é cheia de jogos de palavras. Confesso que não gostei muito na primeira audição, e é uma das mais "estranhas" pro meu ouvido, porque ela é bem engessada, sempre com o mesmo andamento, parecendo mais um cântico de protesto. Mas é inegável o valor crítico de sua letra.
Diferentemente das músicas do Miklos, as do Branco estão sensacionais. Retas, fáceis de assimilar, confesso que me surpreenderam. Canalha, apesar de ser apenas um cover de Walter Franco, ficou muito boa. Pesada, dá um tempo na loucura do começo do disco, por ser mais arrastada. Além disso, o teclado do Britto ficou com um quê de No Quarter, dando um toque muito afudê pra música. Forte candidata a uma das melhores do disco. E ainda bem que ela está ali, sexta música, porque logo depois vem Pedofilia.
Pedofilia tem uma pegada ao melhor estilo Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. Suja, agressiva, talvez a letra mais pesada do disco, mostrando a visão "da criança" (claro, com a interpretação do adulto sobre o depois da situação). Sem falar na ponte no meio, só baixo e o tecladinho sinistro. Logo após, temos Chegada ao Brasil (Terra à Vista). Pra quem foi no show, era só Terra à Vista. Fiel ao arranjo original, também é uma das melhores do disco. Reta, pesada e com um trava língua no refrão, que inclusive o Branco errava às vezes nos shows.Eu Me Sinto Bem é a nona música do disco. Música que abriu os shows do Titãs Inédito, é um ska mais leve também, apesar de bem acelerado. Aqui, Sérgio critica, talvez, a comodidade das pessoas, de simplesmente se sentirem bem em não ter nada para fazer. Seguindo, Flores Pra Ela. Me lembro que quando Miklos anunciou ela no show aqui em Porto Alegre, o pessoal vibrou, achando que era Flores, e era bote. Flores Pra Ela também tem um teor bem ácido na letra. Começa levezinha no instrumental, e depois o pau come solto. E mostra uma relação patriarcal, onde ele manda e desmanda nela e ela aceita. Uma crítica ao machismo? Provavelmente. O solo do Bellotto tá bem legal nessa.
Entrando na reta final do disco, Não Pode. Sérgio, direto como sempre, criticando as supostas "regras de comportamento" na sociedade. O instrumental é muito bom, um dos melhores do disco. Senhor, que vem logo depois, critica a igreja. Tem gente que acha que a música lembra Igreja, do clássico Cabeça Dinossauro. Não vejo por esse lado. A letra é bem mais leve, encarando o lado dos medos que colocam em nossas cabeças, diferente de Nando, que já manda direto um "eu não gosto de madre/não gosto de padre/não gosto de frei". Parece uma crítica melhor construída. Baião de Dois é a penúltima música. Não gostei dela no show e continuo sem gostar muito no disco, ainda que tenham dado uma melhorada no arranjo dela. Sei lá, ela me soa meio vazia ainda. Talvez eu acabe me acostumando.
Pra fechar, Quem São os Animais?, uma música que até parece mais leve que as outras 13, mas a letra mostra um tema atual como nunca. Racismo, homofobia, preconceitos em geral, proferidos pelos ditos seres "racionais"... no fim a gente para e pensa, quem são os animais? Uma das melhores do disco também, e não lembrava que o instrumental dela era bom assim.
Fazendo um apanhado geral, Nheengatu tá mais pra um Titanomaquia com Domingo do que pra Cabeça Dinossauro com Õ Blésq Blom, como a banda disse. De Blésq esse disco não tem nada, é porrada o tempo todo. Aliás, qual não foi minha satisfação quando o Sérgio respondeu isso pra uma mina no Twitter dele. Ela perguntou se teria algo mais suave e intimista no disco e ele "não, só tem porrada".
Nheengatu é isso, é porrada, letras pra fazer a gente pensar. Digo que ele tem uma mescla de Domingo na receita porque, obviamente, algumas músicas são inferiores e talvez caiam no esquecimento, mas no geral, Titãs como não se via há muito tempo. Mesmo com metade do time, mostraram que o pulso ainda pulsa.
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